quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ternura...


Ternura- definição precisa para aquele calorzinho morno que se instala vez ou outra, bem no meio do peito, aquele sentimento do bem e tão bom, leve e suave, que faz sorriso no rosto ,que ilumina de certeza de que sim, ali esta uma pessoa ou situação que merece nossas melhores intenções, nosso carinho, nosso zelo, merece receber em dobro e suavemente toda energia positiva e luz que magicamente nos desperta.
Ternura senti e observei em um casal de artesões que na rodoviária, trocavam carinhos, sorrisos e abraços, enquanto esperavam completar o dinheiro para as passagens, não dando importância as tantas dificuldades, que o caminho da Argentina até o nordeste, com certeza apresentariam, felizes!
Senti ainda criança, lá num armazém de Itaqui, ao ver um pai humilde separar em 3 pequenos pacotinhos as balas/já que chocolates seu pouco dinheiro não permitia, para garantir aos filhos, a crença que coelhinho da páscoa existia.
Assim inundada dela, resolvi realçar o quanto de ternura sempre existe:
... quando no meio de um abraço compartilhamos a mesma emoção, quando faltam palavras, quando os olhares e toques, se encarregam de falar, e conseguem!
...quando encontramos pessoas tão especiais, que por elas e com elas queremos exercitar nosso melhor lado.
... ao reencontrar e reconhecer velhos e profundos amigos de tantas e tantas infâncias, porque assim são certos encontros, reencontros emocionantes.
...quando se observa o sono do filho ou de quem se ama.
...quando o sol enche o dia de amarelo ouro.
...quando alguém lembra de nós, e para registrar isso manda lembranças, palavras doces, fotografias, folhas, lua, músicas, poesias, livros, chocolate ou traz flores imaginárias.
...quando paramos e nos permitimos contemplar e aprender com a natureza, grandiosa, sábia e simples.
Ternura por crianças trabalhando de madrugada e com a infância abreviada.
...por bebês aprendendo a andar e descobrindo vida.
...por velhinhos de mãos dadas.
... por camisas poídas na gola, por furinho em camisetas queridas e cheias de história.
...por gente tímida que baixa os olhos e cora.
...por animais abandonados ou maltratados.
...por gente de verdade quando se mostra...
Ternura precisamos sempre e urgentemente, sentir e demonstrar!

terça-feira, 28 de abril de 2009

fome de crenças...

Meu amigo Idésio foi pra longe, em tempos onde a comunicação se dá de outras formas, "falamos" on line, nos visitamos solidões, compartilhamos insônias, tristezas e alegrias... Nossas longas conversas de MSN vez ou outra me parecem poesia...como essa:

fome de crenças
que a leveza nos retorne em forma de bandeira e luta
sejam de arco-iris ou brancas
as bandeiras são sempre lindas e vivas ao vento
ADORO BANDEIRAS
DE PAZ
adoro crenças que hasteiam bandeiras também
ESTAMOS SEMPRE LEVANTANDO UMA... É UMA ETERNA PRONTIDÃO RENTE AOS MASTROS.
essas palavras de tanta grandeza
prontidão, compaixão,
precisamos sentidos e grandezas
INUNDAR NELAS.
FOME DE PREENCHER ESPAÇOS.
CADA CANTO.
CADA FRESTA... COISA LOCA
viver bem
é não se contentar com pouco
não ser girino feliz em poça d'agua
ROGO INUNDAÇÕES E PLENITUDES
E ventos com nossas mãos firmes
A segurar bandeiras...

saudade de ter crenças e conversas de perto!
Foto: www.flickr.com/...lisboaqueamanhece

sábado, 25 de abril de 2009

de vôos...




Eu queria dizer que sinto saudade,
não com quem acena chamando pra dentro
mas como quem acena pra um avião enorme,
um tchau para todas as janelas,
um reconhecimento
á cada pedaço daquele Boeing
que virou nossa história e suas minúsculas janelas,
suas asas, seus motores,
suas engrenagens, sua caixa preta.
Talvez tenhamos nascido
feito esses aviões de papel de sala de aula,
para um vôo rasante e brincalhão,
vai saber como ou por quê fomos crescendo,
fomos tomando outra forma,
nos estruturando,
querendo mais espaço e mais força,
mais altura e mais azul.
Como ficamos grandes,
como voamos longe,
bem mais longe do que eu concebia.
Provavelmente é do tão alto que fomos
que sinto saudade,
do tão forte parecíamos...
Talvez eu sinta falta dos ventos
E dos lugares que visitamos
E da sensação de turistas do início
Sinto não termos permanecido no alto
Mas também sinto um orgulho indisfarçável
pelo avião enorme que fomos capazes de construir
e colocar nas alturas...

Hoje dobrando papéis,
choro e rio, minha inabilidade
de construir frágeis aviões de papel,
que dirá boeings...

de amores...

Uma vez um amigo me disse que "o amor é um amigo imaginário da loucura", era um tempo onde fazíamos (tentávamos fazer) poesia e esse era um assunto recorrente, mesmo que tivessemos uma sensação clara de que muito (ou talvez tudo) já tivesse sido dito e escrito e nos identificassemos com o Tango de Nancy, brilhantemente escrito pelo Chico Buarque:
"quem sou eu para falar de amor
se amor me consumiu até a espinha
o amor jamais foi meu
o amor me conheceu
se esfregou na minha vida
e me deixou assim"...


Continuávamos buscando o amor e algumas rimas...isso foi antes.
Lembro disso por que reencontro meu amigo, anos mais tarde, num bar onde as pessoas se olhavam gulosas e eu senti uma certa tristeza, pelo amor que definitivamente não era possível ali...Perguntei bobamente para meu amigo antes poeta: onde as pessoas que querem realmente se encontrar vão?
Ele sorriu amarelo e calou com um gole bem grande de cerveja.

Talvez o amor tenha saído de moda, talvez tenha se desgastado tão mal usado por aí, talvez tenha ficado obeso e obsoleto, talvez tenha virado rima pobre, verso branco, talvez tenha deixado de ser romance pra virar crônica.
Tenho receio de termos pulado de uma cilada para outra, do amor eterno para a negação e desobrigação emocional, e aguardo ansiosa o final dessa história(torcendo por um final feliz!)

terça-feira, 21 de abril de 2009

acendendo cor...



Não sei se foi o tempo que andou nublando, o friozinho de fim de tarde, a noite chegando antes ou tudo isso junto me trazendo a lembraça de um inverno...Acordei querendo mudar de cor, coloquei de volta almofadas cor de laranja,outras com flores de chitão, as fotografias e os livros, tudo exposto, garantindo calor pra dentro de casa..e agora há pouco lendo a Lu, e uma poesia bonita,quis também mostrar um momento poético e primaveril meu, fazendo uma "versão feliz" do Poema 20 do Pablo Neruda..

Posso escrever os versos mais felizes esta manhã
Escrever, por exemplo: “O dia amanheceu cor de rosa,
Saudado pela música de pássaros ao longe”,
A vida colore o céu e canta

Posso escrever os versos mais felizes nesta manhã.
Eu o quero, e ás vezes ele também me quer...
Em manhãs como esta eu estive em seus braços
E o beijei tantas vezes debaixo o céu infinito

Ele me quis, ás vezes eu também o queria
Como não amar seus grande olhos molhados e sua voz rouca
Posso escrever os versos mais felizes esta manhã
Pensar que mesmo não o tendo perto, o tenho, dentro

Ouço o dia nascer, e brilho imensamente por ele
O verso cai na alma como na relva o orvalho
Que importa que minhas mãos não possam tocá-lo
O dia está azul e ele está comigo

Isso é tudo, ao longe os pássaros cantam, Ao longe.
Minha alma se expande de tê-lo encontrado
Como para aproximá-lo meu poema lhe acaricia
Meu coração se aconchega, e ele está comigo.

A mesma manhã que faz lilases as mesmas árvores
Nós, os de então, já não somos os mesmos
(não estamos sós)
Eu o quero, é verdade, como nunca quis.
Minha voz procura o vento pra tocar o seu ouvido

De outra, espero não seja de outra, sempre pronto aos meus beijos
Sua voz, seu corpo quente. Seus olhos úmidos.
Eu o quero, é verdade, mas ás vezes não o quero.
É tão frágil o amor, e tão longa sua permanência

Porque em manhã como esta eu estive em seus braços,
Ainda que este seja o último amor que a vida me cause
Estes não serão os últimos versos que lhe escrevo.

Acordar nessa manhã plena
E vê-la colorida
Devo ao poema
Que ele escreveu em mim.


E viva as primaveras e as cores quentes!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Por que o tempo pára...por pura emoção!!!

Por que a vida realmente pára as vezes, quando nos emocionamos, quando suspiramos, quando somos profundamente e verdadeiramente...
Por que existem propagandas que valem a pena... e por que eu me emocionei com a mensagem aí, vai...

domingo, 19 de abril de 2009

Não estás deprimido, estás distraído...

Do grande Facundo Cabral:
"Não estás deprimido, estás distraído.
Distraído em relação à vida que te preenche, distraído em relação à vida que te rodeia, golfinhos, bosques, mares, montanhas, rios.
Não caias como caiu teu irmão que sofre por um único ser humano, quando existem cinco mil e seiscentos milhões no mundo. Além de tudo, não é assim tão ruim viver só. Eu fico bem, decidindo a cada instante o que desejo fazer, e graças à solidão conheço-me. O que é fundamental para viver.
Não faças o que fez teu pai, que se sente velho porque tem setenta anos, e esquece que Moisés comandou o Êxodo aos oitenta e Rubinstein interpretava Chopin com uma maestria sem igual aos noventa, para citar apenas dois casos conhecidos.

Não estás deprimido, estás distraído.
Por isso acreditas que perdeste algo, o que é impossível, porque tudo te foi dado. Não fizeste um só cabelo de tua cabeça, portanto não és dono de coisa alguma. Além disso, a vida não te tira coisas: te liberta de coisas, alivia-te para que possas voar mais alto, para que alcances a plenitude.
Do útero ao túmulo, vivemos numa escola; por isso, o que chamas de problemas são apenas lições. Não perdeste coisa alguma: aquele que morre apenas está adiantado em relação a nós, porque todos vamos na mesma direção.
E não esqueças, que o melhor dele, o amor, continua vivo em teu coração.
Quem poderia dizer que Jesus está morto? Não existe a morte, apenas a mudança.
E do outro lado te esperam pessoas maravilhosas: Gandhi, o Arcanjo Miguel, Whitman, São Agostinho, Madre Teresa, teu avô e minha mãe, que acreditava que a pobreza está mais próxima do amor, porque o dinheiro nos distrai com coisas demais, e nos machuca, porque nos torna desconfiados.
Faz apenas o que amas e serás feliz. Aquele que faz o que ama, está benditamente condenado ao sucesso, que chegará quando for a hora, porque o que deve ser será, e chegará de forma natural.
Não faças coisa alguma por obrigação ou por compromisso, apenas por amor.
Então terás plenitude, e nessa plenitude tudo é possível sem esforço, porque és movido pela força natural da vida. A mesma que me ergueu quando caiu o avião que levava minha mulher e minha filha;
a mesma que me manteve vivo quando os médicos me deram três ou quatro meses de vida.
Deus te tornou responsável por um ser humano, que és tu. Deves trazer felicidade e liberdade para ti mesmo.
E só então poderás compartilhar a vida verdadeira com todos os outros.
Lembra-te: "Amarás ao próximo como a ti mesmo".
Reconcilia-te contigo, coloca-te frente ao espelho e pensa que esta criatura que vês, é uma obra de Deus, e decide neste exato momento ser feliz, porque a felicidade é uma aquisição.
Aliás, a felicidade não é um direito, mas um dever; porque se não fores feliz, estarás levando amargura para todos os teus vizinhos.
Um único homem que não possuiu talento ou valor para viver, mandou matar seis milhões de judeus, seus irmãos.
Existem tantas coisas para experimentar, e a nossa passagem pela terra é tão curta, que sofrer é uma perda de tempo.
Podemos experimentar a neve no inverno e as flores na primavera, o chocolate de Perusa, a baguette francesa, os tacos mexicanos, o vinho chileno, os mares e os rios, o futebol dos brasileiros, As Mil e Uma Noites, a Divina Comédia, Quixote, Pedro Páramo, os boleros de Manzanero e as poesias de Whitman; a música de Mahler, Mozart, Chopin, Beethoven; as pinturas de Caravaggio, Rembrandt, Velázquez, Picasso e Tamayo, entre tantas maravilhas.
E se estás com câncer ou AIDS, podem acontecer duas coisas, e ambas são positivas:
se a doença ganha, te liberta do corpo que é cheio de processos (tenho fome, tenho frio, tenho sono, tenho vontades, tenho razão, tenho dúvidas)
Se tu vences, serás mais humilde, mais agradecido... portanto, facilmente feliz, livre do enorme peso da culpa, da responsabilidade e da vaidade,
disposto a viver cada instante profundamente, como deve ser.

Não estás deprimido, estás desocupado.
Ajuda a criança que precisa de ti, essa criança que será sócia do teu filho. Ajuda os velhos e os jovens te ajudarão quando for tua vez.
Aliás, o serviço prestado é uma forma segura de ser feliz, como é gostar da natureza e cuidar dela para aqueles que virão.
Dá sem medida, e receberás sem medida.
Ama até que te tornes o ser amado; mais ainda converte-te no próprio Amor.
E não te deixes enganar por alguns homicidas e suicidas.
O bem é maioria, mas não se percebe porque é silencioso.
Uma bomba faz mais barulho que uma caricia, porém, para cada bomba que destrói há milhões de carícias que alimentam a vida."

www.facundocabral.org

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Os dois...Márcio Pazin e Carol Pereyr



Carol Pereyr é uma talentosa cantora e compositora baiana que iniciou sua trajetória profissional aos 17 anos. Em parceria com o cantor, compositor e violonista catarinense Márcio Pazin vem realizando, desde 2000, um trabalho autoral. O primeiro CD da dupla, "Mirante", foi lançado em 2006.

Conheci esses dois hoje de manhã, um amigo me enviou o Samba de Maria e disse: Escuta aí, é a tua cara!
Gostei, cantarolei o resto dia, catei umas informações dos dois no google e mostro pra vocês...
Fico feliz de reconhecer o TANTO de gente boa e talentosa que tem no mundo, um brinde a isso! E a essa luz que acende no olho, esperança!

quarta-feira, 15 de abril de 2009

li uma ficção e quis saber fazer...

Ele estava há quilômetros de ser o homem ideal, que ela de um jeito estúpido e virginal esperava.
Ela estava há quilômetros de ser a mulher ideal que merecia um homem ideal, e isso nem tão claro estava, mas gritava e não a deixava esquecer, tatuado em algum canto da alma, juntos com cenas muitos drásticas e opções mal feitas, com as quais se misturava, cenas de mutilação deprimentes em salas obscuras onde havia abandonado o sonho de ser mãe, tudo nublado por dentro. Em outros cantos escuros em flashes se via bicho buscando alimento, se roçando, se retorcendo de desejo torpe, embriagada e drogada demais para pensar, nunca soube bem por que precisava ir tão fundo, mas sempre rasteira e vazia voltava pra casa, sem nem uma migalha do que realmente precisava.
Então ele riu e estendeu uma taça de champagne.
Era bonito rindo, era falso também, mas isso não quis lembrar.
Ela também se sentia falsa, então brindaram.
Ás quatro horas da manhã, ele acordou e se aconchegando nela disse: Saudade!
Não, não tinham tempo de história pra essa palavra, mas foi tão quente ouvir e sentir aquele abraço, que ela que sempre foi boa em criar expectativas, acordou apaixonada.
Trocaram telefones e beijos apaixonados na porta.
Encontraram-se no trânsito horas mais tarde, o que ela querendo argumentos e desculpas, nomeou: Destino!
Gostou daquele ‘saudade” dito na madrugada,e ficou repetindo a cena incansáveis vezes, esquecida do quanto lhe pareceu falso num primeiro momento aquele sorriso e o quão gratuito todo o resto.
Azar! Disse pra uma amiga, e essa era a senha, pra de novo saltar do trapézio sem rede de proteção.
E saltou!
E ele solícito, lhe impediu a queda.
Destino, sentenciou ela, já completamente esquecida de tudo.
Um mês depois estavam viajando: Lua-de-mel! Ela chamou.
Paraguai e Colômbia, roteiros estranhos para cenas de romance, mas foi.
Com uma barriga de 8 meses, voltou de lá, apesar de terem estado viajando apenas uma semana, lua-de-mel ela continuou dizendo, apesar de ter apanhado ao se negar participar do tráfico.
Olha esse olho roxo?Um acidente estúpido...Disse pra amiga.
O homem ideal continuou repetindo.
Um salto sem rede, agora tinha certeza!
Medo confessou pro delegado: medo de morrer!
15 anos, tráfico de droga, na volta da segunda lua-de-mel, contados dois meses daquela saudade dita na madrugada.
Dependente química, dependente física, dependente.
Presa como traficante, com uma gravidez falsa de quilos de cocaína.
Assumiu toda a culpa e não chorou lembrando das tantas vidas que não deixou chegar aos 8 meses, destino disse, lembrando as tantas noites que se arrastou pedindo mais uma dose.
Em delírio de abstinência grita pras seis colegas de cela:
Éramos iguais...Um casal ideal!
Com expectativas aguarda as sextas-feiras de visita, quando ele não vem!
Ela sempre espera...e volta pra cela, vazia e rasteira!

terça-feira, 14 de abril de 2009

caminho iluminado...


Já que o assunto é seguir ...
Um caminho iluminado e abençoado do Danilo Christidis pra nós!

Conselho de quem já andou e caiu várias vezes...é importante olhar a paisagem, amar e desejar o além da paisagem, mesmo quando se está ali, naquela paradinha básica que é o tombo...é importante lembrar, tem muito céu e estrada pra levar os olhos, o corpo e o coração pra passear...

domingo, 12 de abril de 2009

... Passei anos aquecendo em banho-maria uma emoção, usando-a como parâmetro, e bem mais tarde percebi, era uma lembrança necessária, um fantasma pontual, me impedindo de seguir a vida...
Muitas vezes a ideia fixa num ex-amor é só a saudade da capacidade de amar que tivemos um dia, a falta daquela entrega que um dia fomos capazes, e que a frustração do projeto nos tirou...reconhecer de forma torta a nossa incapacidade de voltar a amar, com aquela virgindade emocional.
Uma saudade de nós, da nossa habilidade perdida junto com aquele amor, ás vezes pode ser uma raiva travestida, mil possibilidades de interpretações, as respostas nem sempre são óbvias e a verdade nunca é tão fácil de assimilar...
A gente precisa aprender a se perdoar e reolhar!

E seguir...


Encruzilhadas e caminhos by Vicente Sampaio

segunda-feira, 6 de abril de 2009

na falta de cartas & de amores...


Acho que era o Quintana que dizia que só tinha valor estimativo, sempre achei isso lindo...eu talvez tenha mais valor estimativo e apego do que deveria, na época das cartas eu guardava todas, tinha também bilhetes, rosas secas, papeis de sonho de valsa, folhas de plátano, diários, rolhas de vinho e champagne, até um dia que fiz uma queima de arquivo, fiz meu passado virar cinzas....Como se apego queimasse...
Hoje tenho e-mails guardados, tenho MSNs salvos, continuo a mesma só que a lembrança ocupa menos espaço, lembrança compacta, lembrança em Kb, mas ainda e sempre lembrança guardada, e-mail relido, reprise de emoção...Estou começando a ter certeza que sou um tipinho apegado mesmo e não vai ter budismo que me salve...
Queria postar aqui uma parte de uma carta e-mail que encontrei, vou chamar carta de despedida, só por que acabo de ver um filme italiano gostoso, daqueles que fazem rir sozinha e acreditar que sim, o amor existe:

"Eu li há pouco a importância de escrever cartas de despedida e deixar claro, pras pessoas que passaram por nós, o quanto importante foram em nossas vidas, antes de seguirem. Até pra que todos, possamos seguir inteiros.
Então, eu estou aqui escrevendo uma carta e esperando sinceramente que tu não tenha sujado demasiadamente a nossa lembrança, pra poder me ler desarmado.
Talvez o que eu tenha chamado e esperado ser o AMOR nem exista mesmo, tão mito e fantasioso ficou, tão rima e tão negação de raiva parece, tão fusão, tão união, que chega mesmo a parecer mais prisão e irrealidade, do que asas, leveza e liberdade.
Talvez eu não tenha te amado, mesmo que alguns momentos tenha sentido a sensação quente de querer cuidar e se aconchegar, e que chamei de amor nas vezes que senti e disse.
O fato é que tive contigo momentos muitos gostosos e próximos da intimidade e entrega que considerei o ideal e tudo isso merece brinde e um bom espaço de lembrança colorida.
A parte em preto e branco da lembrança é a sensação de que eu precisaria ser outra pra que fosse possível uma manutenção de paz e felicidade, uma outra, que eu não sou e mesmo que quisesse tentar me submeter e me tornar, não me faria feliz.
Não acredito que as pessoas precisem mudar pra agradar ninguém, e quando começamos a nos querer outros, quando suspiramos o que não temos mais ou que não conseguimos ter, já deixamos de ser nós..."


Releio e repriso essa sensação, amar é não querer do outro, um outro, mas ele na sua totalidade, querer e admirar simplesmente.

Brincando ontem com um amigo, olhando em volta do circo de conquista ao qual não nos enquadrávamos, concordamos: "se pintássemos o cabelo de loiro, usássemos roupas justas e rebolassemos, talvez"... Quem seríamos, travestidos de conquistadores?...Nada admiráveis, nada dignos, e nós esses tipos apegados, que fazem poesia e choram em filmes românticos e colecionam e-mails e lembranças, precisamos de brilhos que não faíscam a olho nú, brilhos nada visíveis, felizmente!

sexta-feira, 3 de abril de 2009

seguindo Carpinejar e Lu:

Nádia Lopes por Nádia Lopes

Te acompanho há anos e te vejo sorrir muito, estar sempre feliz, não cansa?
Sou um pouco deslumbrada com detalhes e assim um pouco boba, sorrir é realmente fácil para mim, mas quando falta sentido eu choro muito também, só que minha lágrimas são menos expostas, cinema me faz chorar muito, e vou normalmante sozinha, enfrento minhas dores privadamente, me escondo pra sofrer.
Chamo meus momentos tatu-bola, quando tudo me fecha, tudo me dói, tudo me gera uma reação de auto-proteção.

E isso de sofrer sozinha é mais prepotência ou incapacidade?
Um pouco de incapacidade eu acho, de expor meus escuros, meu lado B, de não ser sempre feliz, como se houvessem me ensinado que existem coisas que não "ficam bem", como odiar abertamente, como invejar, sofrer entrou nesse rol, das coisas proibidas de sentir publicamente.

E amar, também é proibido publicamente?
Quando eu amo gosto da exposição desse amor, gosto das manifestações, das declarações, das mãos dadas, dos beijos na boca,de bilhetes e de te amos ditos, sou uma exibicionista, não gosto de gente que economiza demonstrações de afeto me parece sempre desculpa de quem na verdade não quer ou não sabe se dar.

"Quando amo"...tua frase me parece que amor é assim, uma fase, uma ocasião, um ritual...
Pois é, amar (e não sei se sei amar), me parece mesmo isso, uma fase, uma ocasião, um ritual, como um estado de graça, um estado pendurado no tempo, um momento onde os detalhes fazem sentido e eu fico mais leve e sorrio mais, quando começo a chorar e a querer me esconder, já duvido que seja amor, ou da minha capacidade de...

Foge?
Penso, e pensando deixo de ser leve e deixo de querer, e sim muitas vezes antecipo os fatos, não gosto de esperar o fim total, sou ansiosa, sou emocionalmente infantil, fui por muito tempo filha única e isso marca.

O que te parece marcas de uma filha única que ainda ficaram?
Não lembro de ter regalias extremas e mimos, até me ressinto por uma certa falta de atenção na infância que me deixou com uma sensação de ausência.
Talvez por que fui uma filha única sem pedestal e direito a chiliques. Fui uma criança solitária e ficaram marcas emocionais de ansiedade, uma sensação de que o que sinto é muito importante para não ser ouvido, uma impressão de que devem prestar maior atenção em tudo que é meu até ao meu silêncio, que devem me cuidar,mesmo que eu não demonstre isso, quero e preciso sempre ser única.

Quer que adivinhem isso? Essa necessidade não expressa?
Talvez esse seja o maior sintoma, quero que prestem atenção e me leiam as entrelinhas, não quero precisar pedir, quero ganhar.

E sabe também dar?
Sei, sou bem generosa e muitas vezes me ultrapasso para agradar. Mas se não percebo um reconhecimento de volta, posso me sentir muito abusada e me fecho.

Parece um jogo ou um super controle?
Na real é mais reconhecer o descontrole e uma enorme necessidade de me preservar,pensando bem pode ser controle mesmo...

E o que precisa ser mais controlado? A emoção? A agressividade?
Me falaram dia desses que eu minimizo a emoção e talvez faça o mesmo com agressividade, disseram que eu coloco tese encima dela, que é minha forma de dar menos ênfase...ainda estou pensando se essa leitura é correta. De fato com a agressividade nunca soube conviver bem, a minha engulo e a dos outros me ofende demasiadamente. Fui mal criada nesse sentido, nunca ouvi uma discussão ou um grito em casa, me criei achando que essas "coisas" eram anormais,"menininha boa moça, incapaz de querer mal, parecia tão verdade, esse maniqueísmo bobo,que me fez fazer de conta que não sou sinceramente, boa e má, médico e monstro, criador e criatura..."
Dualidades...quanto a uma emoção descontrolada, tenho medo e fascínio!

Quem ganha o fascínio ou o medo?
Ultimamente o medo tem se fantasiado de maturidade e sido mais frequente, mas ando sentindo falta de momentos fascinantes...

A maturidade é uma qualidade ou um defeito?
Tem coisas interessantes em estar viva há mais tempo,uma certa tranquilidade, uma dimensão mais real das importâncias, das prioridades e até das dores. Mas tem um sensação de "já vi(vi) isso" que cansa também, é legal ser surpreendida...a maturidade pode virar defeito, pode virar distanciamento.

Tu é quem sonhou ser na tua idade?
Não sou esse tipo de gente que tem metas e sonhos muito claros, nunca me comprometi assim com objetivos tão definidos, vou vivendo o que vem sendo, não tinha uma Nádia ideal para alcançar. Mas de fato estou no lucro,tinha uma sensação esquisita de que morreria antes de completar 40 anos. Cheguei até aqui sem me dar conta direito e em muitos aspectos sou e estou melhor do que poderia imaginar, sou mãe e isso me parece uma grande distinção, virei dona do meu próprio nariz o que nunca me imaginei fazer e não desisti de me conhecer mais profundamente, por isso me trato e escrevo.
Eu sempre digo que eu falo melhor escrevendo, ainda preciso resolver isso e também os casos, onde a palavra jorra feito um acesso de loucura, pra despistar o enredo, o engasgo e a timidez.


Falta o quê?

Falta tempo e sobram possibilidades...Estou simplificando, falta amor ás vezes, falta intimidade, faltam relações verdadeiras, faltam palavras,falta inspiração,falta ideologia, falta coragem, falta silêncio do bom e lugares para estar tranquilamente, enfim...se é real a teoria do vácuo, tudo que falta está a um passo de ser preenchido...Tomara!!!!