sexta-feira, 28 de novembro de 2008

a foto/cidade que me inspirou...


foto Alexandre Godinho

Pequena

Todas as cidades
são pequenas
na minha memória de infância
todas tem vento norte
trovões,raios,
vidros cobertos, palmas bentas
e cheiro de terra molhada depois
tem muros de pedras e segredos de túmulos
ruas de terra, rios ao fundo
todas guardam sonhos de grandezas
em pés direitos baixos,
esperanças
e olhares perdidos nas janelas.
Todas as cidades de antes me guardam
em pequenas porções de saudades e medo
de expectativa e frustração
num arsenal de cheiros
todas as cidades me tem pequena...
sou um mapa antigo
de todos os lugares por onde andei
onde fui, o que fui
sem volta...

Minha primeira cidade, Itaqui fez 150 anos e eu vibrei feliz ao vê-la na TV, sorridente e iluminada de sol!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

luz!




Foto magnífica da qual infelizmente não sei autor, mas que precisa ser vista!

Que as pequenas e desagradáveis coisas e pessoas não nos contaminem com suas insignificâncias e que os grandes sentimentos e as emoções positivas sempre nos iluminem de certeza!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Vivo, vivíssimo...José Saramago

Denise uma amiga de longa data que sempre me presenteia com músicas de além mar e outras tantas, acaba de me apresentar o Caderno de Saramago, de onde tiro esse recente post:

"Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…"

Visitem...http://caderno.josesaramago.org

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

recompensa?

A velha história
insistentemente
Reprisada-represada
entre Sherazade
e Amélia
Madre Teresa sexuada
a mulher-criança
abandonada
em mil e uma noites
inventando as tramas
de sempre...
Dócil, meiga
Esperta, perspicaz
Fogosa e carente
Fazendo de tudo
pra ser vista
aplaudida e amada
como se amor fosse
uma forma de recompensa
por bom comportamento...

E NÃO É !!!!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

um povo sorridente!!!

Tenho um conhecido de longa data, que foi trabalhar como modelo em Portugal e apaixonado por uma portuguesa, lá casou e se estabeleceu.
Falamos eventualmente por MSN e fico sabendo das boas campanhas publicitárias que faz por lá, dos euros que ganha e dos planos sempre muito otimistas.
Hoje ele me comentou que em Portugal, “os loucos e os felizes” destoam do geral, fazem à diferença e conquistam mais. Assegurou-me que o “fado” mais que a musica típica da região, é a forma que o povo em sua maioria enxerga a vida, uma espécie de personificação do pessimismo vigente.
Aí pensei o quão mais gratos deveríamos ser aos índios e aos negros, já que não foi obviamente da colonização européia que herdamos a leveza e o olhar às vezes ingênuo, mas quase sempre lúdico esperançoso e criativo que carregamos na alma.
Sim, por que a fora a importação de valores deploráveis Made USA, de ganância, poder e valorização excessiva da aparência preterindo a essência, que tem contaminado alguns por aqui, em linhas gerais, somos um povo de boa índole e fé, um povo que faz samba e não fado, que dança e ri, que celebra detalhes, que faz piada da dor e ainda se encanta e acredita com a veemência das crianças e isso que nos faz diferentes, é uma dádiva!
Além da natureza abençoada, que nos privilegiou com vista pro mar e serras lindas, mantemos essa “loucura de continuarmos felizes”, apesar dos pesares, talvez sejamos um povo distraído, o fato é que muitas vezes não nos fixando nos pesares, constantemente inventamos um jeito supera-los.

Quase como eleitora, torci pelo Obama, agora pós-vitória, algo de português em mim, me faz temer pelo seu futuro e pela excessiva carga sobre seus ombros, já algo da minha alma negra e indígena, me faz comemorar, esse fato histórico.
Espero que ele tenha a ginga, a habilidade e a criatividade necessárias, e que venha fazer diferença para os Estados Unidos. assim como “os loucos e os felizes” de Portugal.
Já que importamos tanto da América, recebamos essa mudança como uma nova carga de sorridentes possibilidades.