segunda-feira, 30 de março de 2009

Que país é esse?

Quando eu vi essas crianças caminhando mais de hora, atravessando rio e mato, não para ir para escola aprender, mas para comer...Comida que vem num lombo de burro, graças a um analfabeto, eu tive a real dimensão da fome....E fui obrigada a enxergar uma realidade que tão longe de mim, nunca sinto...Uma fome que nunca concebi!
Para o sorriso esperançoso e feliz da menina, ao saber que hoje teria merenda, não tenho palavras, só sinto, sinto muito, que um país rico como o nosso, tenha esses extremos...
100% das crianças só estão na escola por causa da merenda...Que país é esse???


Grande Marcelo Canellas, tenho orgulho de te conhecer de perto!

sábado, 28 de março de 2009

Seja um IDIOTA!!

Minha amiga Ligia, que sempre compartilha preciosidade, hoje cedinho me mandou SEJA IDIOTA! Esse texto de Arnaldo Jabor,que compartilho com vocês!
Talvez por que hoje é sábado e eu ando sendo séria, concordei: idiotice é um bem necessário!

Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre.
Putz! A vida já é um caos, por que fazemos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota!
Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele.
Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? Hahahahahaa... Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema?
É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que eles farão se já não tem por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não.
Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura; piora se for densa.
Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida – e esse é o único “não” realmente aceitável.
Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras.
Acorde amanhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração.
Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora?
"A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche."



Amo essa foto do Vicente Sampaio,é essa leveza nada idiota que temos que reaprender...

Vamos ao BAILE?




É HOJE!! Aproveito pra convidar TODO MUNDO pro BAILE DA CIDADE, comemorando o aniversário de 237 de Porto Alegre, o centro da Redenção vira um enorme salão de baile a céu aberto,com todo o policiamento necessário, é uma grande festa, que eu frequento há anos e ADOOOOOOOOOOOOOOORO!
Vamos?

obs-Como a vestimenta abaixo não me agrada mesmo, fico só com o exercício quase ficcional, e como sempre dizia o Caio: SEGUE O BAILE!!!! Hoje literalmente!

sexta-feira, 27 de março de 2009

exercício 1

Carta para um pessoa que se odeia, primeiro exercício da oficina do Fabrício Carpinejar, que infelizmente não estou fazendo, mas vale como tentativa:

Sempre economizei ódio, como se fosse sentimento demasiado pra usar em qualquer situação, como se fosse vestido de paetê que não me servisse e nem fosse próprio pra nenhuma ocasião.
Usava mágoa, que é raiva de freira, e foi sempre meu pretinho básico!
Mas agora percebo, contigo posso usar meu paetê mais vermelho e decotado, tu merece que eu vista todo o ódio que me cabe.
Tu desprezível, patético, insensível,doentio que além de usar sentimentos e boas intenções, usa pessoas.
Tu infeliz que jamais será respeitado, por que é um fraco disfarçado de forte, uma mentira de calças.
Tu que carrega esse sorriso forçado, como um palhaço triste precisa pintar uma boca vermelha enorme para disfarçar sua dor.
Odeio ter compartilhado preciosos minutos, esperanças, luas e sonhos contigo...Odeio ter permitido tua aproximação.
Desejo profundamente que alguém te faça tão mal quanto tu me fez, tu merece amargar o desamor que tão bem soube provocar!

quarta-feira, 25 de março de 2009

El Sueño de Valentín - Alejandro Agresti



“Ser o grande de alguém pequeno é tarefa que não pode ser repassada”, acho que foi a Diana Corso que falou isso e foi a frase que me invadiu depois de assistir “El sueño de Valentin”, um filme doce, triste e muito lindo, por que mostra o tempo todo, o prisma do pequeno Valentin e o tanto que as palavras, demonstrações de carinho ou não, eram decisivas na sua forma de ver e sentir o mundo.
Valentin mostra uma criança crescendo, aprendendo a ser o que esperam dela, ganhando e perdendo, mostra basicamente como crescer é difícil, como desmonta sonhos e de como é preciso superação.
Então chorei tal qual criança, mas com um desejo de gente grande de pegá-lo pela mão e tirá-lo de lá, desejo de dar colo, consolo, desejo de que nenhuma criança precisasse sofrer.
As crianças e os mais velhos em sofrimento, me comovem ainda mais, os pequenos por que suponho que a dor vai deturpar e nublar a visão, por que vai eliminar a pureza, vai arrebentar com o futuro. Os mais velhos por que a dor, pode eliminar boas lembranças e arrebentar com o passado, que deve ser um tesouro pra quem já viveu bastante.
Mas o filme é do bem e positivo, por que se lá estava a avó do Valentin cheia de ressentimentos e mágoas, ainda mantinha o brilho nos olhos quando lembrava e conseguia compartilhar afeto, também lá estava o Valentin sonhando ser astronauta, em encontrar a mãe ou alguém mais, que fosse uma garantia de amor, já que consciente sabia que a avó envelhecia e deveria deixá-lo pra acompanhar o avô.
Não dá pra subestimar o poder de elaboração de uma criança, a capacidade de antever situações, a clareza que vez ou outra demonstram, não dá pra imaginar que nossos silêncios, palavras, gritos, ironias passem desapercebidos, por isso devemos ser melhores, devemos ser conscientes, coerentes e realmente grandes não só por que ser “o grande de alguém pequeno” é tarefa séria e que não pode ser repassada, mas principalmente por sermos o reflexo e a base desse futuro que nos espia atentamente, enquanto brinca e parece estar no mundo da lua.

terça-feira, 24 de março de 2009

os fins...quase nunca justificam os meios...

Existem finais e finais...
Existem em vários formatos,de silêncios, de negações anteriores, de elocubrações, de frases nunca ditas ou ditas de um jeito torto e fora do tempo...
Existem as impressões e mágoas jogadas pra baixo dos tapetes da alma que se acumularão até obstruirem os caminhos...
Existem as sensações que não assumimos sentir, quanto mais verbalizar, as covardias, os medos, os desejos mortos, as incompreensões, a admiração que se perde, tudo matéria-prima pro fim...

Existem os finais premeditados, os finais com dolo, os finais que nos surpreendem, os passionais, os finais que nos pegam desprevenidos e arrancam de nós reações imprecisas, arrancam de nós as pessoas que não queríamos perder ou que já havíamos perdido ou abandonado, sem a dignidade de reconhecer...

Os finais nem sempre serão dignos...

Mas sempre serão doloridos, frustrantes e necessários.

Como brilhantemente já disse Paulo Mendes Campos:...
" às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba."

sexta-feira, 20 de março de 2009




















Arte:Sam Webber- http://www.sampaints.com/portfolio.html

Sim eu falo demais e me defendo igualmente, sim eu pergunto, respondo e concluo, muito antes...
Pode ser por que aprendi a falar muito antes de andar...
Pode ser por que já sofri demais e forcei muitos sorrisos, o arco e flecha preparado...ou essa dor que não cicatriza para me lembrar de ter cuidado...
Pode ser por que aprendi a carregar pesos desnecessários julgando que eram bagagem...
Pode se chamar ansiedade ou boicote, pode se chamar medo: me apaixonar e já antecipando a rejeição,enumerar as razões inequívocas do não...
Isso nasceu ainda na infância, quando temendo ficar órfão, sofria a morte de meus pais a cada viagem mais distante, chorava e amargava essa morte, até que voltassem...
Pode ser masoquismo ou alguma incapacidade de altos vôos...
Pode ser o vinho, a sexta-feira...
A saudade do brilho que aquela paixão platônica deixou de ter, por que deixei de acender, e isso eu sei fazer bem, deixar...
Pode ser carência, prepotência, intolerância, ou de novo e sempre o tronco que carrego em todos os vôos...
Pode ser só a velha incontinência verbal, a falta das palavras dele e do silêncio, a falta da luz daquele olhar que me identifique e me cale...
Pode ser só falta de um abraço que faça sentido e aqueça esses primeiros frios...
Tudo pode ser...

Nany Kratina

A Nany é uma cantora guerreira, que tem um companheiro parceiro e capaz de fazer projetos culturais e musicais interessantes,formam uma grande dupla, que só conheci pessoalmente esta semana.
Ela no palco do Teatro de Arena,com ótimos músicos, apresentava poemas que viraram música, o CD que acaba de ser lançado com o apoio do Fumproarte: Surpresa Brasileira (este um poema do Celso Gutfreind) .
Entre vários poetas conhecidos como o próprio Celso, Luiz Coronel, Dilan Camargo, Sérgio Napp, Hércules Grecco, tem o poema-musica de uma mulher quase desconhecida: Camarim, que fez a minha companheira de platéia cantar emocionada e orgulhosa.
Serei eternamente grata a Nany por ter me escolhido e por ter aceso aquela admiração brilhante nos olhos da minha filha.

Há anos ensaio o encontro
aguardo a estréia
as vezes confundo
dou o texto certo
pro ator da outra cena

Dou beijos e abraços
e sonho acordada
na cena errada
vamos lá
respiro fundo
vamos lá...

Maquiagem pronta
figurino exato
mas o ator não vem

Fecham-se as cortinas
as luzes se apagam
e eu não tenho flores
no meu camarim...


O tempo passou,se o ator certo pro final feliz ainda não veio, ao menos a luz do meu camarim estará pra sempre garantida, aquele abraço de fã incondicional, encheu de flores minha alma.
Ah, que delícia é ser vista com admiração pela nossa própria filha!
Grata Nany, grata Alice, por isso!

Contatos: nany-kratina@hotmail.com
A Francine Veiga é uma amiga, modelo, cantora, chef de cozinha que mora em Nova York e de lá, por e-mail, me trouxe o Pequeno Príncipe de volta, deve ser um bom sinal para nós duas que esse texto nos toque e nos diga respeito, um sinal de que não somos tão gente grande assim, o que é sempre uma luz bonita no fim do túnel...

..."As pessoas grandes adoram os números. Quando a gente lhes fala de
um novo amigo, elas jamais se informam do essencial. Não perguntam
nunca: “Qual é o som da sua voz? Quais os brinquedos que prefere? Será
que coleciona borboletas?"
Mas perguntam: “Qual é sua idade? Quantos irmãos ele tem? Quanto pesa?
Quanto ganha seu pai?”
Somente então é que elas julgam conhecê-lo.
Se dizemos às pessoas grandes: “Vi uma bela casa de tijolos cor-de-rosa, gerânios na janela, pombas no telhado…” elas não conseguem, de modo nenhum, fazer uma idéia da casa.
É preciso dizer-lhes: “Vi uma casa de seiscentos contos”.
Então elas exclamam: “Que beleza!”
Assim, se a gente lhes disser: “A prova de que o principezinho existia é que ele era encantador, que ele ria, e que ele queria um carneiro.
Quando alguém quer um carneiro, é porque existe” elas darão de ombros e nos chamarão de criança! Mas se dissermos: “O planeta de onde ele vinha é o asteróide B 612″ ficarão inteiramente convencidas, e não amolarão com perguntas. Elas são assim mesmo. É preciso não lhes querer mal por isso. As crianças devem ser muito indulgentes com as pessoas grandes.Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números! "...

quarta-feira, 18 de março de 2009

Um fotógrafo bárbaro!!!

Eu sou uma apaixonada por fotografia, pela arte, pela capacidade de percepção, pela poesia dos olhares, pela eternidade das emoções pra sempre registradas, e tive o prazer de conhecer há pouco um grande fotógrafo e que mais do que tudo isso, usa a fotografia como causa!

Apreciem sem moderação a arte de Danilo Christidis

domingo, 15 de março de 2009

Estou invisível no MSN, ando invisível para outros assuntos, outras bocas e olhares...
A vida anda lotada, entra dia e sai dia e a sensação de que falta tempo...É muita novidade e muito o que fazer, me esqueço, mal sonho, mal paro, sei que tenho um coração em algum lugar e uma alma, ambos meio abandonados por esses dias, invisíveis...
Domingo,um friozinho inaugural delicioso, a lua deixou de estar cheia e eu nem notei...

Vou mudar meu status, pra disponivel...

Meu amigo e grande fotógrafo Alexandre Godinho, enxergou lá pros lados do Mato Grosso," Deus falando" como eu defino essas imagens e num ato de carinho me mandou de presente...Amei ser lembrada numa hora tão mágica como essa.

domingo, 8 de março de 2009

parabens pra NÓS!!

Foto Luiz Fagundes

que tateamos na arte de sermos mulheres, e sabemos que é difícil e gostoso, pra ováaaaario!!!

alma gêmea distraida...

"Procuro alguém
Pra tomar conta do meu coração
Não necessita experiência..."
Um anúncio simples... Idéia do meu amigo Célio,
que resolveu apelar pra anúncio, por que como ele mesmo diz:
"Minha alma gêmea é tão distraída"...

Deve ser coisas de alma isso
A minha também, se perdeu de mim...
Até sei o que aconteceu...
Veio sem o meu endereço,
Achou que era barbada me encontrar...
Que ia ter letreiro luminoso
trilha sonora
Minha alma gêmea é confiante e crédula
quase infantil
Achou que se tivesse sol eu estaria no bric..
Na sombra de um jacarandá lilás... (e eles são muitos por aqui)
Pensou que se estivesse chuvoso
eu estaria num café, abraçando um xícara, com o olhar distante
(também existem muitos por aqui)
Colocou toalha xadrez e fez piquenique no meio do parque,
Apelou pra uma rede numa sombra,
Não me procurou em bares, mas
Caminhou cedinho da manhã no parcão,
Pensou me encontrar num show,
Entrou numa sessão de filme francês,
em várias salas escuras entrou em vão...
Achou que me reconheceria pelo cheiro
pelo brilho dos olhos
pela risada
Passeou na beira de uma praia deserta
Sentou debaixo da lua cheia
Agora mesmo deve estar vendo o pôr-do-sol
me esperando
Minha alma gêmea acredita em destino...

O sonho de valsa que trouxe pra me dar de presente
já derrete no bolso, já anoitece...e naaaaaaaaaaada!
Eu só espero sinceramente, que minha alma gêmea além de apaixonada e romântica, seja muito persistente
e não descanse enquanto não me achar...

os filmes assistem a gente...

Os livros lêem a gente, as músicas nos intrumentalizam, acho impressionante e bonito esse processo...Nada novo o que vou dizer, mas naquela sala enorme e escura e mágica, cada vida é tocada de um jeito, cada cena é ampliada por uma necessidade, cada efeito e sentido é único...

Sei disso há tempos, desde aquele filme (lembra Lu)que fui rever na casa de uma amiga, do qual ela só lembrava das calientes cenas de amor embaixo das pontes e eu da frase do pai, alertando a filha que aquele "homem caliente" tinha optado por outra vida no passado, quando poderia ter escolhido viver/viajar com ela.
Filha:Ele não escolheu, aconteceu..(Se referindo a uma gravidez supostamente indesejada que mudou todos os planos)
Ao que o pai sabiamente contesta: Quando não se tem coragem, é assim que se escolhe, deixando acontecer!

Mas o assunto, é Benjamin Button, pego o filme novamente querendo rever o encontro deles, que me tocou especialmente e o momento que a filha sabe, enfim ser fruto daquele amor e lê cartões postais lindos enviados a cada aniversário, que me emocionaram muitissimo e recebe do pai um conselho básico: viva de forma que possa se orgulhar e quando isso não estiver acontecendo, lembre-se nunca é tarde para recomeçar!

Ainda vou conseguir aquelas cenas pra colocar aqui, preciso lembrar disso todo dia, pode virar meu mantra, não desistir nunca de ser melhor, nunca culpar o tempo pro qualquer ação, covardia ou desistência.

Mas espantosamente comento com a minha amiga que assistiu o filme comigo, e ela não registrou essa cena...

Será que a gente assistiu o mesmo filme? Cheguei a me questionar...E conclui, foi o filme que nos assistiu e nos mostrou o que precisávamos ver, nos encaminhou ao labirinto, nos mostrou saídas particulares.


Tudo que nos toca a emoção, nos pega pela mão e nos leva pra passear, essa é a magia de todas as artes, inclusive a arte dos encontros.
É também a nossa maior escolha: se deixar levar, se deixar tocar...


Longo caminho...grande labirinto!

domingo, 1 de março de 2009

meu pátio



atrás da minha casa
havia um muro alto
cacos de vidro
urtigas alfaces aranhas
goiabeiras uma sanga
descobertas medos proibições
meu pátio
uma miniatura do mundo
meu exercício de vida

acreditei mais nos perigos
que nas possibilidades do outro lado
pouco me adocei com as frutas
não fui ao encontro do rio

se agora pudesse
catava vidros como pedras preciosas
colecionava aranhas
no lugar de alfaces plantava morangos
construia um barco
pulava o muro


ser livre

é mais gostoso que goiaba
também pode ter bicho
mas é muito mais divertido
que ficar atrás do medo