segunda-feira, 13 de outubro de 2008

um homem e tanto...

Eu gosto de gente, assim bato o olho, aprumo o ouvido, presto atenção no jeito que fala, canta, ri, suspira, se envergonha,coça a cabeça e assim acende meu gostar, por que gosto de gente que me parece gente e não gente personagem, não gente paisagem , gosto de gente que me desperta a humanidade, com quem eu tenho vontade de continuar conversando noite a dentro, gente que me dá mostras de que tem alma e coração do melhor tipo, e com quem tenho vontade de conviver.
E desse tipo de gente que ri com os olhos, que não tem necessidade de se fazer maior, nem se engrandecer, gosto ainda mais, e nesse final de semana, fiquei assim encantada pelo Ivo Pitanguy, não o conheci de pertinho, mas fiquei louca pra levá-lo pra algum café e continuar a conversa, que teve com a Marília Gabriela e que eu assisti.
Disse ele uma verdade que eu compartilho, antes de ser um cirurgião plástico, todos são médicos, e por formação devem reconhecer sintomas e patologias, e não devem levar pra uma sala de cirurgia e pra ponta de um bisturi, alguém que está fora de seu juízo perfeito e por isso “se odiando”, uma coisa é dar a uma pessoa uma melhor qualidade de vida, livrando-a de um complexo ou de uma indesejada situação, outra bem diferente é estar diante de um ser infeliz e que quer trocar tudo, que não tem uma correção de nariz, pálpebras, orelhas, queixo, barriga ou seio, mas alguém que tem uma insatisfação generalizada e quer ser outra pessoa, isso se trata com psiquiatra.
A Marília Gabriela num dado momento pergunta, e o senhor nessa área estética, o que já fez? Ele sorriu de um jeito meio menino e disse: "nunca fiz nada, nem botox, nem plástica, ás vezes me incomodo com algum detalhe, penso em fazer, mas tenho preguiça, medo também um pouco, mas principalmente tenho um ego tolerante, me agüento bem!"
Achei o máximo que o maior nome em cirurgia plástica, a grande referência, reconhecido internacionalmente, que implantou há 47 anos na Santa Casa uma escola e já formou inúmeros cirurgiões, desenvolvendo um trabalho que aproximou a cirurgia plástica, estética e de reparação as classes menos favorecidas, nunca tenha feito um “reparo” e nem tenha sentido necessidade de.
Gostei ainda mais do Dr Ivo, pelo comentário que fez em relação a industria da cirurgia plástica: " se algo te incomoda e seja possível reverter, faça, mas por ti, não por nenhum tipo de pressão externa, nem por que é moda, nem por que teu emprego exige, que isso é patético".
E finalmente pelo sábio conselho de beleza que deu, ele acredita que o grande segredo é: " cercar-se de pessoas de bom humor e desenvolver um ego que tenha bastante tolerância".

Amei reconhecer nele um grande homem, uma grande personalidade e uma ética exemplar, que merece todo o reconhecimento e aplausos pelos seus anos de estudo e experiência, tomara que um dia possamos tomar aquele café.

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