sexta-feira, 26 de setembro de 2008

paixão...amor?

Café Filô, 10 anos, assunto PAIXÃO, a platéia lotada ouvia com interesse a opinião do filósofo e jornalista Ruy Carlos Ostermann, da educadora Esther Grossi, do cineasta José Pedro Goulart, dos psiquiatras e psicanalistas Almerindo Boff e Mathias Strassburger.
Os comentários concentrados na paixão amorosa, oscilavam entre os que desmereciam a paixão qualificando-a quase como doença, outros ufanistas, considerando-a motor de propulsão, outros acusando-a de ser o “ideal utópico” que infelicita á todos nós, eis que o psiquiatra Almerindo Boff disse que iria se prender na questão química, e entre endorfinas e dopaminas, foi que comecei a perceber.
Logo depois o Zé Pedro comentou que o Vinícius de Morais com seus incontáveis casamentos, era um viciado, que precisava da ebulição pra estar aceso, pra escrever, pra se inspirar, pra assobiar e não era de amor e sim da paixão que se referia ao dizer: “que seja infinito enquanto dure”, e aí fui obrigada a me reconhecer.

Eu que sempre me julguei uma sócia-fundadora do fã-clube do amor, eu que já fiz poesia e textos variados sobre o tema, percebi que além de não saber quase nada do assunto, sempre estive confundindo os dois, sim confesso: confundo, chamo paixão de amor, há anos.
Por isso não encontro e se encontro não reconheço...
O desassossego, o destempero, a rima rica, a sensação de estar á flor-da-pele e exposta, o riso- seguido de choro, isso que inflama, é chama, nada infinita, é a bendita-maldita.
como um vício, paixão é o nome disso...

Todos concordaram que a paixão é fugaz, não dura mais de dois anos, o psiquiatra que se prendeu na questão química assegurou, ninguém agüentaria, seria a paixão uma espécie de surto, cegueira voluntária ou pior um ato extremo de narcisismo, já que o apaixonado não vê o outro o recria e se recria, projeção ilusória e com os dias contados.
Depois dela, todos foram todos unânimes, só restam dois caminhos: o fim da sensação ou o início do amor.

Ah, o AMOR assim maiúsculo, seria a plenitude, o real encontro, quando o outro se apropria do seu exato valor, coisa que a paixão desvirtua e confunde.
Todos, eles sim do fã-clube do amor, o tem como um sentimento sublime, leve, que nos impulsiona a ser melhores, nos tranquiliza, e nos acompanha sem dor.
O amor é aconchego, é escolha, o caminho feito por querer, a opção.

Aí, lembrei de um texto antigo, onde eu sob efeito de uma paixão ainda latente escrevi: ...” acalento ter com alguém a felicidade de conviver uma pós-ebulição também prazerosa, e espero e acredito nisso...mesmo que tenha desistido (hoje) de chamá-la de amor.!”

Estava desmerecendo o amor por confusão, é sim o AMOR, a chance de uma felicidade prazerosa pós-ebulição, e apaixonadamente quero acreditar!

Um comentário:

Manuel disse...

É sempre noite neste blog... Que massa!

Pois é, prima, vejo-me cada vez mais inclinado a duas visões: Uma que ressalta (aos meus olhos) que a forma de amar é mesmo uma questão de gênero. Outra que me convida a crer que não existe amor conjugal. Não da forma como se diz ser. Pra mim "ele dá e passa". Num tempo mais longo que o da paixão e com propostas mais bem elaboradas, complexas, abrangentes, que extrapolam os interesses mais egoísticos do prazer; do saciar-se. Noto o quanto é importante para as mulheres esse tipo de relacionamento. Noto, também, como os homens só querem parte dele (a parte das coxas, peitos e sexo, né?...) e desprezam-no no seu todo. Os caras se esquivam. Brincam. Acabei trilhando um caminho que me fez não confiar (hoje) em nenhuma dessas duas formas de “ter alguém”. Para mim, na “forma de amar feminina” tem muita entrega (seria uma sacanagem comigo...) e na masculina tem um “tomar sem deixar nada em troca” (uma sacanagem com o outro). Não sei onde vai dar esse prisma que ora me guia. É meio chato “enxergar” tanta coisa (claro que o “enxergar” não significa que eu vejo, num mundo onde quase todos não vêem. Não é isso. Significa que é como as coisas acontecem dentro dos meus olhos – infelizmente, talvez.). Vejo (hoje) um universo de possibilidades que só são realmente viáveis para um cara sozinho. Um convite sedutor da vida. Um dia caio nessa tentação. Ahahahah!