segunda-feira, 29 de setembro de 2008

www.saraslomka.com.br






“Eu não viajo para ir a algum lugar, mas para ir. Eu viajo por viajar. A grande emoção é se mover.” Robert Louis Stevenson.

Assim a Sara(Sarinha) define suas duas paixões, as viagesn e o registro fotográfico dessas viagens.
Eu tenho a sorte de conhecê-la há alguns anos quando sua filha linda quis ser modelo, nos recebeu na sua casa aconchegante, na sua familia aconchegante e desde então, cada vez que a encontro, fico sempre um pouco mais colorida, por que ela me conta da ultima ou da próxima viagem, e tem tanta luz que é impossível não se contaminar de alegria ao abraçá-la.

Grata Sarinha por me levar pra viajar contigo agora no teu site...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

paixão...amor?

Café Filô, 10 anos, assunto PAIXÃO, a platéia lotada ouvia com interesse a opinião do filósofo e jornalista Ruy Carlos Ostermann, da educadora Esther Grossi, do cineasta José Pedro Goulart, dos psiquiatras e psicanalistas Almerindo Boff e Mathias Strassburger.
Os comentários concentrados na paixão amorosa, oscilavam entre os que desmereciam a paixão qualificando-a quase como doença, outros ufanistas, considerando-a motor de propulsão, outros acusando-a de ser o “ideal utópico” que infelicita á todos nós, eis que o psiquiatra Almerindo Boff disse que iria se prender na questão química, e entre endorfinas e dopaminas, foi que comecei a perceber.
Logo depois o Zé Pedro comentou que o Vinícius de Morais com seus incontáveis casamentos, era um viciado, que precisava da ebulição pra estar aceso, pra escrever, pra se inspirar, pra assobiar e não era de amor e sim da paixão que se referia ao dizer: “que seja infinito enquanto dure”, e aí fui obrigada a me reconhecer.

Eu que sempre me julguei uma sócia-fundadora do fã-clube do amor, eu que já fiz poesia e textos variados sobre o tema, percebi que além de não saber quase nada do assunto, sempre estive confundindo os dois, sim confesso: confundo, chamo paixão de amor, há anos.
Por isso não encontro e se encontro não reconheço...
O desassossego, o destempero, a rima rica, a sensação de estar á flor-da-pele e exposta, o riso- seguido de choro, isso que inflama, é chama, nada infinita, é a bendita-maldita.
como um vício, paixão é o nome disso...

Todos concordaram que a paixão é fugaz, não dura mais de dois anos, o psiquiatra que se prendeu na questão química assegurou, ninguém agüentaria, seria a paixão uma espécie de surto, cegueira voluntária ou pior um ato extremo de narcisismo, já que o apaixonado não vê o outro o recria e se recria, projeção ilusória e com os dias contados.
Depois dela, todos foram todos unânimes, só restam dois caminhos: o fim da sensação ou o início do amor.

Ah, o AMOR assim maiúsculo, seria a plenitude, o real encontro, quando o outro se apropria do seu exato valor, coisa que a paixão desvirtua e confunde.
Todos, eles sim do fã-clube do amor, o tem como um sentimento sublime, leve, que nos impulsiona a ser melhores, nos tranquiliza, e nos acompanha sem dor.
O amor é aconchego, é escolha, o caminho feito por querer, a opção.

Aí, lembrei de um texto antigo, onde eu sob efeito de uma paixão ainda latente escrevi: ...” acalento ter com alguém a felicidade de conviver uma pós-ebulição também prazerosa, e espero e acredito nisso...mesmo que tenha desistido (hoje) de chamá-la de amor.!”

Estava desmerecendo o amor por confusão, é sim o AMOR, a chance de uma felicidade prazerosa pós-ebulição, e apaixonadamente quero acreditar!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Blindness...Ensaio sobre a cegueira...




Assim como o jogo de palavras que a personagem da Julianne Moore faz no filme Ensaio sobre a cegueira, logo no início, fazendo uma conexão da possível doença, que teria o mesmo prefixo grego Agnos com Agnosticismo como privação ou negação.
Blindness, mais que sem visão, me lembra blindado, fechado em si e é essa cegueira que o filme me denunciou, uma metáfora triste, real,profunda e apavorante.
De alguma forma estamos todos ficando cegos e egoístas, centrados e estúpidos, fúteis e superficiais nos nossos julgamentos,nos nossos valores, nas nossas prioridades e na convivência banal com a sordidez do mundo.
Não por acaso, nenhum personagem tem nome, é dessa cegueira que nos reduz a numeros e estômagos que o Saramago se refere, essa que pode nos distanciar terrivelmente, como tem feito, ou quem sabe, num lapso de humanidade e desespero, tornar a nos unir... A cegueira do limite!
Enxergar é querer ver, é estar de sentidos abertos, estar pronto pra perceber com ou sem os olhos, é estar apto.
A nossa cegueira diária é a indisponibilidade de realmente ver o outro e nós mesmos, distância cega e muda que espero reversível.

Filme Ensaio sobre a cegueira
Adaptação e direção:Fernando Meirelles
do romance de José Saramago

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

acendendo lembranças e primaveras...




A turma da comunicação de Santa Maria era responsável pela feira do livro, e assim fomos rumo a porto alegre, falar com livreiros, editoras, escolher livros, convidar pessoas...Não sei exatamente como o convidado ilustre foi chamado, como aceitou, como veio, mas lembro-o como se fosse hoje, como os dedos muito longos e olhar de uma profundidade sem fim, no coreto da praça autografando, com uma bata branca e uma bandana na cabeça, destacando-se na multidão. Com uma tranqüilidade zen, que a nós que havíamos devorado seus livros, parecia fervilhar desespero por dentro, observávamos seu silêncio, compenetrados, como discípulos que aguardam uma grande revelação após um suspiro. Caio bebia chá conosco, esquentava as mãos longas e nos olhava simplesmente, nos via jovens, ansiosos e de algum jeito muito próprio e intimo nos sentia interpretando seus textos, seus pensamentos, suas humanas buscas, dores e contradições. Ele parecia antever que o tempo nos faria surpresas, nem sempre agradáveis, ele parecia entender o quão estúpida e vil a vida pode ser e temia e torcia por nós. Assim lembro dele, nessa intimidade que a leitura e o silencio dão...

Lembro também das tantas vezes que chorei ao lê-lo, das tantas que voltei a reler um parágrafo ou um conto inteiro, que a minha vida parecia reprisar. Tive um namorado, que quando me via lendo Caio ia embora, me deixava sozinha, sabia que eu ia precisar algum silêncio e alguma lágrima solitária depois, assim eu e Caio nos entendíamos e fomos íntimos e muito próximos.

A ultima vez que nos vimos, estava já muito debilitado, num show do Péricles Cavalcante, se não me falha a memória, estava ladeado de dois grandes amigos Adriana Calcanhoto e Luciano Alabarse, num degrau aguardava a abertura da sala, lembro que num pedaço de papel escrevi:
quis te dar um jardim de margaridas
pra encher de primavera
o teu agosto
acender sol quente
nesse teu ar chuvoso
dar novos gostos, doces
pra desfazer teu desgosto

Mais ou menos isso, um bilhete sem cópia, que ele pegou com os dedos longos e me sorriu, meu desejo vivo de que ele resistisse, brilhasse e me interpretasse por mais tempo...
Ele se foi pouco depois, mas me acompanha em frases que releio e em lembranças que re-visito, como essa. E me interpreta, em cada fim ou nova dor, quando sigo por que segue o vento e o céu está azul:
..."Não ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy-ends cinderelescos, ela queria acreditar. Até a noite súbita em que não conseguiu mais. ... Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul- aquela não dor, afinal."(ao simulacro da imagérie - Caio Fernando Abreu)

E em cada recomeço, quando de um jeito não tolo, volto a querer acreditar. E por pura magia do querer, acendo primaveras e faço sol.

sábado, 6 de setembro de 2008

DEUS ..na internet

Estamos no engatinhar dos sentimentos todos
somos tolos
e é propósito de quem nos quer ensinar

DEUS é um grande jogador.
que ganha todas

E nos encaminha bem
move as peças com bondade
nos leva por esse fio invisível cheio de sentido a ele e tão estranho a nós
ao mesmo tempo tão íntimo

Deus é a própria itimidade
de tão perto, ofusca
de tão parte, encaixa
é o FUSCA quando pensamos mercedes.
é a asa quando penamos poço
a seiva quando o adubo falha
a luz que buscamos em todos os túneis
o sol nosso de cada dia

a chuva na seca da bondade
a caridade em visita

a criança que em nós aprecia joaninhas
o esforço do broto entre as calçadas.
o florescer primavera em qualquer tempo
o abrigo único quando o relento domina
o lento regresso pro centro
Deus é este viés que buscamos
de todas as jóias, a mina
o brilho dos olhos no desejar dos amantes
a asa entre quedas e risos, que tramamos
O don Quixote de Cervantes
os moinhos, as esperanças, as crianças, os gira-sóis
ele é um e todos nós
..
ao mesmo tempo
A mão descansada sobre o espaldar dos colos
.
o olhar buscando abrigo no horizonte
A queixa acolhida.
na hora do vacilo

o sopro na ferida
a mão que segura a testa
a dose oportuna que resta
esse Deus que nos habita
espia por nossas frestas

sabe das nossas entregas
e nos carrega no colo, quando queremos parar
Quando vagamos feito cão banido
é nossa ração e sentido
ou quando pássaros feridos latejantes nas distâncias dos vôos.
Deus é mãe em vigília.
Porta em espera enquanto tateamos tanto.

é orgulho de filha e colo certo
pai por perto frente ao tremer do perigo
Deus é abrigo
amigo que não tem hora




Deus em sala de bate-papo, é poema a 4 mãos, como agora
Idésio e
Nadia

tenho pés...que andam...

...isso vai soar como uma pollyanice medonha, mas o fato é que andar e enxergar,me são privilégios inegáveis, também ouço, o que é um luxo, também tenho controle dos braços, logo abraços e colos são delícias ao meu alcance, uma boca que fala e beija, e gosta muitíssimo dos dois, enfim uma humana bem completa (complexa) de equipamentos funcionais, e quase sempre feliz!
A seguir a série pés, que idealizei e guardei...

aos pés de Barcelona...
aos pés de onde andou Lorca, Granada
aos pés da boêmia de Pigalle
aos pés dos Jardins de Luxemburgo
quando os pés pedem paz
aos pés de Gibraltar
aos pés de Gaudí
aos pés do mar azul de San Sebastian

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

http://www.myspace.com/escoladerobo

A grande vantagem da internet: os contatos, o acesso, a rapidez. Alguém que pelo meu Orkut sabe que curto Lemiski, me indica pra ouvir a musica Alem Alma, adaptação do grupo de músicos curitibanos Escola de Robô, como eu curti os guris, estou aqui compartilhando...ouçam também...e prestem atenção na letra que é TUDODEBOM!!!

Além alma
(Paulo Leminski / Cassyano Correr)

Meu coração lá de longe
Faz sinal que quer voltar
Já no peito trago em bronze:
Não tem vaga nem lugar

Pra que me serve um negócio
Que não cessa de bater?
Mais me parece um relógio
Que acaba de enlouquecer.

Pra que é que eu quero quem chora
Se estou tão bem assim
E o vazio que vai lá fora
Cai macio dentro de mim?


UM vazio que cai macio...é uma rima, que não creio....
E para um peito em bronze "não tem vaga nem lugar", meu pesar... e a lembraça:"Um erro em bronze é um erro eterno"...

Ser mulher é difícil PRA OVÁRIO!!!!!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

PERDOR...

Chamei de perdor
esse vazio
habitado de pena
a carga de perda
e de dor, dos finais

uma necessidade extrema
de se auto-piedar-perdoar
o luto do que se sonhou
sem conseguir realizar...

ou talvez perdor seja mais
seja esse não sei quê
que sobra murcho
onde deveria vingar
a esperança...

a dor do sem sentido
por que sem sentido
a gente é quase nada

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

couraça e ninho...

Nem todos os bichos assustam
Uns fazem companhia
E precisam fazer ninhos
Em cantos quentinhos da alma
Todos, mesmos os mais terríveis
Nos pertencem, nos permeiam,
São tão nossos, quanto os cheiros
Que transpiramos, únicos
Refazem nova pele e às vezes
Nos fazem couraça
Fazem a emoção perder o rumo
E escorrer cara a fora

Como o engasgo que surge quando a palavra não basta
Como o tecido do coração que de tanto ser, esgaça...

todos carecemos ninho