sábado, 27 de junho de 2009

"espero que Michael Jackson chegue criança no céu"

Eu fiquei muito revoltada e triste, com uma cena que mostrava a menina Maísa ( criança considerada prodígio que tem ou tinha programa no SBT) chorar e implorar pro “patrão” Silvio Santos que queria ir embora, que estava doendo a cabeça que havia batido há pouco, correr pro backstage e de lá por alguma alma “gentil” ser enviada a cena novamente...Abaixo de riso das estúpidas colegas de trabalho e do patrão.
Cena triste e que me vem a cabeça novamente, com a morte do Michael Jackson, que eu também conheci criança.


Falando nessa morte, muito bom o texto de Ricardo Soneto que acabo de ler no blog The Bystander Num trecho destaco: “Numa entrevista à suprema sacerdotisa do marketing, Oprah Winfrey, o cantor revelou os tormentos de um trabalho duríssimo para fazer os magníficos registros pops nos estúdios da Motown (que nos fazem dançar, como gemas sonoras milagrosas, até hoje), e da sua melancolia, de partir o coração, ao olhar o parquinho ao lado do prédio da gravadora e ver as crianças vivendo as brincadeiras e alegrias que seu precoce talento impedia. Um pouco da alma ficava em cada fonograma.”

Concordo com quase tudo que li ali, mas principalmente com a sensação triste de que essa criança nunca teve paz! Nunca teve o direito de ser criança e que todas as suas extravagâncias eram pedidos tortos de socorro.

Nunca fui prodígio e tive infância com pátio, graças a Deus, tive tempo, fui boba, desdentada, desgrenhada brincando de bolo de barro sem nenhum paparazzo registrar minha “tarde feliz na pequena cidade de Itaqui”, nenhum registro além da memória do primeiro banho de mar, do primeiro tombo de bicicleta, da primeira apresentação pro grande público.
E assim com direito a sorrisos espontâneos e lembranças únicas, cresci.
Penso sempre que fui moldada naquele barro, naquelas tardes, sob aquele céu de nuvens formando imagens, sou esse amontoado de vida que descobri na infância.

Então, como o Ricardo espero que Michael chegue criança no céu e que por lá haja um parquinho, onde enfim o menino possa brincar.
Gosto de crer nessa outra vida além vida, como resgate, como luz, com a paz e a tranquilidade que muitas vezes perdemos ao perder a espontaneidade de ser e livremente agir.

Que haja um parque lindo no céu e que lá meu tio Orlando que sempre gostou tanto de conhecer gente esteja conversando com a Farrah-Fawcett, contando histórias, sorrindo e sendo admirado como merece, enquanto Michael brinca de balanço.

Que haja um parquinho no céu, amém!!

2 comentários:

valmir disse...

Concordo com você por tudo aquilo que sabemos da vida de Michael, talvez fosse por isto que por um certo momentomomento de sua vida ele tentou criar um reino e até mesmo querer viver rodiado de crianças como se tivesse vivendo num reino encantado de Peter Pan.UM abraço amiga Valmir

Vanico disse...

Clara parabéns pelo texto, pelas observações e indiretamente críticas.
Isso realmente ele demonstrou tantas vezes e o ser humano não compreendeu.
E demonstrou com a alma, música, poemas... Deu tudo pro mundo e dele recebeu muito pouco, pois o direito a vida, infância, adolescência e juventude, não teve. Minha bisavó dizia "Vai os anéis, ficam os dedos".
Beijos