sexta-feira, 3 de abril de 2009

seguindo Carpinejar e Lu:

Nádia Lopes por Nádia Lopes

Te acompanho há anos e te vejo sorrir muito, estar sempre feliz, não cansa?
Sou um pouco deslumbrada com detalhes e assim um pouco boba, sorrir é realmente fácil para mim, mas quando falta sentido eu choro muito também, só que minha lágrimas são menos expostas, cinema me faz chorar muito, e vou normalmante sozinha, enfrento minhas dores privadamente, me escondo pra sofrer.
Chamo meus momentos tatu-bola, quando tudo me fecha, tudo me dói, tudo me gera uma reação de auto-proteção.

E isso de sofrer sozinha é mais prepotência ou incapacidade?
Um pouco de incapacidade eu acho, de expor meus escuros, meu lado B, de não ser sempre feliz, como se houvessem me ensinado que existem coisas que não "ficam bem", como odiar abertamente, como invejar, sofrer entrou nesse rol, das coisas proibidas de sentir publicamente.

E amar, também é proibido publicamente?
Quando eu amo gosto da exposição desse amor, gosto das manifestações, das declarações, das mãos dadas, dos beijos na boca,de bilhetes e de te amos ditos, sou uma exibicionista, não gosto de gente que economiza demonstrações de afeto me parece sempre desculpa de quem na verdade não quer ou não sabe se dar.

"Quando amo"...tua frase me parece que amor é assim, uma fase, uma ocasião, um ritual...
Pois é, amar (e não sei se sei amar), me parece mesmo isso, uma fase, uma ocasião, um ritual, como um estado de graça, um estado pendurado no tempo, um momento onde os detalhes fazem sentido e eu fico mais leve e sorrio mais, quando começo a chorar e a querer me esconder, já duvido que seja amor, ou da minha capacidade de...

Foge?
Penso, e pensando deixo de ser leve e deixo de querer, e sim muitas vezes antecipo os fatos, não gosto de esperar o fim total, sou ansiosa, sou emocionalmente infantil, fui por muito tempo filha única e isso marca.

O que te parece marcas de uma filha única que ainda ficaram?
Não lembro de ter regalias extremas e mimos, até me ressinto por uma certa falta de atenção na infância que me deixou com uma sensação de ausência.
Talvez por que fui uma filha única sem pedestal e direito a chiliques. Fui uma criança solitária e ficaram marcas emocionais de ansiedade, uma sensação de que o que sinto é muito importante para não ser ouvido, uma impressão de que devem prestar maior atenção em tudo que é meu até ao meu silêncio, que devem me cuidar,mesmo que eu não demonstre isso, quero e preciso sempre ser única.

Quer que adivinhem isso? Essa necessidade não expressa?
Talvez esse seja o maior sintoma, quero que prestem atenção e me leiam as entrelinhas, não quero precisar pedir, quero ganhar.

E sabe também dar?
Sei, sou bem generosa e muitas vezes me ultrapasso para agradar. Mas se não percebo um reconhecimento de volta, posso me sentir muito abusada e me fecho.

Parece um jogo ou um super controle?
Na real é mais reconhecer o descontrole e uma enorme necessidade de me preservar,pensando bem pode ser controle mesmo...

E o que precisa ser mais controlado? A emoção? A agressividade?
Me falaram dia desses que eu minimizo a emoção e talvez faça o mesmo com agressividade, disseram que eu coloco tese encima dela, que é minha forma de dar menos ênfase...ainda estou pensando se essa leitura é correta. De fato com a agressividade nunca soube conviver bem, a minha engulo e a dos outros me ofende demasiadamente. Fui mal criada nesse sentido, nunca ouvi uma discussão ou um grito em casa, me criei achando que essas "coisas" eram anormais,"menininha boa moça, incapaz de querer mal, parecia tão verdade, esse maniqueísmo bobo,que me fez fazer de conta que não sou sinceramente, boa e má, médico e monstro, criador e criatura..."
Dualidades...quanto a uma emoção descontrolada, tenho medo e fascínio!

Quem ganha o fascínio ou o medo?
Ultimamente o medo tem se fantasiado de maturidade e sido mais frequente, mas ando sentindo falta de momentos fascinantes...

A maturidade é uma qualidade ou um defeito?
Tem coisas interessantes em estar viva há mais tempo,uma certa tranquilidade, uma dimensão mais real das importâncias, das prioridades e até das dores. Mas tem um sensação de "já vi(vi) isso" que cansa também, é legal ser surpreendida...a maturidade pode virar defeito, pode virar distanciamento.

Tu é quem sonhou ser na tua idade?
Não sou esse tipo de gente que tem metas e sonhos muito claros, nunca me comprometi assim com objetivos tão definidos, vou vivendo o que vem sendo, não tinha uma Nádia ideal para alcançar. Mas de fato estou no lucro,tinha uma sensação esquisita de que morreria antes de completar 40 anos. Cheguei até aqui sem me dar conta direito e em muitos aspectos sou e estou melhor do que poderia imaginar, sou mãe e isso me parece uma grande distinção, virei dona do meu próprio nariz o que nunca me imaginei fazer e não desisti de me conhecer mais profundamente, por isso me trato e escrevo.
Eu sempre digo que eu falo melhor escrevendo, ainda preciso resolver isso e também os casos, onde a palavra jorra feito um acesso de loucura, pra despistar o enredo, o engasgo e a timidez.


Falta o quê?

Falta tempo e sobram possibilidades...Estou simplificando, falta amor ás vezes, falta intimidade, faltam relações verdadeiras, faltam palavras,falta inspiração,falta ideologia, falta coragem, falta silêncio do bom e lugares para estar tranquilamente, enfim...se é real a teoria do vácuo, tudo que falta está a um passo de ser preenchido...Tomara!!!!

2 comentários:

Luciane disse...

Ai que bem! Ainda tô me encorajando...fico trabalhando nas perguntas mas não quero ser previsível demais. Quero tentar me surpreender. Adorei a idéia da gente se entreblogar! Depois a gente se troca! Super beijo!
P.S. Depois quero saber noticias das fotos. Tô louca pra ver!

pensar disse...

Oi, Adorei essa entrevista com si mesmo. Genial.
Eu tbem sou dos sorrisos e das demostracoes de amor, mas as vezes me protejo.Bjs