sábado, 20 de junho de 2009

"Um amor de engasgar"

Li há pouco a Carmem e me emocionei com o amor de engasgar que ela descreve...
..."Provavelmente lhe ocorrerá que algumas partes não se encaixam nunca. Mas vai se emocionar quando repousar em algum detalhe. No jeito franzino da mãe, sempre pronta a ajudar. No jeito maroto do pai, sempre escondendo alguma lágrima de satisfação. E eu nunca saberei, a menos que você decida me contar, se a partir deles vai enxergar em mim muita tristeza ou muita alegria. Eu sei que esta dúvida abriga tantas outras perguntas. Mas falo de um amor de engasgar. Que esquece, que cochila nos intervalos de silêncio."
Reconheço essa sensação, sei de onde vim e quanto fui moldada na minha primeira casa,nos detalhes, fui tramada junto aos crochês dos panos de prato,temperada com gostos e cheiros, sei o quanto me senti nutrida e tantas vezes não, calada e estimulada, amada e esquecida, o quanto subi nas árvores e em alguns muros, aprendendo o que posso, o que consigo ou não, testando minha capacidade de escalar perigos e obstáculos, fui esculpida nos barros que pisei com os pés descalços, minhas alegrias e tristezas partem dessa vertente...é de lá que brotou toda a água, se ela permanece limpa, se ela virou rio, se ela secou ou fez enchente...é minha parte da história, é o meu enredo, é a minha capacidade de sair de casa e ainda assim trazê-la dentro...
Algumas peças talvez nunca encaixem e posso ao reescrever ter o ímpeto de mudar o roteiro ou negar a origem da série...mas é lá! E isso engasga, sempre...

Sonho que amar, seja voltar a brincar no pátio...com aquela leveza, que as tardes risonhas e curiosas seguidas de cafés com leite, me imprimiram como felicidade&paz, ideais que me acalentam desde sempre...desde daquele início onde aprendi a ser, a sentir, a olhar!

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