terça-feira, 28 de julho de 2009

Fabrício e a filha...

"Faz de conta que já conhece os sentimentos que virão para não sofrer com eles. Demora de propósito. É aquela pessoa que chega muito antes de um compromisso e dá uma longa volta para depois aparecer atrasada. Há sempre uma sala em seu rosto onde deixa a emoção esperando. Não que seja insensível, é sensível demais, tanto que tenta controlar o que não pode."
Carpinejar fala de sua filha no blog www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br, e eu que mal conheço a Mariana, me enxergo adolescente nessa definição.

Fui dessas
que se enfrentam
pra vencer o medo
dessas que antecipam
as quedas
trazendo os braços engessados
fui e talvez ainda seja
de uma sensibilidade
que me soa excessiva
e que por isso trago travestida
de outros sons, outros tons,
com o intuito de não mais soar...

percebo por que meu faz de conta
nunca convenceu por muito tempo...
me faltou essa ante-sala
pra emoção esperar

minhas emoções
sempre foram exibidas
despudoradas
me ruborizaram
botaram brilhos nos olhos
sempre sentaram com pernas abertas
minhas emoções
sempre gargalharam alto
e choraram a luz do dia

me faltou a ante-sala
da dor, da vergonha, do medo
faltou a cortina e a meia-luz...

mesmo que as palavras
insistam em desdizer...
está tudo sempre exposto
minhas emoções
são analfabetas
beberam em outras fontes
se recusaram
as cercanias do meu bê-a-bá...

de certa forma isso me salvou de mim...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

antes que seja tarde...



Houve um tempo
que eu infinita
brincava no inverno
sem medo, nem gripe
com bolitas
brilhante nos olhos
fazia arco-íris...

eu gostava de ser infinita!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ela

ela era tão infantil
que tinha medo de avião
enquanto o mundo todo caia
era tão boba
que se vestia de noiva de verdade
até em casamento caipira
ela era tão leve
que mesmo com dor sorria
as dores nela não faziam raiz
ela era tão ingênua
que falava com anjos
a acreditava sem fim
ela era assim
até o dia triste
que se quis "adulta"
e bobamente "esperta"
se negou vontades
abortou uns sonhos
guardou fantasias

cheia de ardis

ela tão armada
ela tão deserta
na ânsia de ser forte
esqueceu de ser feliz!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

antes de falar com a minha gerente...

Naquela ante-sala de banco eles me chamaram atenção, arrumados e cheirosos como se fosse domingo e passeassem em San Sebastian...
Em dois segundos puxei assunto, por que tenho essa curisidade pelas vidas e as histórias alheias...Pergunto se esperam há muito tempo ambos sorridentes dizem que não e que o café está gostoso...Sinto um sotaque espanhol nas palavras dela e logo atiro no meu portunhol:"Donde es usted?" ..."Soy daqui, há 46 anos!" Me responde rápido. O marido me explica:Trouxe ela do Chile, me apaixonei"...
E assim puseram mais lenha na fogueira das minhas curiosidades, as histórias de amor me encantam ainda mais, principalmente quando os protagonistas apesar do tempo e das rugas, andam de mãos dadas e sorriem cúmplices.
Eram três irmãos nascidos na Grécia, de lá fugiram ainda jovens, um foi parar no Chile, outro na Argentina, outro no Brasil. Constituiram famílias todos os três e perderam o contato, outros tempos, sem internet, google, nem telefone...
Se reencontraram em Buenos Aires, graças a um anuncio numa revista de grande circulação na America do sul, fulano de tal procura por seus irmãos, deu certo!...
E lá estavam os três reunidos,contando façanhas e trocando fotografias de suas bem formadas famílias.
O primo do Brasil achou muito bonita a prima chilena, que por sua vez achou "muy guapo" o primo brasileiro...Trocaram cartas, muitas, se conheceram pessoalmente, se apaixonaram perdidamente, casaram..tiveram filhos, netos, bisnetos e me contam sorridentes essa história de amor!
Adoro conhecer gente e se meus olhos tirassem fotografia, sonho antigo meu, vocês poderiam também ver e ficar felizes como eu, com o brilho daqueles dois...

quarta-feira, 8 de julho de 2009



Podem me achar a mais brega e babaca das pessoas, que há muito tempo deixei de me preocupar e ocupar com esses conceitos, que mais parecem carimbos, etiquetando e descartando gente. Por isso assumo: eu também gosto muito de uma música chamada PAI cantada pelo Fábio Jr , a música me toca, me identifica, se aproxima muito da dualidade que se sente mesmo por pai e mãe, com essa coisa de herói, que de repente deixa de ser e felizmente volta GENTE, pra podermos também ser...
Lembro que quando vim para Porto Alegre, essa música estava no seu auge, tocava nas rádios e muitas vezes me fazia chorar, por saudade, por vontade de me aconchegar no colo e fugir, por que diz num trecho: "me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança...eu cresci e não ouve outro jeito, quero só recostar no teu peito..." , e quantas vezes segurei o tranco só querendo colo e chorar de boca aberta o medo de não conseguir crescer.
Então, resolvi dizer como é bom ter um pai e uma mãe pra contar, pra voltar, pra lembrar, como é bom enxergá-los com olhos adultos, tendo também virado pai/mãe e me sabendo muitas vezes tão frágil e confusa, tão demasiadamente humana.
Como é bom amar e poder demonstrar, como diz a mesma música "eu não quero e não vou ficar mudo pra falar de amor pra você..."

texto inteiro...coluna Nadia-QUEB

terça-feira, 7 de julho de 2009

Felicidade...(é simples)

gostos
gozos
sorrisos
músicas
poesias
silêncio
compartilhados

beijos
abraços
saudades
suspiros

coração
mente
corpos
desarmados

fome
sede
saciadas
palavras bem ditas
emoções bem sentidas
liberdades
conquistadas

sono
sonho
saúde
paz
plenos

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Santa felicidade...

Santa felicidade é um bairro de Curitiba, que acolhe e alimenta...
Lá em santa felicidade provei licores doces na entrada, queijos variados, petiscos, pães, pratos gostosos de porções bem servidas, vinho em taças de cristal, sobremesas cremosas, expressos fortes, pessoas queridas e conversas longas, naquele ambiente com cara de casa de campo que se quer ter, com madeiras nas paredes e um sofá vermelho macio, se prova o gosto real, de aconchego e dádiva que é ter felicidade.

Sentimento gostoso e pleno que não carece lugar pra se ter&ser...
Santa felicidad, me haces bien!