terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

no verde tentando ser e aprender...



Quando as situações me atingem frontalmente, para o bem ou para o mal, as palavras sempre me parecem falhas para descrevê-las, mesmo que eu sempre tenha a intenção de compartilhar as emoções, algumas eu sei, não conseguirei...
Digo isso por que gostaria de contar o TUDODELINDO que foi o Integria e a Oficina literária do Fabricio Carpinejar, sobre as delicias que a Maria Alice e o Esteban aprontam na cozinha, sobre a paz que sinto por lá, sobre o rio que me povoa de infancia, sobre as pessoas que conheci, olhei profundamente e abracei, sobre as palavras e a paixão da escrita acesas em todos nós pelo Fabro, sobre as risadas, a cumplicidade, as alegrias e as dificuldades que senti, sobre uma paixão platônica que relembrei e dormiu enroscada na minha lembrança desde lá, sobre uma Nadia de quem eu quero me reaproximar... o que eu posso dizer e não vai ser nem perto do que senti, é que esse tempo, me trouxe uma confirmação de que o caminho é mesmo esse...o caminho é tentar ser e aprender sempre, não se contentar feito girino nadando feliz em poça d'agua, é se enfrentar e se superar...de pés e coração descalços.

Só pra registrar, aqui vão as duas crônicas bem pequnenas feitas por lá:(saimos todos querendo mais)

Ela já estava na casa quando cheguei.
Amarela, dona do pátio, prepotente, me olhava distante e fria: A gata loira!
Foi nessa época que desenvolvi horror de gatos, ela era superior a mim no domínio, ela não trocava, não me queria ali, eu era a turista,ela a propriétária.
Tentei pratos de leite, servil como quem precisa ser aceita, cobertor, caixa pra dormir, cuidados e carinhos, aos quais ela virava as costas, gorda e impassível.
Cada dia mais insuportável, minha rejeição personificada.
Espiava seus movimentos e um dia soube, estava grávida; me acalentei com a possibilidade de filhotes frágeis e carinhosos.
Que nada, na manhã seguinte a uma noite de miados roucos, lá estava ela diabólica, ao lado de três cabeças de filhotes mortos.
Enquanto a gata loira foi levada embora num saco de estopa eu fiquei com o pátio inteiro pra mim e com a lembrança:
Mães podem devorar filhos!
Ainda bem que a minha era morena,tentei me convencer em vão...

********
Egoísmo é uma espécie de zumbido que fez trilha sonora á todos os meus domingos de infância: Rádio, jogo de futebol em rádio.
Diante de um pai absorto e fanático, eu ficava triste, revoltada e só.
Tentei torcer para o Internacional e ouvir algum sentido naqueles rituais gritados e vermelhos; eram tardes onde eu, na beira da mesa, catava migalhas de atenção e fingia vibrar sem abraço, por gols e títulos alheios.
Manga, Figueroa, Lula, Minelli...precisava gostar, esquecer ou participar, mas aquele rádio tonteando sempre ligado, me doía.
Resolvi, se a atenção não era mesmo possível, queria ao menos um domingo em silêncio; juntei a mesada, comprei um rádio pequeno com fones de ouvido e dei de presente para o meu pai.
Em troca ganhei um pai ainda mais distante, que agora parecendo débil, gritava os lances em voz alta e ria sozinho.
Penso agora, talvez não fosse egoísta aquele rádio de antes. Ele tentava compartilhar sua alegria, partilha impossível , já que nunca consegui perdoar aquele pai tão feliz e alheio a mim.
Egoísmo mesmo, foi o meu silêncio vermelho de raiva e torto como os dedos do Manga.

Um comentário:

Wania Victoria disse...

Oi, Nádia.
Depois daquele final de semana também tive a certeza que o caminho é este!
Não sei onde vai dar, mas é em frente e por aqui mesmo que eu vou!
Crie coragem e iniciei um blog.
Terei imenso prazer de receber a tua visita. Te espero lá.
http://encantaventos.blogspot.com/
PS: temos que repetir a dose, afinal ficou aquela vontade de quem come BIS, "impossível comer um só"! Beijos.