terça-feira, 24 de março de 2009

os fins...quase nunca justificam os meios...

Existem finais e finais...
Existem em vários formatos,de silêncios, de negações anteriores, de elocubrações, de frases nunca ditas ou ditas de um jeito torto e fora do tempo...
Existem as impressões e mágoas jogadas pra baixo dos tapetes da alma que se acumularão até obstruirem os caminhos...
Existem as sensações que não assumimos sentir, quanto mais verbalizar, as covardias, os medos, os desejos mortos, as incompreensões, a admiração que se perde, tudo matéria-prima pro fim...

Existem os finais premeditados, os finais com dolo, os finais que nos surpreendem, os passionais, os finais que nos pegam desprevenidos e arrancam de nós reações imprecisas, arrancam de nós as pessoas que não queríamos perder ou que já havíamos perdido ou abandonado, sem a dignidade de reconhecer...

Os finais nem sempre serão dignos...

Mas sempre serão doloridos, frustrantes e necessários.

Como brilhantemente já disse Paulo Mendes Campos:...
" às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."

3 comentários:

Wania Victoria disse...

"Aprendi com a primavera a ser cortada e voltar sempre inteira"
Gosto desta receita da Cecília Meireles para todos os FINS!!!
Quem já não viveu um fim, não é mesmo? Voltar inteira não é fácil!
Muito bonito teu texto!
Bjs.

marcelo disse...

Interessante isso né? O amor pode começar e terminar em três segundos.

Nadia lopes disse...

Sim, Wania doloroso processo pra se renascer...Que bom que tu me lê...

E tu Marcelo, descongelado graças a Deus...Três segundos já é demais, ahahahahh, né?

beijo pro dois