terça-feira, 16 de junho de 2009

Finais felizes...

Há anos atrás eu era amiga íntima de um casal, que infelizmente se amava de forma dissonante, tinham problemas de comunicação ambos e eu como confidente ouvia as lamúrias dos dois lados. Ele era tímido e medroso que doía, praticamente incapaz de
uma ousadia, um EU TE AMO inesperado, um rompante e ela, era uma apaixonada feroz, queria, mais que queria, precisava, todas as palavras e demonstrações que dele não
saíam! Um grande amor problemático, com um final infeliz.
Depois da milésima briga, saiu ela gritando e magoada pra um lado, saiu ele cabisbaixo e magoado para o outro e nunca mais formaram um casal.
Tempos depois, ela conheceu outra pessoa, logo em seguida casou, casamento cheio de rituais do qual fui testemunha, lembro que ela estava linda de noiva, mas sem nenhum brilho no olhar, chorou quando o padre fez aquela pergunta fatal:“alguém aqui presente... fale agora ou cale-se para sempre” que, aliás, é a deixa perfeita pra cerimônia de um casamento ter um final antecipado e cinematográfico.
Bom, nem preciso me alongar o casamento em questão, não durou quase nada e logo em seguida, eu madrinha numa sessão inverno e vinho, ouvi da ex-noiva: “eu entrei na igreja e até o ultimo momento, esperava que ele entrasse parasse tudo, dissesse eu te amo, me impedisse de casar”.Ah, ela casou esperando pelo outro! Pode? Logo ele que mal sabia expressar seu amor, de onde iria tirar tamanha coragem? Mas ela casou esperando um rompante romântico dele!
Sei que meu amigo (o ex-dela) tomou um fogo homérico no dia do tal casamento, foi carregado pra casa.E deve ter chorado bem escondido. Mas mais que isso, não faria.
Assim, lá se foi ela pra uma lua-de-mel azeda, ele pra outras tentativas.
Eu lembrei disso, por que hoje, fui a uma despedida de solteira, que era também uma despedida do país, a também minha amiga, bebeu muitas caipirinhas “sabe-se lá que tipo de coisa bebe-se na África!”, dizia, fez brindes emocionados: “a minha vida feliz do outro lado do oceano!” Mas cá entre nós, e isso não ouvi da sua boca, mas vazou olhos á fora, esperava que um brasileirinho, amor também mal resolvido, chegasse e dissesse: “não vai!”, “vamos tentar de novo!” E outras dessas frases extremas, que os roteiristas de cinema e novela apreciam, mas que são raras na vida real.
Vendo a amiga atual e lembrando da de antes, me dei conta o quanto às pessoas fazem festas de despedidas, rupturas e rituais de passagem, esperando acionar decisões de amores mal resolvidos, esperando entradas apoteóticas, declarações de amor urgentes, cenas perfeitas de amores imperfeitos e o que mais me doeu foi claramente perceber, o quanto uma despedida pode ser um grito desesperado, um balançar desenfreado de mãos tentando chamar a atenção, o quanto um despedida pode ser uma tentativa equivocada de aproximação.
A amiga da despedida de hoje, embarca amanhã e provavelmente até o embarque vai olhar pro lados, esperando...
Eu como boa romântica e cinéfila, adoraria que o tal brasileirinho entrasse porta adentro e fosse capaz de todas as demonstrações que ela espera, mas provavelmente, estará em outro canto da cidade se empapuçando de caipirinha (ela aprendeu com ele), chorando no ombro de um amigo enquanto ela também chorando vai ver pela janela a cidade sumir. Também é um final cinematográfico.
Aliás, hoje em dia, nem mais no cinema temos a garantia de um final feliz!
Foto Fábio Codevilla

Um comentário:

Denise disse...

Até porque quando eles acontecem agente duvida,e reclama que o filme era um engodo.
Estaremos realistas demais e nos amargando?

Adorei aqui

Volto!

Denise