terça-feira, 29 de dezembro de 2009

no primeiro dia de 2010...

NO PRIMEIRO DIA DE 2010
desejo uma manhã azul que inspire vôos...
sonhos, planos e realizações felizes...
DESEJO UMA ESPERANÇA NOVINHA!
DESEJO momentos de perder o folego,
coração latente,
noites de conversa,
poesia,
luas,
amigos,
risadas,
vontades e sonhos acesos!

Desejo á todos os meus amigos: um amor e uma vida pra acreditar.
Que o melhor de 2009 se repita e 2010 seja MAIOR&MELHOR do que possamos sequer imaginar...
UM BRINDE Á VIDA!!!

domingo, 27 de dezembro de 2009

Cantiga de ninar esperança

Nessa época do ano
preciso levar
minha esperança pra passear...
quando a esperança
cansa de reacreditar
levo ela ao mar...

Minha esperança
precisa construir castelos de areia
e se jogar na agua
pra se refrescar
feito criança
precisa ficar exausta de tanto brincar...
pra depois ficar calma
dormir no meu colo
e voltar a sonhar...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um presente de Natal de Marcelo Canellas

"Estou ainda com uns presentes atrasados. Não me resta alternativa que não seja a de me imiscuir em um shopping, acuado e tonto feito um cão perdido. O ar condicionado não dá vazão, e Papai Noel sua em bicas distribuindo balas ao enxame de moleques que o cerca na entrada do cinema. Fujo da algazarra, mudo de corredor. Em vão. Todas as lojas estão apinhadas. Minha vantagem é que já sei o que quero, e entro na fila para ser atendido. Uma senhora pisa no meu pé e ainda fica brava porque eu estou atrapalhando.

Fecho os olhos, conto até 10, e aí ocorre o improvável: em meio ao zunzum infernal do pregão dos vendedores, distingo o timbre feminino de uma voz conhecida. Uma luz no caos, como se a frase fosse posta com a mão dentro do meu ouvido. E foi apenas um agradecimento, uma gentileza protocolar depois da compra, algo assim como “muito obrigado, e um feliz Natal” e só. Mas o sotaque da minha cidade estava ali e, junto com ele, toda uma carga de memória afetiva que despertara de um sono imemorial.

Viro-me apenas para confirmar; era ela mesma. Ao me ver, sorriu. Aproximou-se, mostrando uma surpresa algo constrangida. Talvez estivesse puxando o fio do passado para tentar chegar até mim. Então, exitosa, falou o meu nome. E eu falei o dela. Nos abraçamos e olhamos demoradamente um para o outro, e de cima a baixo, como se buscássemos vestígios de nossa adolescência em nossos corpos maduros.. Quanto tempo? Talvez não nos víssemos há uns 25 ou 30 anos. Falamos de filhos, de nossos casamentos, de nossas carreiras. Que loucura, como o tempo passa. Pois é. Pois é. Ficamos meio bestas, felizes pelo encontro casual, e um pouco tristes também porque o mundo é cheio de hiatos, de rupturas involuntárias, de momentos perdidos talvez.

O espaço entre a última vez que nos vimos e o reencontro no shopping foi um oco de décadas em nossa convivência, e é de se espantar que o afeto percorra o vácuo do tempo e retome o ponto onde parou. A ideia de não vê-la mais me pareceu absurda. E só então percebi que estava retomando uma amizade verdadeira. “Minha querida”, “meu querido”... Fomos emendando interjeições banais como a dissipar um pouco do choque benigno desse milagre de que os seres humanos são capazes, o de se ver no outro mesmo depois de uma vida de desencontros. Foi meu grande presente de Natal."


Espero que este Natal encha vocês desse tipo valioso de presente: de encontro, afeto, abraço, reencontro, beijo, esperança em tudo que ainda há pra se fazer, um ano iluminado e MUITO MELHOR PRA VIVER!!!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

o ano termina e nasce outra vez...

Grande texto meu amigo Marcelo, postou ao fazer um relato emocionado do ano e tudo que viveu (Fim de ano à John Lennon!), ao lê-lo fiquei querendo fazer a minha própria retrospectiva, segue minha tentativa.

Está indo o ano e ele passou tão rápido que parece ter me atropelado, deve ser por isso a sensação dolorida e sem muito sentido, mas não quero falar de dores e reprisá-las, quero lembrar o depois de todas elas, que uma dor sempre tem depois e o depois sempre traz um grande aprendizado.

Esse ano ímpar me deixou órfã, levou meu pai e a sensação de que juntos éramos mais forte e poderíamos resistir. Ele não resistindo me tira metade da força e me acrescenta um pouquinho mais de sensação de abandono, mesmo assim me obriga a continuar e viver ainda melhor e consciente, com o auxílio e benção de um novo anjo da guarda.

Em 2009 sobrevivi e renasci profissionalmente abandonando um projeto de mais de 15 anos e que já estava há muito defasado (demoramos a admitir que as mudanças sejam necessárias, demoramos o tempo de adquirir força e coragem), pois entrei janeiro saturada e cutucando forças suplementares/coragem/necessidade abandonei um projeto de validade vencida em prol de outro novo e meu (nosso) e que termina o ano com saldo positivo e com três sócias parceiras e sorridentes. Ter um negócio próprio em plena crise parecia uma loucura, pois não demos bola pro medo e podemos dizer que as mudanças são fundamentais e necessárias, principalmente no meio do caos.

Ao amor que por falta de jeito, receio de inabilidade e medo havia fechado o coração, voltei inteira, voltei com saudade, voltei com sede de semente que não morreu e renasce verde e colorida. Voltei com saudade de ninho e aconchego, voltei tentando vencer o receio da intimidade, da exposição, da entrega. Mesmo que vez ou outra reprise idiotices sabe que sou melhor, muito melhor amando do que cercada de descrença.

Neste ano ganhei uma filha adolescente, de uma hora pra outra e é bem essa a sensação, minha filha cresceu e começou a me olhar não só com admiração, muitas vezes com aquela crítica velada que faz a adolescência ser um momento tão difícil e solitário. Tento vencer isso dia-a-dia conversando, abraçando, vendo filmes e me colocando a disposição, sendo mãe simplesmente e tirando do meu ombro a obrigação de ser sempre especial, que agora percebo era uma cobrança interna e minha.

Fiz viagens muito gostosas, pro Rio com minha filha, pro sertão de Alagoas com meu amor, Curitiba, Gramado, Garopaba, Floripa, etc... todas deliciosas e plenas o que me faz entrar 2010 com muita vontade de ter mais tempo pra sacudir a alma no sol que é a exata sensação que viajar me dá.

Tive alguns prazeres bem curtidos como um workshop com o Carpinejar num lugar lindo num final de semana tranqüilo que me deu vontade de saber escrever e ter tempo, dedicação e espaço para as minhas prioridades. Termino o ano com uma oficina literária concluída e a sensação de dever não cumprido, escrever apesar de delicioso e terapêutico não foi o ponto alto de 2009.

Livrei-me de um computador grande optando pela leveza de um note, no canto da sala onde o “trambolho” morava há algum tempo, plantei verdes que nascem sorridentes e com os quais aprendi a conversar.
Plantei flores na minha micro-sacada e assim me garanto cor diária e a certeza de que a natureza enlouqueceu; as 11 horas que a vida inteira só abria às 11 horas, hoje abrem á qualquer hora do dia ou da noite, lindas e "destrambelhadas".

Comprei sofás gordos que permitem recostar e estender as pernas, e com isso os cinemas perderam uma assídua freqüentadora. Fazemos sessões de cinema e pipoca, cinema e vinho, shows na intimidade, ganhamos muito mais prazer e proximidade com esses sofás.

Doei um armário antigo lotado de lembranças antigas, sentei e revisei meus lixos, guardei algumas lembranças e palavras que ainda precisavam ficar e fiz lixo seco do resto.

Perdi, ganhei, aprendi, repeti, me diverti, chorei, abri espaços, plantei, me desfiz, resgatei, doei, recomecei, reciclei, me dei presentes e prazeres, parei de esperar, parei de me cobrar uma postura especial e muitas vezes irreal, mais fiz do que esperei, mais falei do que calei, mais senti do que ressenti, plantei, colhi, vivi e por isso posso entrar 2010 com alguma leveza e com o desejo genuíno de conseguir fazê-lo um ano par.

Será um ano, como esse restinho foi, lotado da saudade boa do meu pai, mas um ano novo pra continuar tentando ser melhor, ser sem medo e assim ser feliz!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Por um 2010 sem repetições banais!

Gosto imensamente do texto abaixo e coloco aqui, por que o Natal mais uma vez veio mais rápido do que o esperado, tenho total consciência que a culpa é minha, de estar vivendo repetidamente e sem fortes registros...Apreciem o texto e MUDEM!!!(eu juro que também vou tentar!)

A mente apaga registros duplicados
Por Airton Luiz Mendonça

O cérebro humano mede o tempo por meio da observação dos movimentos.
Se alguém colocar você dentro de uma sala branca vazia, sem nenhuma mobília, sem portas ou janelas, sem relógio.... você começará a perder a noção do tempo.
Por alguns dias, sua mente detectará a passagem do tempo sentindo as reações internas do seu corpo, incluindo os batimentos cardíacos, ciclos de sono, fome, sede e pressão sanguínea.
Isso acontece porque nossa noção de passagem do tempo deriva do movimento dos objetos, pessoas, sinais naturais e da repetição de eventos cíclicos, como o nascer e o pôr do sol. Compreendido este ponto, há outra coisa que você tem que considerar:
Nosso cérebro é extremamente otimizado.
Ele evita fazer duas vezes o mesmo trabalho.
Um adulto médio tem entre 40 e 60 mil pensamentos por dia.
Qualquer um de nós ficaria louco se o cérebro tivesse que processar conscientemente tal quantidade.
Por isso, a maior parte destes pensamentos é automatizada e não aparece no índice de eventos do dia e portanto, quando você vive uma experiência pela primeira vez, ele dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo.

É quando você se sente mais vivo.

Conforme a mesma experiência vai se repetindo, ele vai simplesmente colocando suas reações no modo automático e 'apagando' as experiências duplicadas.
Se você entendeu estes dois pontos, já vai compreender porque parece que o tempo acelera, quando ficamos mais velhos e porque os Natais chegam cada vez mais rapidamente.
Quando começamos a dirigir automóveis, tudo parece muito complicado, nossa atenção parece ser requisitada ao máximo.
Então, um dia dirigimos trocando de marcha, olhando os semáforos, lendo os sinais ou até falando ao celular ao mesmo tempo.
Como acontece?
Simples: o cérebro já sabe o que está escrito nas placas (você não lê com os olhos, mas com a imagem anterior, na mente); O cérebro já sabe qual marcha trocar (ele simplesmente pega suas experiências passadas e usa , no lugar de repetir realmente a experiência).
Ou seja, você não vivenciou aquela experiência, pelo menos para a mente. Aqueles críticos segundos de troca de marcha, leitura de placa são apagados de sua noção de passagem do tempo.
Quando você começa a repetir algo exatamente igual, a mente apaga a experiência repetida.
Conforme envelhecemos as coisas começam a se repetir - as mesmas ruas, pessoas, problemas, desafios, programas de televisão, reclamações, -.... enfim... as experiências novas (aquelas que fazem a mente parar e pensar de verdade, fazendo com que seu dia pareça ter sido longo e cheio de novidades), vão diminuindo
.

Até que tanta coisa se repete que fica difícil dizer o que tivemos de novidade na semana, no ano ou, para algumas pessoas, na década.
Em outras palavras, o que faz o tempo parecer que acelera é a... ROTINA


A rotina é essencial para a vida e otimiza muita coisa, mas a maioria das pessoas ama tanto a rotina que, ao longo da vida, seu diário acaba sendo um livro de um só capítulo, repetido todos os anos.
Felizmente há um antídoto para a aceleração do tempo: M & M (Mude e Marque).
Mude, fazendo algo diferente e marque, fazendo um ritual, uma festa ou registros com fotos.
Mude de paisagem, tire férias com a família (sugiro que você tire férias sempre e, preferencialmente, para um lugar quente, um ano, e frio no seguinte) e marque com fotos, cartões postais e cartas.
Tenha filhos (eles destroem a rotina) e sempre faça festas de aniversário para eles, e para você (marcando o evento e diferenciando o dia).
Use e abuse dos rituais para tornar momentos especiais diferentes de momentos usuais.
Faça festas de noivado, casamento, 15 anos, bodas disso ou daquilo, bota-foras, participe do aniversário de formatura de sua turma, visite parentes distantes, entre na universidade com 60 anos, troque a cor do cabelo, deixe a barba, tire a barba, compre enfeites diferentes no Natal, vá a shows, cozinhe uma receita nova, tirada de um livro novo.
Escolha roupas diferentes, não pinte a casa da mesma cor, faça diferente.
Beije diferente sua paixão e viva com ela momentos diferentes.
Vá a mercados diferentes, leia livros diferentes, busque experiências diferentes.
Seja diferente.
Se você tiver dinheiro, especialmente se já estiver aposentado, vá com seu marido, esposa ou amigos para outras cidades ou países, veja outras culturas, visite museus estranhos, deguste pratos esquisitos... em outras palavras... V-I-V-A. !!!
Porque se você viver intensamente as diferenças, o tempo vai parecer mais longo.
E se tiver a sorte de estar casado(a) com alguém disposto(a) a viver e buscar coisas diferentes, seu livro será muito mais longo, muito mais interessante e muito mais
v-i-v-o... do que a maioria dos livros da vida que existem por aí.
Cerque-se de amigos.
Amigos com gostos diferentes, vindos de lugares diferentes, com religiões diferentes e que gostam de comidas diferentes. Enfim, acho que você já entendeu o recado, não é?

Boa sorte em suas experiências para expandir seu tempo, com qualidade, emoção, rituais e vida.

E S CR EVA em tAmaNhos diFeRenTes e em CorES
di fE rEn tEs !

CRIE, RECORTE, PINTE, RASGUE, MOLHE, DOBRE, PICOTE, INVENTE, REINVENTE... V I V A !!!!!!!!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Falsa intimidade por Martha Medeiros

" Invadir a privacidade alheia é moleza. Raro é ter acesso ao mundo interno em que o outro habita
Fala-se muito sobre as frágeis relações amorosas de hoje, tão afetadas pela urgência de satisfazer desejos imediatos, pelas inúmeras possibilidades de contato instantâneo e pela pouca durabilidade dos sentimentos. Me pergunto: onde está o furo dessa história? O que perdemos no meio do caminho? Talvez nem tenhamos perdido, talvez simplesmente nunca tenhamos encontrado aquilo que só a poucos casais foi dado viver e que os mantém unidos a despeito de toda a artilharia.

A maioria, hoje, vive suas relações afetivas e sexuais de forma periférica. Contenta-se com cama, orgasmos e satisfação dos instintos. Isso somado a um cineminha, uma escapada no feriadão e um almoço em família configura uma privacidade compartilhada, e é o que basta para confirmar que a relação existe, seja ela chamada de rolo, namoro ou mesmo casamento.

Ainda me pergunto: onde está o furo da história? Por que essa privacidade compartilhada não se sustenta por muito tempo, não satisfaz 100% e gera tantas frustrações?

Com a possibilidade de acesso virtual a uma variedade de candidatos a grande amor e de seus cadastros (idade, profissão, time, fetiches), entrar na privacidade dos outros ficou muito fácil. Porém, em proporção inversa, perdeu-se a noção do que é intimidade, algo que nem mesmo algumas relações duradouras conseguem atingir.

Intimidade não se externa, não se divulga, não se oferece na internet. É nosso bem mais secreto, é onde guardamos a chave do nosso mistério, das nossas dores, das nossas dúvidas, da nossa emoção genuína. Não se compartilha isso com outra pessoa se ela não tiver sensibilidade suficiente para nos ouvir e entender, para nos aceitar e nos acrescentar, para nos respeitar e ofertar em troca sua própria intimidade, selando a partir daí um tipo de pacto que beira o sublime.

Essa intimidade requer confiança plena, compatibilidade na maneira de enxergar o mundo e nenhum instinto maléfico em relação ao outro. Intimidade é quando duas pessoas, mesmo distantes em espaço, estão profundamente unidas porque se reconhecem cúmplices, não competem pela razão. Claro que a intimidade não consegue evitar ciúmes e conflitos de ideias, e tampouco se pretende que ela acabe com a solidão de cada um, que é sagrada, mas ela assegurará a longevidade de uma união que será estabelecida pela generosidade do olhar: se estará mais preocupado em enxergar a alma do outro do que em fiscalizar para onde ele está olhando.

Amigos conseguem essa magia mais do que muitas duplas românticas, que frequentemente se enganam a respeito da falsa intimidade que o sexo faz supor. Invadir a privacidade alheia é moleza, basta um torpedo, um telefonema, um encontro. Mas ter acesso ao mundo interno que o outro habita e sentir-se à vontade nesse mundo é que torna tudo mais raro, mais mágico e mais eterno."


Acabo de receber esse texto de uma amiga e também quis compartilhar com vocês!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

colheita

Quando me faltam palavras pego minha caixinha de frases, sacudo e tiro de lá uma máxima pro dia...a de hoje:

"A gente colhe o que semeia
não tente colher morangos
se só plantou aveia"
(Ilá Zita Northfleet)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

12 conselhos para um infarto feliz - Dr Ernesto Artur

1. Cuide de seu trabalho antes de tudo. As necessidades pessoais e familiares são secundárias.

2 Trabalhe aos sábados o dia inteiro e, se puder também aos domingos.

3. Se não puder permanecer no escritório à noite, leve trabalho para casa e trabalhe até tarde.

4. Ao invés de dizer não, diga sempre sim a tudo que lhe solicitarem.

5. Procure fazer parte de todas as comissões, comitês, diretorias, conselhos e aceite todos os convites para conferências, seminários, encontros, reuniões, simpósios etc.

6. Não se dê ao luxo de um café da manhã ou uma refeição tranqüila. Pelo contrário, não perca tempo e aproveite o horário das refeições para fechar negócios ou fazer reuniões importantes.

7. Não perca tempo fazendo ginástica, nadando, pescando, jogando bola ou tênis. Afinal, tempo é dinheiro.

8. Nunca tire férias, você não precisa disso. Lembre-se que você é de ferro.

9. Centralize todo o trabalho em você, controle e examine tudo para ver se nada está errado.. Delegar é pura bobagem; é tudo com você mesmo.

10. Se sentir que está perdendo o ritmo, o fôlego e pintar aquela dor de estômago, tome logo estimulantes, energéticos e anti-ácidos. Eles vão te deixar tinindo.

11. Se tiver dificuldades em dormir não perca tempo: tome calmantes e sedativos de todos os tipos. Agem rápido e são baratos.

12. E por último, o mais importante: não se permita ter momentos de oração, meditação, audição de uma boa música e reflexão sobre sua vida. Isto é para crédulos e tolos sensíveis.

Repita para si: Eu não perco tempo com bobagens.

Recebi hoje esse e-mail e mandei rapidinho para todas as pessoas que eu quero que permaneçam perto de mim.
Numa atitude protetora e totalmente egoísta, eu espalhei os conselhos que me pareceram óbvios e básicos, como costumam ser as verdades.
Eu não quero perder ninguém de forma tão estúpida.
Viver com a sensação de eternidade ou negar nossa responsabilidade por nossos atos é tão humano que chega a ser banal, vivemos fazendo isso e muitas vezes o que esse e-mail me lembrou, morremos fazendo isso.

Uma vez morreu uma pessoa que eu conversava por telefone e e-mail, e que me parecia muito legal. Era diretor financeiro de uma agência de publicidade, sobrecarregado,falava rápido, era tão estressado, que chegava a ser engraçado na loucura diária dele e vez ou outra ele mudava o clima e dizia: já te contei que vou embora? Vou morar numa ilha sem luz elétrica um paraíso sem conexão com o mundo, já pensou? Um lugar sem prazo, sem conta, sem cliente e sem buzina.Uhuuuuuuuuu!!!
Ríamos dessa possibilidade e desligávamos o telefone para tratar de algum novo problema.
O fato é que o Rubem, deve ter ido pra ilha, por que no meio do expediente de sexta, antes de fechar o dia ele teve o tal do infarto. E não cheguei a conhecê-lo.

Na época perdi dois amigos, um bem próximo e o Rubem, que por alguma razão eu sabia que poderia ser meu amigo e não tivemso tempo pra isso.
Então escrevi: Às vezes leio sobre algumas pessoas que morreram, de uma hora pra outra, sem nenhum aviso prévio, sem nenhuma doença, estavam ali vivendo bem, saudáveis e de repente, não estavam mais e penso imediatamente que se essa pessoas era quem cuidava das contas de uma empresa, no outro dia alguém estará fazendo isso, se era quem assinava os cheques, no outro dia haverá nova assinatura, a vida vai preencher o espaço da “pessoa jurídica” e o tempo vai alentar a dor da perda da “pessoa física” e vai seguir o baile. Com saudade, com falta, as pessoas continuarão tentando viver simplesmente.Simples assim...

Viver é absolutamente frágil!

Meu amigo morreu, as pessoas morrem o tempo inteiro, mas só quando alguém muito próximo se vai, paramos pra pensar nessa estupidez que é viver como se fossemos imortais, aliás não por coincidência, no orkut dele está a frase do Philip Roth: "Você continua sendo imortal enquanto vive."
A questão é que essa pseudo-imortalidade, nos tira a convicção do atos, nos tira a emoção das declarações, nos faz adiar com facilidade decisões, nos garante uma leveza forjada ao nos despedirmos das pessoas, mesmo com palavras não ditas, um descompromisso infantil de quem tem todo tempo do mundo pra arrumar qualquer estrago, deixamos pra viver depois, pra viver no futuro, exatamente lá, onde nada existe...(existe?)

PS - Torço que exista o depois, e seja a tal ilha do Rubem...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

no meio caos...

Por que chove, de novo e muito e por que o céu há pouco ficou tão escuro que trouxe de volta os alagamentos, os tornados e as perdas totais.
E por que um olhar atravessou minha zona de conforto, sacudiu minha estabilidade e me fez encarar essa calamidade de frente.
Sou privilegiada, longe de rios e dos morros, no meio dessa cidade grande e com escoamentos funcionais.
Minha casa está segura grudada em outras casas, meu telhado não voará, grudado que está com o andar de cima, morando no segundo andar estou livre das enchentes, mas são tantos os desabrigados que choram suas perdas diariamente no jornal, que a realidade me assaltou e hoje não consigo falar amenidades, nem olhar unicamente pro meu umbigo.

O olhar perdido daquela mulher em silêncio me calou fundo:
a esperança encharcada
ficou perdida
junto dos entulhos
foi levada
com a enxurrada
voou
e não volta mais
no meio do caos
nada resta
nada...
nem lágrimas...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

o medo de amar...

"...Você ama tanto que pode perdoar tudo e foi isso que te assustou...Eu já passei por isso e fiquei assustado pra caramba também: E se ela me magoasse? E se ela me deixasse? E se ela morresse? Seria o fim pra mim, então eu fugi no começo, antes que isso acontecesse...e quer saber? Esse foi o maior erro que cometi na vida..
Você tem que se arriscar, se arrisca!
Eu não fiz isso e olha pra mim, sou vazio, solitário, um trapo humano...Isso não significa que você não vai se magoar, mas eu te garanto, qualquer dor que você sentir, nunca,nunca vai se comparar ao arrependimento por ter desistido do amor. E pra alguém que já sentiu os dois acredite, a dor aparece todos os dias da semana e nos domingos é muito pior...Não foge dele, não faz isso..."


Até no mais açucarado filme de sessão da tarde (Minhas adoráveis ex-namoradas) me emociono e acredito que existe verdade...

Não tenho nenhuma dúvida, o medo é a antítese do amor, muitas vezes fará o passo atrás ser maior( mais seguro?) que o pulo, fará desistir antes de uma suposta rejeição, de um suposto não, o medo ocupando o lugar do amor, será sempre uma pena...

Eu disse que eu era uma romântica incurável, então mais uma provinha!

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

amor como antigamente...






Só ontem finalmente conheci o amor quase impossível de Bella Swan e Edward Cullen, a adolescente apaixonada no auge dos seus 17 anos, pelo vampiro igualmente apaixonado no auge dos seus 109 anos, com carinha de 18.
Pra quem não sabe, estou falando dos filmes Crepúsculo e Lua Nova, adaptados dos livros que viraram best-seller e são literalmente devorados por milhares de jovens pelo mundo todo.

Aquelas dificuldades todas vividas pelos dois e o amor de querer morrer um pelo outro me lembrou Romeu e Julieta (sorry Shakespeare?) ou os românticos da linha Alvares de Azevedo, fatais, intensos e quase doentios definhando de amor, mas o fato é que A-D-O-R-E-I isso!

Adorei ver que o amor ali mostrado é o bom e velho amor romântico de antigamente e se tem algo que merece ser comemorado, é que essa mesma geração que suspira e torce pelo amor dos dois, é a geração que estabeleceu o Ficar como ato natural, beijando bocas sem nem saber o nome das bocas e sem uma intenção/paixão/platonice anterior ou posterior.(O que para meu romantismo é lamentável!)

Bom, pode ser só mais um romantismo meu, mas estou torcendo que Bella x Cullen tragam de volta a vontade de construir laços, relações e intimidades.
Espero que esse amor esquisito e difícil desperte acima de tudo um desejo real de beijos e amores inteiros.

Ps- será que serei pra sempre essa espécie romântica incurável? Amém!

sábado, 28 de novembro de 2009

mexendo no passado

Lá no ultimo espaço que resta, a dispensa, me aguarda o passado que resistiu a algumas mudanças, por piedade ou apego.
As lembranças que permaneceram silenciosas por tanto tempo, devem temer meu veredicto.
Me aguardam poesias e já nem lembro que emoção que as provocaram, fotos de outros tempos, cadernos rabiscados, hora da faxina...
Estou disposta a limpar terreno, hoje estou achando quase tudo, lixo seco.
Pego um caderno muito antigo e tento adivinhar folheando o que registrei ali.
Antes do blogs, eu tinha diários, que foram substituídos ao morar sozinha por cadernos sem chave, ninguém me leria a menos que eu permitisse.
Por que será que me permiti tão exposta? Penso no meu blog-diário e não acho resposta.
Uma poesia com letra quase adolescente, ali perdida, me lembra:

Ah, essa dificuldade
que torna vago
o gesto apaixonado
que torna muda
a palavra e a vontade
que já não brinca´
por que está cansada
que já desiludiu
até perder a conta
que quer e mente
por que vê perigo
e deixa a vida
sem nenhum sentido
tornando amargo
o que devia ser doce...

e mais adiante, como um toque de Iching, uma outra poesia toda rasurada:

lavar com confort
o corpo
com omo
lavar a alma
deixar de molho
a cabeça
com q-boa
pra clarear
amaciada-branca-alva
podia recomeçar...

Guardo o caderno e respiro resignada,emoções e passado orgânicos demais pra que eu tenha pretensão de me livrar deles num saco de lixo seco.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

terça-feira, 24 de novembro de 2009

da resistência...

sou dessas
que trocam resistências
e fazem furos nas paredes
e
aprendi tudo isso
por querer
me provar
independência...

tantas outras atitudes
simbólicas e extremas
que insisti em fazer
por querer me provar...

tão boba...

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

simples assim...

Meu amigo Marcelo, fez um desabafo emocionante lá no seu blog.
chamado Desabafo sobre a cegueira que eu aconselho seja lido inteiramente, mas parte eu trago aqui:

“... Diversas vezes me enganei. Escolhi as vendas, as peneiras e lentes no fundo dos bolsos, oferecendo jeitos para contornar. Muitas portas eu selei. Tetos desabaram. Já fingi doenças, descolamentos, fraturas, inventei dores para fugir dos nãos. Tornei-me escravo do meu próprio disfarce de vítima, virei ele. Me senti traído por essas mesmas criações.

Não posso mais reparar as ligações não atendidas, devolver os discos, curar as esperanças decepcionadas, recolorir as flores perdidas nos livros, beijar o beijo nunca roubado, enfim, refazer o que abandonei em mim por medo.

Assim foi metade do meu coração.”


Lendo percebo o quão demasiadamente humano é ter medo e hermeticamente se fechar e se justificar por qualquer não-ação, encolhendo ombros e vontades, adiando decisões e passos, fechando a boca e o coração pra demonstrações que possam nos parecer perigosas tamanha a exposição.
O quanto podemos não fazer, para não escancararmos nossa suposta incompetência, nossa fragilidade, para não nos encararmos.
Será que somos assim tão incompetentes ou frágeis? Será que somos tão incapazes?
Hoje está me parecendo que somos drásticos e isso é inegável.
Somos juízes ferozes de nós mesmos, o nosso ISO 9000 é extremamente exigente com o produto interno, assim sofremos um controle de qualidade bárbaro (de barbárie mesmo), com tudo, que por ventura saia de nós... E fatalmente temerosos não deixamos que nada saia.
Seria um medo gerando mais medo e paralisia.

Triste a sensação da metade do coração que se perde sonegada ou sufocada por aí...nesses processos humanos.

Talvez por que chova tanto e no meio desse cinza externo, eu não esteja querendo remexer minhas culpas, nem provocar dores extras ou por que as quintas-feiras me deixem sempre um pouco mais leve, pensei o seguinte: Vai ver o que se perde é uma necessidade...Não que eu goste da idéia de amor de metades, mas talvez só quando a gente se perceba e se permita meio coração, sem a prepotência do inteiro, haja espaço pra se refazer em amor...quem sabe!?

Gostei de pensar o coração, a alma ou sabe-se lá onde as emoções ficam armazenadas, não como um lugar estanque, não como um cofre ou uma caixa preta ou mesmo como um órgão que possa ser partido/perdido sem volta, mas como essas massas de modelar da infância, que vão sendo acrescida de cor e forma, que vão se mesclando e se ampliando nos toques; quando e se por ventura adquirirem aquele tom verde cinzento é sinal de que já foram bem tocadas ou que perderam a validade, simplifico demais?

Quero crer que as cores e os formatos são variados e sempre poderemos pegar novo conjunto de cores e continuarmos a brincadeira.
Viver é querer continuar com a mão na massa!!!
Simples assim!

terça-feira, 17 de novembro de 2009

da minha janela


eu tenho essa janela
com venezianas
onde espio o mundo

por trás das minhas costelas
ainda menina
seguro meu coração
entre as mãos

muda e apreensiva...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

inspiração no olhar alheio II...

Foto Vicente Sampaio
Em preto&branco
a tua infância roubada
teu coração virando pedra
quem me dera
acender cor e esperança
nos teus olhos

onde foi parar
o teu direito
a ser criança?

inspiração no olhar alheio...

fotos Marcelo Leães

Nessa travessa
mora a solidão
na casa da esquerda
sem cortinas nem flores
vez ou outra
principalmente quando chove
quem reaparece
é a nostalgia
são vizinhas de porta
sem nenhuma intimidade
já que ambas não sabem
(nem querem)
fazer amigos...


Permanecerá a janela lascada
a imagem transfigurada da rua
da chuva e das cores
manter esse naco de transcendencia
garante visão distorcida e ampliada
nem aí pro feng shui
que me pede ordem
e lixo
pra tudo que não mais uso
continuarei a usar o enviesado
o machucado da janela
pra lembrar
tudo que em mim também rachou
e me deu para sempre um novo olhar

mantenho fielmente
todos os meus próprios cacos
meus sonhos que perderam a forma
e alimento com sorriso
o prisma filtrado
que ganhei na dor/a cor...

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

éramos nove!

fui criada entre mulheres
ruidosas nas frivolidades
e silenciosas nas dores
mulheres que faziam enxovais
e bordavam principes
mulheres com vocação de espera
que aprendiam desde sempre
a calar discordâncias
engolir desprazer
e a sonhar como escape
fui criada entre mulheres
mudas pra gritos e revoltas
cegas pra outras possibilidades
fui criada entre mulheres
ensinadas a confundir bondade
com submissão
que julgavam feio sentir
choravam escondidas
choravam cortando cebolas
e caprichavam nos molhos
para engolir mais tarde
o desprezo de seus homens
com seus olhares ocupados
distantes, distraídos

minhas oito irmãs
casaram
tiveram filhos
e cumpriram religiosamente
todos os rituais cor-de-rosa
se são felizes?
não sei, não sabem...

quanto a mim

fiquei avessa
aos temperos,
aos toques
e as esperas...

me emocionei...

E compartilho com vocês..."E descubro que, desde a infância, sua verdadeira profissão é esperar, como a de todos nós. Ele continua me esperando. Continua esperando ser chamado, notado, percebido, amado."

A ultima coluna do Fabricio Carpinejar DEVE ser lida, o endereço do blog www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br

E meu voto pra fato literário está mais do que aberto.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

leveza é o que merecemos...


Um poeminha pra deixar leve a manhã...
" No fim tu hás de ver que as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento..."


Mario Quintana

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

receita para desassossego...

Eu tenho um amor e uma certa paz, que nunca foi minha...antes uma angústia colocava farelos na cama e perguntas e dúvidas e anseios que não me deixavam aquietar e relaxar, era como seu eu cavasse muito e no escuro nunca estava feliz, um desasossego de alma constante...um sufoco.

Foi dessa outra parte da minha história que lembrei lendo a Carmem...Lendo lá um pedacinho de Cortázar muita saudade do meu amor me veio...e uma sensação de que um bom amor e uma intimidade plena possam curar essa ansiedade...

Mehor dizendo, talvez essa ansiedade um amor acalme, não que sare, por que nunca sara, nunca cega, nunca silencia essa outra nos espiando nos espelhos, cobranco sentidos, essa outra que é feita de nossos restos e sonhos, essa louca que nos azucrinará pra sempre por dentro...cutucando!

De qualquer forma, pra férias de ansiedade receito um bom amor!

No fundo da estrada, pura luz & sossego, o paraíso é logo ali...

Amar é levar o coração pra passear!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

das filhas...

Pegamos um táxi, eu e minha filha, logo o taxista já se rende a eloquência e a simpatia dela, o que me faz reafirmar: 'auto-estima é tudo na vida de uma pessoa'...Suspiro a auto-estima que não desenvolvi no tempo certo, enquanto o taxista suspira a sua filha adolescente e tímida.

Comento que aulas de teatro podem fazer um bem danado, mas logo percebo que a timidez da filha era um sofrimento dele, não dela. A filha ao que tudo indica era reservada e econômica nas demonstrações mas não sofria com isso, tinha gostos "estranhos" ,tinha " jeito" igualmente estranho aos olhos do pai, mas fora isso, era uma menina normal e feliz.

Comento uma passagem do livro Pequeno príncipe onde ele conta que ao exigir que uma borboleta se transforme em general, o que obviamente ela não conseguirá, a culpa é de quem exige, é preciso exigir de cada um o que cada um pode dar...

O fato é que é preciso (e muito difícil) aceitar as pessoas e suas peculiaridades...É culpa nossa as expectativas e os roteiros que criamos a elas, todas as histórias, diálogos e finais "felizes" que provavelmente nunca existirão, tudo que sonhamos e delegamos aos outros é injusto...


_ Talvez o problema não esteja nela, e sim na tua expectativa...E se for assim, este problema é teu!!
Arrisquei.

Ele envergonhado disse: _É,na verdade eu queria ter uma filha mais normal...
E engoliu a ultima palavra ainda mais consciente do quão preconceituoso e ressentido era o olhar que dirigia a filha.

Pobre borboleta!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

as escolhas...

Minha filha desde muito pequena diz que foi ela quem me escolheu, explica assim: “eu ficava lá do céu espiando tudo e aí um dia resolvi, é dessa mulher ali que eu quero nascer, ela que vai ser minha mãe”, essa mulher ali era eu, com aquele homem ali que era o pai dela, ela resolveu e veio, simples assim.
Essa teoria espírita ou bem próxima disso é dela, sempre me agradou o fato ter sido escolhida e sempre apesar de rir da convicção dela, acalentei a idéia de que se tratava de uma lembrança anterior.

Novamente foi ela que me ajudou a pensar que aquele “bonequinho de cera”, (palavras dela) deitado sem mais sorrir e dizer bobagem, não era meu pai, “o Vô não está mais ali mãe, está aqui...”(e apontou pro ar), foi assim que ela encarou a sua primeira perda, um outro processo, um final de plano, simples assim.

Uma vez eu escrevi: “ não sei da morte, suas perdas e essa dor de nunca mais”, num tempo que eu ainda não sabia, hoje eu sei e é uma falta diária, dos detalhes, das músicas, dos hábitos, da voz, do cheiro, do abraço, dos conselhos, das brincadeiras, do silêncio, do telefonema de toda noite: “E aí bicho bom, com o tu está?” Falava-se do dia e um “ amo vocês” arrematava a ligação e nos fazia dormir com os anjos. É assim, uma falta em pedacinhos, e dói.

Meu irmão me conta da grande dor que foi não poder comemorar e comentar com o nosso pai a vitória do Inter, o que era hábito deles, sendo ambos colorados doentes e na mesma noite e não por acaso, sonha que estamos numa festa e nosso pai, está bem e lá de longe, nos olha sorridente e de repente sai por uma porta.

Hoje eu quero e mais do que isso preciso desesperadamente acreditar no que sempre acreditou minha filha, preciso dessa certeza de projetos anteriores, escolhas feitas lá no céu e desse olhar atencioso de almas nos protegendo, nos elegendo, sorrindo das nossas façanhas terrestres, torcendo por nós.
Nos esperando do outro lado da porta, quando também estivermos prontos, quando dermos por encerrado nosso estágio.


De uma forma menos doída quero sabê-lo perto, pra sempre, como nosso novo anjo da guarda.

Ele está nos espiando, está tranqüilo, está feliz...

Acredito que se emocionou com o mural de fotos e o cantinho de lembranças que fiz dele.

Saboreou comigo a cerveja com a empada de camarão preferida dele, que comi em sua homenagem.

Viu o Inter ganhar no domingo.

Ouviu as bobagens que o padre falou na missa de sétimo dia.

Estava ali entre nós e todos os abraços que recebemos e deve ter feito uma ou outra piadinha irônica.

Meu pai que nos espia sorridente, com certeza sabe que fui eu que o escolhi e que o escolheria de novo, pra ser meu pai ...

“eu estava lá espiando do céu e apontei lá pra praça de Itaqui um casalzinho novo e apaixonado e decidi aqueles dois ali, quero ser filha deles”...

Não poderia ter feito melhor escolha!!!

domingo, 25 de outubro de 2009

Em um tempo remoto eu dizia palavras de ordem: "o povo unido jamais será vencido!" Seguido de um estribilho do vandré: "vem vamos embora que esperar não é saber/fazer, quem sabe faz a hora nao espera acontecer!"

Mudou o tempo? O grupo? A fé? A cor? A esperança?

Mudou quase tudo...

A frase que me vem nesse domingo, também é antiga, porem mais proxima e verdadeira traz a revolução pra dentro: "não se iluda, nada muda se você não mudar!"

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã...

Um dia mandei esse bilhete pro meu pai, e outros tantos, por que sempre soube o quão importante e grande era nosso amor e nossa vida:

Paizão, preciso te dizer que eu te amo muuuuito, mas mais que isso, tenho muuuito orgulho de ser tua filha. Quando estou lá no meu boteco, rodeada de gente, de todas as idades e tipos, ouvindo músicas até amanhecer (ás vezes), tenho certeza que é a parte que tu me deu que está lá, e que se sente tão bem na noite, e não preciso beber para sentir quanto é mágico e especial estar com as pessoas, conviver, trocar, aprender, e são de todos os tipos, o tio que vende churrasquinho na esquina, um juiz, um músico bom demais que nunca chegou a fazer sucesso, os chatos, enfim, gente!
Tu me ensinou a desfrutar, aproveitar a vida, seus momentos e respeitar a todos, já que ninguém é mais importante ou melhor que ninguém, sensação legal e real que aprendi te vendo tratar a todos igualmente. Por isso meu velho gostoso e lindo, sei que te levo nas minhas noitadas e no meu coração sempre, onde tu tem uma suíte bem escurinha e com cama grande.

Te amo!


Que bom ter um PAI e uma MÃE com letra maiúscula assim, e que bom ter herdado esse gosto pela vida e pela liberdade e o respeito ao próximo que tão bem vocês me ensinaram! Quero que a Alice aprenda essas coisas boas... vocês são muuuuuito importantes pra nós!!!

Isso é muito íntimo. Se eu trago aqui, é para que vocês se inspirem a fazer o mesmo com seus amores, digam...por que abraços, beijos e carinhos devem ser diários, felizmente eu aproveitei bem meu tempo com meu velho e agora tenho muito pra lembrar!

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Simples assim...


Sou daqui filho de Maria lavadeira e do Tonho pescador: Me criei assim na lida, ajudando mainha, vendendo peixe mais pai, com esse cheiro enroscado no corpo, fiz tres anos de escola, me apelidaram de Peixe podre e fui ficando pelos cantos, olho de peixe morto me disse a Dorinha, logo ela que era a mais linda, e se riu de mim, pra escola eu não quis mais voltar, vergonha...Sei assinar o nome e faço conta, não sou analfabeto, não carecia mais que isso...continuei pescando, o cheiro? A senhora sabe que nem sinto mais?...Mainha morreu, painho perdeu as idéias, somos comigo 9, tudo espalhado no mundo, eu fiquei...a senhora quer saber por que? Nem eu sei...acho que é a água batendo no pé, tenho essa casa e esse barquinho, preciso mais nada não, não tenho nenhuma ânsia, não tenho sede de mundo, tô tranquilo, esse canto de rio me cabe, pra mim tá bom...
Podia me chamar João, José ou Antônio como o pai, mas mainha cismou me chamar Brasil, seu Brasil Pequeno é como todo mundo me chama, não gosto muito, mas é um apelido miór,né?
A Dorinha encontrei já moça feita, continuava bonita a desgraçada, disse que ia ganhar mundo, me abanou e sorriu bem encarnado, dizem que caiu na vida...
Se sou feliz? Ah, dona...sou sozinho, sem amor até se vive, mas do jeito que dá... não dum jeito de se rir besta, o que seria muito miór!

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

sem forçar...

Fui sempre muito precipitada e forçava portas,forçava palavras, forçava minha presença, voltava e insistia quando já haviam claramente se despedido de mim, repetia de novo, de novo, de novo, como um Teletubbies non sense.

Mas isso tudo foi antes, muito antes quando eu ainda voava pelo jardim feito semente, feito pólen, isso foi antes de germinar em lugares das quais me arrancaram por ser impróprio, foi antes de nascer e florescer em frestas.
Foi antes de desenvolver minha alma tatu-bola, que também aprendi no jardim, só que já em terra.
Onde aprendi a me fechar aos toques, a rolar nas insensibilidades, a mudar de direção.
Não faço apologia não é melhor o segundo estágio, ser tatu-bola foi meu ônus, ser semente era puro bônus, voar sem medo e poder germinar é mais gostoso, dar frutos é mais saboroso, virar flor é mais bonito.
Mas vocês devem saber até Darwin defendia isso, quem sobrevive não é o mais forte é quem melhor se adapta, e de alguma forma, virar tatu-bola é minha sobrevivência...
Forçar a presença desgasta, cansa, dói, ouvir durezas deixa o ouvido insensível, deixa o peito áspero, ser arrancado desfaz raízes, ás vezes simplesmente não é a hora, não é a estação, não é primavera...
Voando eu tinha o vento e uma visão de longo alcance, mas aqui em terra firme eu estou mais perto, e espero germinar sem risco, dentro do meu enrodilhado guardo as mesmas sementes, só espero o tempo certo, o raio de sol, a lua e a terra mais fértil...
Espero que a primavera venha logo e alguma criança brincando comigo na palma da mão me leve mais longe do que eu possa ir sozinha caminhando...

todo tempo do mundo...

A gente não tem todo tempo do mundo...só a intenção de tê-lo..e a insconsciência de acreditar na eternidade.
Pra continuarmos e nos justificarmos, nos amparamos nesse postergar, estúpido e infantil.
Não é só por que vi meu pai frágil naquelas roupas verdes e desconfortáveis que todos os hospitais colocam nos pacientes.
Não é só por que eu precisei desesperadamente da ajuda daquelas enfermeiras que parecem estagiárias de anjos.
Não é só por que subitamente a força tinha que ser minha e ela me faltou.
Não é só por que vi meu pai e outras tantas pessoas terem nova chance.
Não é só por que algumas pessoas que eu amava morreram sem que eu tenha tido tempo para dedicar a elas.
Não é só por que sei de tantas palavras mortas nunca ditas a pessoas vivas.
Não é só por que a Mercedes Sosa morreu e minha amiga Carmem nunca vai assistir ao show dela.
Não é só por que estava um dia lindo e virou temporal.
Não é só por que é segunda.
Mas eu sei, hoje mais do que anteontem que o tempo não tem constância, o tempo não tem medida, propósito, previsibilidade... é como esse céu de hoje do azul pro cinza num sopro de vento...
O tempo não tem nenhuma responsabilidade,nós é que temos!

..........................................

Tão bonito o comentário do Marcelo, que colo aqui pra todos lerem:
Tudo pode mudar o tempo todo! É a graça e a tragédia da vida! O doce nunca seria tão doce se não houvesse o amargo!

Roda Viva(chico buarque)

"Tem dias que a gente se sente
Como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente
Ou foi o mundo então que cresceu...

A gente quer ter voz ativa
No nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega o destino prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A gente vai contra a corrente
Até não poder resistir
Na volta do barco é que sente
O quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva
A mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a roseira prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

A roda da saia mulata
Não quer mais rodar não senhor
Não posso fazer serenata
A roda de samba acabou...

A gente toma a iniciativa
Viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a viola prá lá...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração...

O samba, a viola, a roseira
Que um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira
Que a brisa primeira levou...

No peito a saudade cativa
Faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva
E carrega a saudade prá lá ...

Roda mundo, roda gigante
Roda moinho, roda pião
O tempo rodou num instante
Nas voltas do meu coração..."

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As sensações primeiras

"Eu volto aos filmes antigos não apenas para revê-los, mas também com a esperança de reviver as sensações de quando os vi pela primeira vez.(Isso não se aplica apenas aos filmes. Mas a tudo na vida)" David Gilmour-no livro O clube do filme

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

exercício de infelicidade...

Diante da necessidade de lembrar cinco felicidades, para a oficina literária do Carpinejar, me deparo com minha tristeza implícita, pra consumo externo sou efusiva, risonha e leve. Por dentro uma outra eu, pesa toneladas, chora e se penaliza, colecionando dores feito figurinhas de álbum, com cuidado que se dedica as coleções, uma outra eu guarda uma certa incapacidade de lembrar feliz, como se pra dentro só o olho triste enxergasse.
Eu, garimpeira de lixos, culpas e abandonos, resgato dor, lustro, amplio, distorço a cena e ainda coloco luzes duras para aumentar o impacto e o drama. Um exercício estúpido de auto-preservação. Como se eu precisasse arrancar as casquinhas pra lembrar do sangue e de toda possibilidade de queda embutida em cada passo. Uma parte de mim não me permite sarar.
Não lembro uma única felicidade que não tenha muita tristeza grudada no casco.

O exercício inverso, seria agora catar as felicidades plenas, sem nenhum ranço, sem nenhuma dor revisitada, lustrar as lembranças boas...

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

um poeminha de antes...uma emoção de agora !

eu aqui, de novo...chorando de mansinho...posso ter um orgulho:

me emociono..ainda me emociono...e quero e toda essa emoção a flor da pele e desisto..e me lambuzo e morro de medo de não ter saída..e saio.
eu..
que ainda danço
ainda quero acertar o passo
ainda quero um par
e um bom companheiro de viagem

eu, ainda e sempre
querendo as mesmas coisas
que a eu adolescente queria
um amor...
pra felicidade ser coisa diária
pra planejar a próxima viagem
pra tirar fotografia
(é estranho pedir pra um estranho te registrar)
um amor
pra segurar a mão
quando alguma grande cena
não couber em palavras
quando um som
mexer além
um alguém pra ficar em silêncio
pra dar gargalhada
pra ser
sem medo
e com roupa de ficar em casa...

Quem de nós dois vai dizer que é impossível o amor acontecer?

Agora...eu aqui sentindo essa emoção gostosa e feliz de ter alguém pra querer, um peito pra descansar e me enroscar...agradeço!

"Erga suas mãos para céu e agradeça se acaso tiver alguém que você gostaria que estivesse sempre com você na rua, na chuva ou numa casinha de sapê"...

terça-feira, 15 de setembro de 2009

aos apaixonados do trem...

Meu amigo Rick, lá de longe me traz La Oreja de Van Gogh, grupo que conheceu quando esteve na Espanha, e que eu até hoje não conhecia.

Apreciem como eu JUEVES uma musica linda, uma homenagem, um lamento aos mortos de 11 de março 2004, no atentado de Madri.

Triste os sonhos, os amores e as tantas vidas perdidas, as mortes estúpidas, em todas as guerras diárias de terror inconcebíveis.

É o que diz a frase brilhante do artista plástico frânces Christian Boltanski na abertura do filme Nós que aqui estamos por vós esperamos, de Marcelo Masagão :"Numa guerra não se matam milhares de pessoas. Mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada. Uma acumulação de pequenas memórias..."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

andando pelo sertão...

video

Ah,..andei no sertão com meu amor e voltei enlouquecida com esse tempo que já não temos, com a falta da qualidade na nossa vida, com a falta de paz com a qual vivemos, com a falta de sentido que nos habituamos a manter como se fosse normal: correr, sorrir amarelo, engolir em seco, digerir sapos,aguentando, aguentando... Voltei feliz pela oportunidade de sentir simplesmente e triste ao constatar a falta de gentileza nos nossos dias por aqui e com essa corrida sem fim que até cronometra carinhos.... ô, vidinha burra! A vida lá no sertão não tem a aridez que eu ignorante supunha, a vida lá é o que merece ser chamada de vida...Simples, real e gostosa!
Piranhas - Alagoas

Voltei com uma vontade danada de ter em algum tempo uma vida assim: fértil, iluminada e limpa...geradora de energia, como aquela que respirei nas margens do velho Chico... "Nas margens do São Francisco nasceu a beleza.E a natureza ela conservou..." "Eu queria ter na vida simplesmente, um lugar de mato verde pra plantar e pra colher, ter uma casinha branca de varanda, um quintal e uma janela para ver o sol(e a lua) nascer"...
Palmeira do Indios- Casa-museu de Graciliano Ramos
"Sem rádio e sem notícias das terras civilizadas"...

Me sentia mal amada...

Uma vez escrevi um poema...

A primeira vez que não me amaram
Levaram a leveza que do amor me vinha
Agora toda vez que me desamam
Levam a capacidade de amar que eu tinha...


Me sentia mal amada...
Isso foi antes de entender que a sensação de ser mal amada, era anterior ao próprio amor, era uma ânsia minha, uma postura de quem primeiro espera receber para só depois ser capaz de também doar...
Ser mal amada, não estava direta ou proporcionalmente ligado ao tanto de amor que me deram ou me sonegaram, ser mal amada era ser amada de outra forma, diferente e aquém da minha expectativa.
Ser mal amada era não ter sido olhada na hora que o olhar me faria aprovada e aceita. Na hora que meus olhos procuraram em outros olhos o que me faltava.
Não ter sido abraçada no momento em que eu estava ínfima..
Ser mal amada era ter ouvido silêncio enquanto uma unica palavra já me acalentaria.
Eu fui assim me sentindo mal amada, um pouco por que julguei que o amor era um super herói invencível, infalível e esperei que ele me salvasse. E o amor coitado, não tem super poderes, não salva ninguém, quando existe dá vontade de vôo, quando muito mostra que tem azul além, quando grande dá certeza de asas. O amor é um herói lindo e frágil.
Assim me sentia mal amada por que faltou mão, faltou ombro, faltou tempo, faltou cuidado, faltou colo, mas principalmente me sentia mal amada por que sobrou espera, sobrou desconhecimento, sobrou frustração, sobrou espaço não preenchido, faltou sentido.
Me sentir mal amada, me fez ansiosa, apressada, latente, me fez carente e ávida.
Me fez falar na frente, me fez forjar força e independência. Me fez negar por muito tempo minha necessidade de amor!
Antecipei palavras, adivinhei roteiros e próximas cenas. Fui controladora, por puro receio da destruição que o descontrole de um desamor me gerou e geraria.
A sensação de ser mal amada me roubou paciência, persistência e outras dessas ciências que facilitariam os encontros, me sentir pouco ou mal amada me deu urgência e uma antecipação de rejeição que de nada ajudaram na manutenção dos afetos, me tornando inábil, me tornando arredia, me cobrindo de medo e dor: medrosa da intimidade, da exposição, da entrega... me sentir mal amada, quase me roubou o amor.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Jucunditas...

Eu participo da Jucunditas no Orkut, uma comunidade maravilhosa de poesia, e digo maravilhosa por que lá, descobri e li poetas ótimos e até então desconhecidos para mim, sou muito grata ao Lodi, grande poeta , mineiro e menino que a criou e a Akemi, linda que continua o trabalho e acaba de me lembrar de duas preciosidades de lá:

ANÚNCIO - VENDO de Cláudia Schroeder

Vendo uma cama grande demais
alguns cabides nus
duas gavetas vazias
um copo com hálito
e tres cobertas frias.

Vendo um cinzeiro com baganas
umas gravatas bacanas
um travesseiro de penas
meu eu entre as pernas.

Vendo a copia da chave
um shampoo pela metade
um velho aparelho de barbear
e ganhe grátis o meu ar.

Vendo uma escova de dentes usada
e um creme dental apertado no meio.
Vendo os meus dois seios
e minha camisola rendada.

Vendo um criado-mudo
cheio de fotos deixadas.
vendo meu album de casamento
da lua-de-mel
e de noites estreladas.

Vendo o meu coração em pedaços
meu corpo aos trapos
minha boca beijada.

Vendo tudo o que foi
tudo o que está.
Vendo quase nada.

.....

VENDO
de Everton Behenck

Dois olhos gastos
Um pedaço de sonho
Velho mas intacto
Vendo fatos leves
E uma lágrima santa

Raridade

Vendo uma saudade
Grande
E um sorriso torto
Caiu no chão

Pequeno acidente

Vendo
Duas mãos espalmadas
Feias de dureza
Mas ainda sensíveis ao toque
De um rosto

Vendo
Dois lábios calados
Com um pequeno defeito
Só se abrem para beijos verdadeiros

Vendo um coração sem jeito
Um pouco antigo
Fora de compasso
Em pedaços
Mas com belos traços de carinho
A quem se interessar
O amor vem junto
A quem jurar paixão,
Alugo

E para quem conseguir juntar as partes
O coração é grátis

terça-feira, 1 de setembro de 2009

cor no olhar...



Meu olhar se ilumina de detalhes, como se as cores desenhassem poesia no dia, suave e impunemente, a primavera se perde no calendário e brinca em pleno calor, fotos do final de agosto...antecipando quão lindo será setembro!

domingo, 30 de agosto de 2009

Exercícios da terapia...

Interpretar... releitura de textos alheios:

Texto 1:
Tu me conta entre satisfeito e aborrecido do teu exercício bem educado de comprar a cuca que a faxineira traz diariamente, enrolá-la e jogá-la no lixo de casa.
Alimento minha raiva, com tua “educação” prepotente, não existe gentileza em menosprezar dona Maria e sua cuca de banana, mesmo pagando por ela. Enrolar num papel grosso a doçura e a necessidade de reconhecimento que poderiam melhor alimentá-la. Desprezar com civilidade.
Sei dos teus recheios, de não suportar a pobreza, teu preconceito com os ingredientes alheios e a proximidade claustrofóbico dos olhos que demorarem em ti. Sei da tua inabilidade de produzir e saborear doçura, sei da tua sensação de não merecimento muito bem disfarçada.
Sei que é culpa o que equivocadamente chamas educação. Te odeio se auto-elogiando, se julgando um homem bom, por saber pagar e apagar tua culpa no lixo de casa.
A doçura de ser gente vaza e te lambuza em vão.
Patético como esse embrulho íntimo, que só tua casa recebe é o tua incapacidade de compartilhar , de olhar em volta.
Enquanto tu segue sem fome, com esse fastio de quem não quer contato
Eu sigo faminta ao lado do lixo, esperando tua cuca diária intocada.


Texto2:


Minha mãe
me gerou
porcelana branca,
sem detalhes, sem cor,
do tipo mais comum
de fácil reposição.
Minha mãe
não me alimentou
catando migalhas,
que ela maníaca
não deixava cair
me criei
na falta
na ausência
minha mãe
uma cortina de voal
estava sempre voando
frágil
incômoda
decorativa
Minha mãe
me fez temer
sua loucura branca
me fez cúmplice
responsável
ordenado e pesado
como as porcelanas
que nunca me atrevi a quebrar
o ódio é minha coberta de mesa completa

Terapia literária...limites!

Catei uma bolsa na Oficina literária do Fabrício Carpinejar, e digo catei por que foi mesmo um trabalho de garimpeiro, achar entre os grossos cadernos classificados do jornal dominical, o anuncio da oficina, o primeiro a encontrar, ganharia a bolsa, ufa, valeu a procura, entre um anuncio de jazigo e outro lá estava e cá estou...
Nas noites de segunda e quarta Fabrício nos instiga:
"Poema é tensão...não busca de aceitação!
Se a gente quer usar a literatura pra agradar alguém, fudeu com a literatura!
Quem precisa mostrar que sabe, não sabe!
Se cabe pra tudo, não serve pra nada!
O que contar? Por que contar? Qual a intenção? Pra que usar um história?"
...
Aponta meus clichês e todas minhas frases prontas, as rimas raquiticas, os medos e as defesas encravados em textos que já leio com receio,já me reconhecendo não capacitada...
Que sirva pra isso essa terapia, para querer ser mais, coisa que só me reconhecendo menos poderei atingir...
"A linguagem é uma caixa-preta, a linguagem trai e a verdade vem..."

Sem "não" é inviável viver...

No meio de um comentário da Carmen, essa frase do Marcelo me salta aos olhos...
Sem "não" é inviável viver...

sem um NÃO
bem dito
o gosto do SIM
se esvai
e

como arde
um NÃO prescrito


Eu que fui alfabetizada no sim, comedido e "bem educado", no sim recheado de não, mas nunca clareado.
Quero a liberdade dos extremos,quero o meu NÃO bem dito, quero meu não possível e visível á luz do dia,
Quero toda a bendita leveza do meu SIM repleto de desejo, meu sim de sorriso aberto e não amarelo e conformado.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Azul que te quero azul!!!

foto Marcelo Nunes

Um pouco de AZUL...
por que hoje é sexta-feira..
amanhã é sábado...
e Alagoas é semana que vem...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

gente-metade

Tenho medo de gente
que se sente metade
pessoas frágeis
meio esgaçadas por dentro
que compulsivas
querem tapar
todos os buracos
emocionais
por onde vazam.

Tenho medo
dessa gente-metade
que aceita de tudo
supondo estar enfim
se complementando
buscam-se
desesperadamente
em bocas e braços
alheios...e
se perdem em si...


Inventam,
falas
personagens
se moldam forjando
encaixe.

Fui metade por anos, sei bem desse surto...

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Da acidez...

Uma vez uma senhora me contou, com olhos tristes, que tinha se amargado tanto que havia desenvolvido uma diabete.
_Não somos ostras minha filha, não conseguimos transformar lixo em pérola, em nós lixo engolido, vira doença!
Lembro disso, por que nesse exato momento tenho 3 aftas me ardendo a cada palavra dita, a cada garfada, a cada gole, me impedindo de sorrir aberto e de beijar.

Como fiquei assim tão ácida sou obrigada a me perguntar?

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Miedo...

Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo... que dá medo do medo que dá
Medo... que dá medo do medo que dá

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Gentileza gera gentileza!

O conselho* é aqui claro e direto: seja gentil. Faça com os outros aquilo que você gostaria que fizessem a você. Exercite ao máximo a sua capacidade de compreensão, de gentileza, conquiste as pessoas com atos singelos.
Tudo o que você precisa, neste momento, não é pedir amor. É dar este amor, sem criar expectativas de retorno.
É quando você parar de cobrar que receberá tudo o que almeja. Você sofrerá testes, no que diz respeito à capacidade de agir de forma compreensiva e gentil. Tente resistir à tentação de pôr pra fora agressividade e grosseria. O uso da palavra delicada, neste momento, faz toda a diferença!

Conselho: Exercite ao máximo a gentileza.

Assista e pratique GENTILEZA- clip lindo de Marisa Monte
*Personare.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

...o amor por André Comte-Sponville

"Uma declaração filosófica de amor

Uma declaração filosófica de amor? Poderia ser, por exemplo, a seguinte:

Há o amor segundo Platão: 'Eu te amo, tu me fazes fal­ta, eu te quero.'

Há o amor segundo Aristóteles ou Spinoza: 'Eu te amo: és a causa da minha alegria, e isso me regozija.'

Há o amor segundo Simone Weil ou Jankélévitch: 'Eu te amo como a mim mesmo, que não sou nada, ou quase nada, eu te amo como Deus nos ama, se é que ele existe, eu te amo como qualquer um: ponho minha força a serviço da tua fra­queza, minha pouca força a serviço da tua imensa fraqueza...'

Eros, philia, agapé: o amor que toma, que só sabe gozar ou sofrer, possuir ou perder; o amor que se regozija e com­partilha, que quer bem a quem nos faz bem; enfim, o amor que aceita e protege, que dá e se entrega, que nem precisa mais ser amado...

Eu te amo de todas essas maneiras: eu te tomo avida­mente, eu compartilho alegremente tua vida, tua cama, teu amor, eu me dou e me abandono suavemente... Obrigado por ser o que és, obrigado por existir e por me ajudar a existir!"


Meu conselho nada filosófico:
para quem já provou e ainda pode desfrutar desse momento dádiva que é sentir-se pleno...agradeça e delicie-se!
para quem ainda não...busque incansavelmente!

O amor não nos dá asas, ele só nos deixa repletos de ar e horizontes, o vôo é por nossa conta..( e risco!)

Virar a página...

Eu gosto imensamente da escritora Adriana Falcão. Tenho a impressão que poderíamos compartilhar bons momentos e boas risadas se um dia fossemos próximas, por isso cada livro que ela assina, me chama a atenção e facilmente cola meu olhar do inicio ao fim. Foi assim também com o livro que acabo de ler: "A arte de virar a página" (2009, editora Fontanar). Com imagens de Leonardo Miranda, despretensiosas frases e fotos que contam fatos corriqueiros do dia-a dia mostram que sempre haverá uma situação nova a cada virar de página, o que minha alma pollyanesca reconhece: "pior que perder alguém que se ama, só se perdêssemos também a memória". É essa Adriana simples que me encanta.

Li essa frase e passei a viajar na memória, que sempre me pareceu uma ficção pessoal e intrasferível, por que sabe-se lá que mecanismo ativa esta ou aquela lembrança? Que sinaliza que esta é uma lembrança a armazenar? De repente vem um cheiro, um som, um toque, uma cena, um gosto e a memória completa o filme.

Fotografia me faz isso, aquele instante paralisado, facilmente cria forma e traz tudo de volta. Um álbum é um arquivo de memória. Deve ser por entender e sentir assim que sofri tanto com um incêdio que teve em minha rua há muito tempo atrás e que me veio à lembrança agora.

Numa casa simples de madeira morava um senhor idoso, mas pouco se sabia dele. Viúvo, arriscavam umas vizinhas, parece que perdeu toda a familia de forma trágica "tricotavam" outras, de fato só se sabia que era um homem de hábitos simples e sozinho, por que não recebia nenhuma visita e todo fim de tarde sentava para tomar chimarrão na porta da casa acompanhado de um rádio de pilha.

A casa, um sobrado de madeira, carecia de cuidados e pintura, mas permanecia inalterada até uma noite, quando incendiou. Muito rapidamente, o sobrado virou enormes labaredas e, mesmo com os bombeiros e a ajuda dos vizinhos, virou tocos de madeiras chamuscados. Não sei o que foi feito do pobre homem, logo o espaço virou uma obra, um edificio e ficou essa memória arquivada entre tantas.

Lembro que, curiosa, cheguei muito perto do vizinho naquela noite, que desconsolado só repetia: "Não consegui salvar nenhuma fotografia, nenhuma fotografia...".

Volto à cena, entendo porque aquela dor me tocou tanto e a solidão daquele homem me pareceu ainda maior e sem possibilidade de consolo. Estavam queimadas suas memórias. Numa noite, em minutos, perdeu de novo toda a família, seus sorrisos, os casamentos, os batismos, os aniversários, a infância da filha, etc... mas isso, já é minha ficção, não sei nada do meu ex- vizinho, além de que era um homem sozinho, de hábitos simples, que não recebia visitas e não teria agora, nem música, nem álbuns de retratos para folhear.

Triste assim. Simples assim...

Na minha tentativa de jogo do contente, torço que ele tenha virado a página... refeito fotografias sorridentes e que more bem acompanhado num outro sobrado branco com janelas azuis recém pintadas.

sábado, 1 de agosto de 2009

Pablo Picasso...

Dizem que Picasso dizia para certas moças quando as encontrava, que já as havia pintado muito antes de conhecê-las, uma inspiração anterior. Partindo de um dos maiores sedutores da história da arte, essa parecia só uma boa "cantada".
Lembro disso por que há pouco encontrei entre uns poeminhas amarelados meus, escritos há mil anos atrás o seguinte:
...me enrosquei nos teus pêlos
tua pele, no teu cheiro
e me aninhei com cuidado
no vão aberto em teu peito...

Assim como me reconheci numa música que ouvia na minha adolescência:
"se eu dia eu chegar
muito estranho
deixa essa água no corpo
lembrar nosso banho
mas se um dia eu chegar
muito louco
deixa essa noite saber
que um dia foi pouco
cuida bem de mim
e então misture tudo
dentro nós..."


Naquela época, eu não tinha esse amor e o conhecimento dessas sensações, não tinha a vivência de paz e intimidade de um banho compartilhado e quanto essa lembrança poderia lavar dores mais adiante, não tinha um peito onde quisesse fazer ninho, eu feito o Picasso, antevia, criava, sonhava esse amor de cuidados...
Inspiração anterior...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Fabrício e a filha...

"Faz de conta que já conhece os sentimentos que virão para não sofrer com eles. Demora de propósito. É aquela pessoa que chega muito antes de um compromisso e dá uma longa volta para depois aparecer atrasada. Há sempre uma sala em seu rosto onde deixa a emoção esperando. Não que seja insensível, é sensível demais, tanto que tenta controlar o que não pode."
Carpinejar fala de sua filha no blog www.fabriciocarpinejar.blogger.com.br, e eu que mal conheço a Mariana, me enxergo adolescente nessa definição.

Fui dessas
que se enfrentam
pra vencer o medo
dessas que antecipam
as quedas
trazendo os braços engessados
fui e talvez ainda seja
de uma sensibilidade
que me soa excessiva
e que por isso trago travestida
de outros sons, outros tons,
com o intuito de não mais soar...

percebo por que meu faz de conta
nunca convenceu por muito tempo...
me faltou essa ante-sala
pra emoção esperar

minhas emoções
sempre foram exibidas
despudoradas
me ruborizaram
botaram brilhos nos olhos
sempre sentaram com pernas abertas
minhas emoções
sempre gargalharam alto
e choraram a luz do dia

me faltou a ante-sala
da dor, da vergonha, do medo
faltou a cortina e a meia-luz...

mesmo que as palavras
insistam em desdizer...
está tudo sempre exposto
minhas emoções
são analfabetas
beberam em outras fontes
se recusaram
as cercanias do meu bê-a-bá...

de certa forma isso me salvou de mim...

segunda-feira, 27 de julho de 2009

antes que seja tarde...

video

Houve um tempo
que eu infinita
brincava no inverno
sem medo, nem gripe
com bolitas
brilhante nos olhos
fazia arco-íris...

eu gostava de ser infinita!

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Ela

ela era tão infantil
que tinha medo de avião
enquanto o mundo todo caia
era tão boba
que se vestia de noiva de verdade
até em casamento caipira
ela era tão leve
que mesmo com dor sorria
as dores nela não faziam raiz
ela era tão ingênua
que falava com anjos
a acreditava sem fim
ela era assim
até o dia triste
que se quis "adulta"
e bobamente "esperta"
se negou vontades
abortou uns sonhos
guardou fantasias

cheia de ardis

ela tão armada
ela tão deserta
na ânsia de ser forte
esqueceu de ser feliz!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

antes de falar com a minha gerente...

Naquela ante-sala de banco eles me chamaram atenção, arrumados e cheirosos como se fosse domingo e passeassem em San Sebastian...
Em dois segundos puxei assunto, por que tenho essa curisidade pelas vidas e as histórias alheias...Pergunto se esperam há muito tempo ambos sorridentes dizem que não e que o café está gostoso...Sinto um sotaque espanhol nas palavras dela e logo atiro no meu portunhol:"Donde es usted?" ..."Soy daqui, há 46 anos!" Me responde rápido. O marido me explica:Trouxe ela do Chile, me apaixonei"...
E assim puseram mais lenha na fogueira das minhas curiosidades, as histórias de amor me encantam ainda mais, principalmente quando os protagonistas apesar do tempo e das rugas, andam de mãos dadas e sorriem cúmplices.
Eram três irmãos nascidos na Grécia, de lá fugiram ainda jovens, um foi parar no Chile, outro na Argentina, outro no Brasil. Constituiram famílias todos os três e perderam o contato, outros tempos, sem internet, google, nem telefone...
Se reencontraram em Buenos Aires, graças a um anuncio numa revista de grande circulação na America do sul, fulano de tal procura por seus irmãos, deu certo!...
E lá estavam os três reunidos,contando façanhas e trocando fotografias de suas bem formadas famílias.
O primo do Brasil achou muito bonita a prima chilena, que por sua vez achou "muy guapo" o primo brasileiro...Trocaram cartas, muitas, se conheceram pessoalmente, se apaixonaram perdidamente, casaram..tiveram filhos, netos, bisnetos e me contam sorridentes essa história de amor!
Adoro conhecer gente e se meus olhos tirassem fotografia, sonho antigo meu, vocês poderiam também ver e ficar felizes como eu, com o brilho daqueles dois...

quarta-feira, 8 de julho de 2009



Podem me achar a mais brega e babaca das pessoas, que há muito tempo deixei de me preocupar e ocupar com esses conceitos, que mais parecem carimbos, etiquetando e descartando gente. Por isso assumo: eu também gosto muito de uma música chamada PAI cantada pelo Fábio Jr , a música me toca, me identifica, se aproxima muito da dualidade que se sente mesmo por pai e mãe, com essa coisa de herói, que de repente deixa de ser e felizmente volta GENTE, pra podermos também ser...
Lembro que quando vim para Porto Alegre, essa música estava no seu auge, tocava nas rádios e muitas vezes me fazia chorar, por saudade, por vontade de me aconchegar no colo e fugir, por que diz num trecho: "me perdoa essa insegurança, é que eu não sou mais aquela criança...eu cresci e não ouve outro jeito, quero só recostar no teu peito..." , e quantas vezes segurei o tranco só querendo colo e chorar de boca aberta o medo de não conseguir crescer.
Então, resolvi dizer como é bom ter um pai e uma mãe pra contar, pra voltar, pra lembrar, como é bom enxergá-los com olhos adultos, tendo também virado pai/mãe e me sabendo muitas vezes tão frágil e confusa, tão demasiadamente humana.
Como é bom amar e poder demonstrar, como diz a mesma música "eu não quero e não vou ficar mudo pra falar de amor pra você..."

texto inteiro...coluna Nadia-QUEB

terça-feira, 7 de julho de 2009

Felicidade...(é simples)

gostos
gozos
sorrisos
músicas
poesias
silêncio
compartilhados

beijos
abraços
saudades
suspiros

coração
mente
corpos
desarmados

fome
sede
saciadas
palavras bem ditas
emoções bem sentidas
liberdades
conquistadas

sono
sonho
saúde
paz
plenos

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Santa felicidade...

Santa felicidade é um bairro de Curitiba, que acolhe e alimenta...
Lá em santa felicidade provei licores doces na entrada, queijos variados, petiscos, pães, pratos gostosos de porções bem servidas, vinho em taças de cristal, sobremesas cremosas, expressos fortes, pessoas queridas e conversas longas, naquele ambiente com cara de casa de campo que se quer ter, com madeiras nas paredes e um sofá vermelho macio, se prova o gosto real, de aconchego e dádiva que é ter felicidade.

Sentimento gostoso e pleno que não carece lugar pra se ter&ser...
Santa felicidad, me haces bien!


terça-feira, 30 de junho de 2009

deixe que a vida te despenteie....




"Hoje aprendi que é preciso deixar que a vida te despenteie, por isso decidi aproveitar a vida com mais intensidade… O mundo é louco, definitivamente louco… O que é gostoso, engorda. O que é lindo, custa caro. O sol que ilumina o teu rosto, te enruga. E o que é realmente bom dessa vida, despenteia… Fazer amor, despenteia. Rir às gargalhadas, despenteia. Viajar, voar, correr, entrar no mar, despenteia. Tirar a roupa, despenteia. Beijar a pessoa amada, despenteia. Brincar, despenteia. Cantar até ficar sem ar, despenteia. Dançar até duvidar se foi boa idéia colovai estar mais despenteada a mulher que decide ir no primeiro carrinho da montanha russa, em relação àquela que decide não subir.
O que realmente importa é que ao me olhar no espelho, eu veja a mulher que devo ser. Por isso, minha recomendação a todas as mulheres: entregue-se, coma coisas gostosas, beije, abrace, dance, apaixone-se, relaxe, viaje, pule, durma tarde, acorde cedo, corra, voe, cante, arrume-se para ficar linda, arrume-se para ficar confortácar aqueles saltos gigantes essa noite, deixa seu cabelo irreconhecível…
Então, como sempre, cada vez que a gente encontrar eu vou estar com o cabelo bagunçado… Mas pode ter certeza que estarei passando pelo momento mais feliz da minha vida. É a lei da vida: sempre vel! Admire a paisagem, aproveite, e acima de tudo, deixe a vida te despentear!!!!
O pior que pode acontecer é que, rindo em frente ao espelho, você precise se pentear de novo..."

Desconheço o autor, recebi da Márcia Cardoso, compartilho e sigo descabelada!
Como diz o Carpinejar: a vida é pra ser usada!

sábado, 27 de junho de 2009

"espero que Michael Jackson chegue criança no céu"

Eu fiquei muito revoltada e triste, com uma cena que mostrava a menina Maísa ( criança considerada prodígio que tem ou tinha programa no SBT) chorar e implorar pro “patrão” Silvio Santos que queria ir embora, que estava doendo a cabeça que havia batido há pouco, correr pro backstage e de lá por alguma alma “gentil” ser enviada a cena novamente...Abaixo de riso das estúpidas colegas de trabalho e do patrão.
Cena triste e que me vem a cabeça novamente, com a morte do Michael Jackson, que eu também conheci criança.


Falando nessa morte, muito bom o texto de Ricardo Soneto que acabo de ler no blog The Bystander Num trecho destaco: “Numa entrevista à suprema sacerdotisa do marketing, Oprah Winfrey, o cantor revelou os tormentos de um trabalho duríssimo para fazer os magníficos registros pops nos estúdios da Motown (que nos fazem dançar, como gemas sonoras milagrosas, até hoje), e da sua melancolia, de partir o coração, ao olhar o parquinho ao lado do prédio da gravadora e ver as crianças vivendo as brincadeiras e alegrias que seu precoce talento impedia. Um pouco da alma ficava em cada fonograma.”

Concordo com quase tudo que li ali, mas principalmente com a sensação triste de que essa criança nunca teve paz! Nunca teve o direito de ser criança e que todas as suas extravagâncias eram pedidos tortos de socorro.

Nunca fui prodígio e tive infância com pátio, graças a Deus, tive tempo, fui boba, desdentada, desgrenhada brincando de bolo de barro sem nenhum paparazzo registrar minha “tarde feliz na pequena cidade de Itaqui”, nenhum registro além da memória do primeiro banho de mar, do primeiro tombo de bicicleta, da primeira apresentação pro grande público.
E assim com direito a sorrisos espontâneos e lembranças únicas, cresci.
Penso sempre que fui moldada naquele barro, naquelas tardes, sob aquele céu de nuvens formando imagens, sou esse amontoado de vida que descobri na infância.

Então, como o Ricardo espero que Michael chegue criança no céu e que por lá haja um parquinho, onde enfim o menino possa brincar.
Gosto de crer nessa outra vida além vida, como resgate, como luz, com a paz e a tranquilidade que muitas vezes perdemos ao perder a espontaneidade de ser e livremente agir.

Que haja um parque lindo no céu e que lá meu tio Orlando que sempre gostou tanto de conhecer gente esteja conversando com a Farrah-Fawcett, contando histórias, sorrindo e sendo admirado como merece, enquanto Michael brinca de balanço.

Que haja um parquinho no céu, amém!!