sexta-feira, 25 de setembro de 2009

exercício de infelicidade...

Diante da necessidade de lembrar cinco felicidades, para a oficina literária do Carpinejar, me deparo com minha tristeza implícita, pra consumo externo sou efusiva, risonha e leve. Por dentro uma outra eu, pesa toneladas, chora e se penaliza, colecionando dores feito figurinhas de álbum, com cuidado que se dedica as coleções, uma outra eu guarda uma certa incapacidade de lembrar feliz, como se pra dentro só o olho triste enxergasse.
Eu, garimpeira de lixos, culpas e abandonos, resgato dor, lustro, amplio, distorço a cena e ainda coloco luzes duras para aumentar o impacto e o drama. Um exercício estúpido de auto-preservação. Como se eu precisasse arrancar as casquinhas pra lembrar do sangue e de toda possibilidade de queda embutida em cada passo. Uma parte de mim não me permite sarar.
Não lembro uma única felicidade que não tenha muita tristeza grudada no casco.

O exercício inverso, seria agora catar as felicidades plenas, sem nenhum ranço, sem nenhuma dor revisitada, lustrar as lembranças boas...

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