segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

arsenal de luz...

Tenho um amigo brilhante que afirma: confiança e virgindade só se perdem uma vez...
E o Caio Fernando Abreu que sempre foi meu escritor-Gêmeo diz igualmente com brilho: “nós podemos passar a vida inteira sem ver, mas a partir do momento que espiarmos, nunca mais seremos os mesmos”.
Ando convivendo com relações que se rompem longos casamentos que sucumbem, projetos que perdem a validade, confianças perdidas e irrecuperáveis e sou obrigada a pensar: será que adiamos esse espiar para preservarmos nossa ingenuidade e tranqüilidade? Ou será que como bem diz a filosofia oriental: “o mestre só aparece quando o discípulo está pronto”?
O fato é que é sempre com muita dor e despreparo e dúvida que damos por encerrado e frustrado um sonho.
Apego, diriam os budistas, e concordo que este é um grande mal do homem.
Orgulho, outro grande mal, diriam os mais elevados.
Infantilidade suponho no melhor sentido dela.
Acredito que uma parte crédula da nossa alma, armazena um arsenal de fé, certeza e desejo aceso que trazemos intactos desde a infância, o que nos serve de gerador de força e luz.
É assustador perceber que estamos maculando nosso depósito, e á cada projeto malogrado, á cada relação falida, á cada injustiça sofrida, á cada realidade brutal, nosso arsenal sofre uma ruptura e por ali, esvaímos e perdemos essência.
Por isso os pontos finais são tão difíceis, por que não se perde só um ou outro desejo, uma que outra relação, perde-se leveza, perde-se espontaneidade, perde-se o prazer de acreditar, perde-se nossa criança!
Já que ainda é janeiro, e resolvemos que tudo começa, quero desejar que esse mundo tão duro, não nos endureça que esse tempo tão estressado, não nos enlouqueça que nossos arsenais de infância sejam mais resistentes e poderosos que os golpes futuros, e que a gente enxergue o que for preciso, sem jamais perder a virgindade do olhar e a confiança.
“A força e a felicidade são qualidades da alma” que em 2009 a gente acredite e brilhe!


Foto Vicente Sampaio

Um comentário:

Luciane disse...

“nós podemos passar a vida inteira sem ver, mas a partir do momento que espiarmos, nunca mais seremos os mesmos”.
Que lindo esse post, Nadia. Acho que um dos maiores aprendizados da vida é saber perder. Escolher. Abrir mão. Ver relações terminando, pessoas mudando, rotas se alterando. Isso dói porque quebra com nossa onipotência de acreditarmos que somos totalmente donos do nosso destino. Até somos, mas isso não significa que não tenhamos que fazer duras escolhas nesse caminho e eque pessoas que nos sõa caras podem optar por outro. Como isso é duro, mas como aprendemos. E como outras novas pessoas sempre surgem. Sim, ainda é janeiro, ainda é só 2009, ainda temos o mundo a nossa espera! :)
Beijos cheios de luz para o teu arsenal!