quarta-feira, 15 de abril de 2009

li uma ficção e quis saber fazer...

Ele estava há quilômetros de ser o homem ideal, que ela de um jeito estúpido e virginal esperava.
Ela estava há quilômetros de ser a mulher ideal que merecia um homem ideal, e isso nem tão claro estava, mas gritava e não a deixava esquecer, tatuado em algum canto da alma, juntos com cenas muitos drásticas e opções mal feitas, com as quais se misturava, cenas de mutilação deprimentes em salas obscuras onde havia abandonado o sonho de ser mãe, tudo nublado por dentro. Em outros cantos escuros em flashes se via bicho buscando alimento, se roçando, se retorcendo de desejo torpe, embriagada e drogada demais para pensar, nunca soube bem por que precisava ir tão fundo, mas sempre rasteira e vazia voltava pra casa, sem nem uma migalha do que realmente precisava.
Então ele riu e estendeu uma taça de champagne.
Era bonito rindo, era falso também, mas isso não quis lembrar.
Ela também se sentia falsa, então brindaram.
Ás quatro horas da manhã, ele acordou e se aconchegando nela disse: Saudade!
Não, não tinham tempo de história pra essa palavra, mas foi tão quente ouvir e sentir aquele abraço, que ela que sempre foi boa em criar expectativas, acordou apaixonada.
Trocaram telefones e beijos apaixonados na porta.
Encontraram-se no trânsito horas mais tarde, o que ela querendo argumentos e desculpas, nomeou: Destino!
Gostou daquele ‘saudade” dito na madrugada,e ficou repetindo a cena incansáveis vezes, esquecida do quanto lhe pareceu falso num primeiro momento aquele sorriso e o quão gratuito todo o resto.
Azar! Disse pra uma amiga, e essa era a senha, pra de novo saltar do trapézio sem rede de proteção.
E saltou!
E ele solícito, lhe impediu a queda.
Destino, sentenciou ela, já completamente esquecida de tudo.
Um mês depois estavam viajando: Lua-de-mel! Ela chamou.
Paraguai e Colômbia, roteiros estranhos para cenas de romance, mas foi.
Com uma barriga de 8 meses, voltou de lá, apesar de terem estado viajando apenas uma semana, lua-de-mel ela continuou dizendo, apesar de ter apanhado ao se negar participar do tráfico.
Olha esse olho roxo?Um acidente estúpido...Disse pra amiga.
O homem ideal continuou repetindo.
Um salto sem rede, agora tinha certeza!
Medo confessou pro delegado: medo de morrer!
15 anos, tráfico de droga, na volta da segunda lua-de-mel, contados dois meses daquela saudade dita na madrugada.
Dependente química, dependente física, dependente.
Presa como traficante, com uma gravidez falsa de quilos de cocaína.
Assumiu toda a culpa e não chorou lembrando das tantas vidas que não deixou chegar aos 8 meses, destino disse, lembrando as tantas noites que se arrastou pedindo mais uma dose.
Em delírio de abstinência grita pras seis colegas de cela:
Éramos iguais...Um casal ideal!
Com expectativas aguarda as sextas-feiras de visita, quando ele não vem!
Ela sempre espera...e volta pra cela, vazia e rasteira!

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