sábado, 25 de abril de 2009

de vôos...




Eu queria dizer que sinto saudade,
não com quem acena chamando pra dentro
mas como quem acena pra um avião enorme,
um tchau para todas as janelas,
um reconhecimento
á cada pedaço daquele Boeing
que virou nossa história e suas minúsculas janelas,
suas asas, seus motores,
suas engrenagens, sua caixa preta.
Talvez tenhamos nascido
feito esses aviões de papel de sala de aula,
para um vôo rasante e brincalhão,
vai saber como ou por quê fomos crescendo,
fomos tomando outra forma,
nos estruturando,
querendo mais espaço e mais força,
mais altura e mais azul.
Como ficamos grandes,
como voamos longe,
bem mais longe do que eu concebia.
Provavelmente é do tão alto que fomos
que sinto saudade,
do tão forte parecíamos...
Talvez eu sinta falta dos ventos
E dos lugares que visitamos
E da sensação de turistas do início
Sinto não termos permanecido no alto
Mas também sinto um orgulho indisfarçável
pelo avião enorme que fomos capazes de construir
e colocar nas alturas...

Hoje dobrando papéis,
choro e rio, minha inabilidade
de construir frágeis aviões de papel,
que dirá boeings...

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