terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

os amores quando acabam...

Tenho nostalgia dos amores quando acabam, da velhice de mãos dadas que não viverão, das helenas e das claras tramadas em tarde quentes que jamais nascerão, tenho verdadeira pena desses amores abortados antes das bodas de prata, que cansam de se reinventar, pena das poesias que não mais inspiram e das inspirações que serão enterradas em armário e gavetas, tenho pena do alvoroço que já não provocam, pena das pernas que perambulam no silêncio descompromissado dos bares, pernas que ficavam melhor entrelaçadas, tenho nostalgia de intimidades que não foram atingidas, de desejos que dormirão insatisfeitos...

Sinto isso por todos os amores nos quais pressenti longevidade e me enganei.

Sou uma saudosa de um amor resistente, uma platônica do amor grande, maior que toda crise, uma pessoa que suspira com sonhos e imagens alheias, o amor por tabela também me alimenta, o amor que suponho me alarga a alma.

O amor que sonho sem conseguir perpetuar também me gera pena, mas uma piedade menor, por que imagino fruto da falta de jeito, nunca soube construir castelos, nem de areia nem de cartas, a ansiedade sempre colocou movimento excessivo nas mãos, muitas palavras na minha boca, e muitas delas não tem rima e nem resposta possível, achoque é por isso sobra espaço vago nos meus braços, falta eternidade nos meus projetos.

Assim amo os amores que enxergo, amo a persistência que imagino, terceirizo minha fantasia , projeto e antecipo um "felizes para sempre".

Mas os amores acabam, e alguns tão frágeis nem deixam vestígios.
Quando os finais chegam, uma criança em mim, desiste de continuar
esperando, uma criança em mim, descobre os presentes de natal no guarda-roupa e insiste na tristeza de não ter mais um Papai Noel pra esperar acordada espiando nas janelas...


Querido Papai Noel
Eu quero um amor beeeeeeeeem grande,
maior que eu de presente!!!!


6 comentários:

Ana Rita Gondim disse...

Senti-me confortável com suas palavras e a dor tornou-se menos desconfortável. Um delicioso abrigo para quem tanto sonhou e teve de rebobinar a fita e escondê-la em algum lugar.
P.S.: Descobri seu espaço no blog do Carpinejar!

Ana Rita Gondim disse...

Senti-me confortável com suas palavras e a dor tornou-se menos desconfortável. Um delicioso abrigo para quem tanto sonhou e teve de rebobinar a fita e escondê-la em algum lugar.
P.S.: Descobri seu espaço no blog do Carpinejar!

fale com ela disse...

Ah, o amor... tanto pode ser dito e cada um, ainda, vai sentir diferente.
Eu li qualquer coisa do Caio Fernando Abreu neste feriado que dizia mais ou menos assim: o amor, o amor... sossega coração que o amor não é para o teu bico.
Achei tão triste. Tão triste. Tão triste.
Mas te escrevo para te dizer que o teu texto é belo, já sobre o amor não ouso dizer nada.
Beijos

Nadia lopes disse...

Ah, Carmen
eu tive a sorte e o prazer de conhecer o Caio, até já escrevi sobre isso, te mando se quiser...Ele era triste, como qualquer pessoa profunda acaba sempre ficando, que os fundos são mais escuros...mas o amor, é pra todos os bicos, e nisso eu quero sempre acreditar!
beijo- bom retorno!!

fale com ela disse...

Eu quero sim, Nadia, me manda! Eu tenho uma paixão enorme pelo Caio. Apesar das suas tristezas, sempre expostas.
Eu falo porque acho bonito, porque li e tava fresco, mas também quero acreditar, e acredito, no amor. Beijo, querida.

marcelo disse...

Nádia querida! Lindo texto. Sinto a mesma coisa que tu. Uma certa nostalgia melancólica que nunca se apaga. Pode apenas diminuir ou ser esquecida por períodos mais longos de tempo. A gente tem que achar alguém que nos faça esquecer.