sexta-feira, 25 de setembro de 2009

exercício de infelicidade...

Diante da necessidade de lembrar cinco felicidades, para a oficina literária do Carpinejar, me deparo com minha tristeza implícita, pra consumo externo sou efusiva, risonha e leve. Por dentro uma outra eu, pesa toneladas, chora e se penaliza, colecionando dores feito figurinhas de álbum, com cuidado que se dedica as coleções, uma outra eu guarda uma certa incapacidade de lembrar feliz, como se pra dentro só o olho triste enxergasse.
Eu, garimpeira de lixos, culpas e abandonos, resgato dor, lustro, amplio, distorço a cena e ainda coloco luzes duras para aumentar o impacto e o drama. Um exercício estúpido de auto-preservação. Como se eu precisasse arrancar as casquinhas pra lembrar do sangue e de toda possibilidade de queda embutida em cada passo. Uma parte de mim não me permite sarar.
Não lembro uma única felicidade que não tenha muita tristeza grudada no casco.

O exercício inverso, seria agora catar as felicidades plenas, sem nenhum ranço, sem nenhuma dor revisitada, lustrar as lembranças boas...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

um poeminha de antes...uma emoção de agora !

eu aqui, de novo...chorando de mansinho...posso ter um orgulho:

me emociono..ainda me emociono...e quero e toda essa emoção a flor da pele e desisto..e me lambuzo e morro de medo de não ter saída..e saio.
eu..
que ainda danço
ainda quero acertar o passo
ainda quero um par
e um bom companheiro de viagem

eu, ainda e sempre
querendo as mesmas coisas
que a eu adolescente queria
um amor...
pra felicidade ser coisa diária
pra planejar a próxima viagem
pra tirar fotografia
(é estranho pedir pra um estranho te registrar)
um amor
pra segurar a mão
quando alguma grande cena
não couber em palavras
quando um som
mexer além
um alguém pra ficar em silêncio
pra dar gargalhada
pra ser
sem medo
e com roupa de ficar em casa...

Quem de nós dois vai dizer que é impossível o amor acontecer?

Agora...eu aqui sentindo essa emoção gostosa e feliz de ter alguém pra querer, um peito pra descansar e me enroscar...agradeço!

"Erga suas mãos para céu e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você na rua, na chuva ou numa casinha de sapê"...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

aos apaixonados do trem...

Meu amigo Rick, lá de longe me traz La Oreja de Van Gogh, grupo que conheceu quando esteve na Espanha, e que eu até hoje não conhecia.

Apreciem como eu JUEVES uma musica linda, uma homenagem, um lamento aos mortos de 11 de março 2004, no atentado de Madri.

Triste os sonhos, os amores e as tantas vidas perdidas, as mortes estúpidas, em todas as guerras diárias de terror inconcebíveis.

É o que diz a frase brilhante do artista plástico frânces Christian Boltanski na abertura do filme Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão :"Numa guerra não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada. Uma acumulação de pequenas memórias..."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

andando pelo sertão...



Ah,..andei no sertão com meu amor e voltei enlouquecida com esse tempo que já não temos, com a falta da qualidade na nossa vida, com a falta de paz com a qual vivemos, com a falta de sentido que nos habituamos a manter como se fosse normal: correr, sorrir amarelo, engolir em seco, digerir sapos,aguentando, aguentando... Voltei feliz pela oportunidade de sentir simplesmente e triste ao constatar a falta de gentileza nos nossos dias por aqui e com essa corrida sem fim que até cronometra carinhos.... ô, vidinha burra! A vida lá no sertão não tem a aridez que eu ignorante supunha, a vida lá é o que merece ser chamada de vida...Simples, real e gostosa!
Piranhas - Alagoas

Voltei com uma vontade danada de ter em algum tempo uma vida assim: fértil, iluminada e limpa...geradora de energia, como aquela que respirei nas margens do velho Chico... "Nas margens do São Francisco nasceu a beleza.E a natureza ela conservou..." "Eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde pra plantar e pra colher, ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol(e a lua) nascer"...
Palmeira do Indios- Casa-museu de Graciliano Ramos
"Sem rádio e sem notícias das terras civilizadas"...

Me sentia mal amada...

Uma vez escrevi um poema...

A primeira vez que não me amaram
Levaram a leveza que do amor me vinha
Agora toda vez que me desamam
Levam a capacidade de amar que eu tinha...


Me sentia mal amada...
Isso foi antes de entender que a sensação de ser mal amada, era anterior ao próprio amor, era uma ânsia minha, uma postura de quem primeiro espera receber para só depois ser capaz de também doar...
Ser mal amada, não estava direta ou proporcionalmente ligado ao tanto de amor que me deram ou me sonegaram, ser mal amada era ser amada de outra forma, diferente e aquém da minha expectativa.
Ser mal amada era não ter sido olhada na hora que o olhar me faria aprovada e aceita. Na hora que meus olhos procuraram em outros olhos o que me faltava.
Não ter sido abraçada no momento em que eu estava ínfima..
Ser mal amada era ter ouvido silêncio enquanto uma unica palavra já me acalentaria.
Eu fui assim me sentindo mal amada, um pouco por que julguei que o amor era um super herói invencível, infalível e esperei que ele me salvasse. E o amor coitado, não tem super poderes, não salva ninguém, quando existe dá vontade de vôo, quando muito mostra que tem azul além, quando grande dá certeza de asas. O amor é um herói lindo e frágil.
Assim me sentia mal amada por que faltou mão, faltou ombro, faltou tempo, faltou cuidado, faltou colo, mas principalmente me sentia mal amada por que sobrou espera, sobrou desconhecimento, sobrou frustração, sobrou espaço não preenchido, faltou sentido.
Me sentir mal amada, me fez ansiosa, apressada, latente, me fez carente e ávida.
Me fez falar na frente, me fez forjar força e independência. Me fez negar por muito tempo minha necessidade de amor!
Antecipei palavras, adivinhei roteiros e próximas cenas. Fui controladora, por puro receio da destruição que o descontrole de um desamor me gerou e geraria.
A sensação de ser mal amada me roubou paciência, persistência e outras dessas ciências que facilitariam os encontros, me sentir pouco ou mal amada me deu urgência e uma antecipação de rejeição que de nada ajudaram na manutenção dos afetos, me tornando inábil, me tornando arredia, me cobrindo de medo e dor: medrosa da intimidade, da exposição, da entrega... me sentir mal amada, quase me roubou o amor.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Jucunditas...

Eu participo da Jucunditas no Orkut, uma comunidade maravilhosa de poesia, e digo maravilhosa por que lá, descobri e li poetas ótimos e até então desconhecidos para mim, sou muito grata ao Lodi, grande poeta , mineiro e menino que a criou e a Akemi, linda que continua o trabalho e acaba de me lembrar de duas preciosidades de lá:

ANÚNCIO - VENDO de Cláudia Schroeder

Vendo uma cama grande demais
alguns cabides nus
duas gavetas vazias
um copo com hálito
e tres cobertas frias.

Vendo um cinzeiro com baganas
umas gravatas bacanas
um travesseiro de penas
meu eu entre as pernas.

Vendo a copia da chave
um shampoo pela metade
um velho aparelho de barbear
e ganhe grátis o meu ar.

Vendo uma escova de dentes usada
e um creme dental apertado no meio.
Vendo os meus dois seios
e minha camisola rendada.

Vendo um criado-mudo
cheio de fotos deixadas.
vendo meu album de casamento
da lua-de-mel
e de noites estreladas.

Vendo o meu coração em pedaços
meu corpo aos trapos
minha boca beijada.

Vendo tudo o que foi
tudo o que está.
Vendo quase nada.

.....

VENDO
de Everton Behenck

Dois olhos gastos
Um pedaço de sonho
Velho mas intacto
Vendo fatos leves
E uma lágrima santa

Raridade

Vendo uma saudade
Grande
E um sorriso torto
Caiu no chão

Pequeno acidente

Vendo
Duas mãos espalmadas
Feias de dureza
Mas ainda sensíveis ao toque
De um rosto

Vendo
Dois lábios calados
Com um pequeno defeito
Só se abrem para beijos verdadeiros

Vendo um coração sem jeito
Um pouco antigo
Fora de compasso
Em pedaços
Mas com belos traços de carinho
A quem se interessar
O amor vem junto
A quem jurar paixão,
Alugo

E para quem conseguir juntar as partes
O coração é grátis

terça-feira, 1 de setembro de 2009

cor no olhar...



Meu olhar se ilumina de detalhes, como se as cores desenhassem poesia no dia, suave e impunemente, a primavera se perde no calendário e brinca em pleno calor, fotos do final de agosto...antecipando quão lindo será setembro!