domingo, 25 de janeiro de 2009

ela já sabia
o quanto a vida
não previa ensaio
e já tinha abandonado
a estúpida prepotência
meso adolescente
de ter tudo sob controle
de ter a resposta certa
na ponta da língua
já tinha abandonado também
a urgência
e a sensação boba
de que alguém a preencheria
abandonou a busca insana
de si mesma em braços alheios
e os beijos de língua dispersos
e sem outro sentido
que não a satisfação bálsamo
que ela também já sabia
não vinha com sexo
e sim com entrega

já não era uma dor reconhecer
que a vida era um jogo
do qual ela desconhecia
as regras
falava com estranhos
e ria sozinha
e seguia as vezes com alívio
por estar seguindo
e não estar parada
feito poça d'agua
tinha desses orgulhos
de ser resistente
sobrevivente
de estar

em alguns domingos á noite
brindava a vida
mesmo sem ter nenhum controle
planejamento, técnica,estratégia
ela se sabia vencendo
a si mesma
o que já é muito
o que talvez seja tudo
ela já se sabia
e nenhum personagem cabia
nessas horas de sossego e lua
ela se queria exatamente
assim como havia sido

sossegada
dormia abraçada
na paz de ser/estar inteira....

2 comentários:

Luciane disse...

Lindo, Nadia, lindo...
"...tinha desses orgulhos
de ser resistente
sobrevivente"
E nada como se perceber inteira, e se bastar, ainda mais num domingo à noite.
Beijos com minha admiração!

Anita Félix disse...

..chega a faltar o ar...lindo lindo..mas lindo do tipo mais sufocante..
surpreendente vir aqui e ver linhas que penso...enfim....
Beijos!