terça-feira, 16 de setembro de 2008

Blindness...Ensaio sobre a cegueira...




Assim como o jogo de palavras que a personagem da Julianne Moore faz no filme Ensaio sobre a cegueira, logo no início, fazendo uma conexão da possível doença, que teria o mesmo prefixo grego Agnos com Agnosticismo como privação ou negação.
Blindness, mais que sem visão, me lembra blindado, fechado em si e é essa cegueira que o filme me denunciou, uma metáfora triste, real,profunda e apavorante.
De alguma forma estamos todos ficando cegos e egoístas, centrados e estúpidos, fúteis e superficiais nos nossos julgamentos,nos nossos valores, nas nossas prioridades e na convivência banal com a sordidez do mundo.
Não por acaso, nenhum personagem tem nome, é dessa cegueira que nos reduz a numeros e estômagos que o Saramago se refere, essa que pode nos distanciar terrivelmente, como tem feito, ou quem sabe, num lapso de humanidade e desespero, tornar a nos unir... A cegueira do limite!
Enxergar é querer ver, é estar de sentidos abertos, estar pronto pra perceber com ou sem os olhos, é estar apto.
A nossa cegueira diária é a indisponibilidade de realmente ver o outro e nós mesmos, distância cega e muda que espero reversível.

Filme Ensaio sobre a cegueira
Adaptação e direção:Fernando Meirelles
do romance de José Saramago

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