quinta-feira, 24 de julho de 2008

Strip-tease...

Martha Medeiros: "Strip-Tease. É o título do meu primeiro livro, lançado em 1985. Era um livrinho pequeno, de poemas, onde eu me desnudava. Escrever é se expor, não é? Ai, como eu sofria. Quando ficava sabendo que algum conhecido havia lido, me sentia nua - é bem essa a sensação de publicar poemas, pela primeira vez, aos 20 anos".

Em 1985, eu recém chegada em Porto Alegre, com poucos amigos, me agarrei a esse livro, como companhia de tardes no sol da redenção, de silêncio cúmplice e identificação, foi como se folheasse um diário e foi mágico, por que ali, nas margens brancas, comecei a escrever também, comecei a querer e gostar desse desnudamento.
De certa forma, continuo anos luz daquelas tardes, fazendo meus Strip-teases particulares,me expondo em poemas de ônibus e blogs pela vida, e é delicioso conseguir vestir uma emoção de palavra e deixá-la lá, não mais tão nossa e ao mesmo tempo tão íntima.
Escrever é esse exetrcício que descrevo aí em cima, de tentar se adonar do tempo, fotografar a emoção pra poder revê-la tempos depois e de alguma forma áinda ser inundada ou iluminada por ela, eternizá-la.

Gosto imensamente de quase tudo que leio da Martha, muitas vezes me atinge em cheio: na dificuldade pouco revelada, na ilusão recém perdida, nas necessidades escancaradas, fala por mim e em mim, com aquela intimidade que os expostos tem, com uma amizade que nunca tivemos (infelizmente) mas que começou ali, quando assisti seu primeiro strip-tease.

Aliás, assistimos na mesma fileira o show intimista e belo do Jorge Drexler, e ali reafirmei uma sensação que muito me visita, quando me encontro nas palavras, músicas e nas emoções de outras pessoas, dá uma vontade de ser amigo íntimo e sair dali pra sentar num bar desses que tem sofás enormes e brindar essa capacidade linda, que muitas pessoas tem, de nos deixar mais vivos e expostos!

Salve Jorge, Salve Martha, um brinde a emoção acesa e nua!!!

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