segunda-feira, 23 de junho de 2008

a felicidade brinca de se esconder, nas ruas , nas calçadas, nas noites, antigamente

Sabe quando ser tratada com respeito e consideração vira novidade?
Vira fato isolado, vira notícia?
Mundinho torto esse, onde alguém dar o lugar, no ônibus, na fila, no trânsito, é exceção. Onde alguém fazer menção de ajudar a carregar uma sacola, gera receio. Onde alguém parar para dar informação ou cumprimentar simplesmente, não por conhecer ,mas por freqüentar os mesmos lugares, é estranho.
Onde eu nasci e quando, que aí se interpõem além do espaço um tempo grande, as pessoas todas se conheciam, sentavam nas calçadas e tinham sempre uma palavra para quem passasse: _ E a tua mãe, como anda? – E as crianças? _ Teu tio melhorou da coluna?
Isso tudo me viciou em cortesia , me fez pensar que o resto do mundo era assim, pessoas que se cruzavam, e íntimas ou não,eram naturalmente gentis.
Até escrevi: antigamente as noites tinham, cadeiras nas calçadas, estrelas e grilos...a felicidade brinca de se esconder, nas ruas, nas calçadas, nas noites...antigamente.
Mas, foi se o tempo...Mudei de cidade, idade, mudou o mundo!
Mudei eu... E percebi mais uma vez isso hoje, quando recebi uma e-mail super gentil e simpático, de um estranho, me dando as informações que solicitei e de quem sinceramente não esperava retorno.

E assim mudando, vamos seguindo, piorando consideravelmente nossa qualidade de vida, nossa qualidade de relacionamentos, nossas possibilidades de troca e de saudável convivência.
Aquele ser simpático que segura a porta do elevador, pode ser simplesmente um humano melhor resolvido, um filho do interior, não necessariamente “um lance”, pode estar tendo um relance de cordialidade e respeito, agradeça, sorria e diga:- bem vindo!
_Bem vindo ao mundinho torto, alienígena!
Por favor, me ajude a voltar a ser aquela viciada em cordialidade que um dia achava felicidade e gente em quase todo lugar.
Obrigado moço, que respondeu o e-mail sem ter noção de quem era essa pessoa que perguntava informações, ajudou a sacudir meu dia, e principalmente, como um senhor sentado nas calçadas de Itaqui me questionou: _ E aquela Nádia, onde anda?

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