quarta-feira, 7 de maio de 2008

mexida por dentro...

Ando vendo e lendo coisas que tem me mexido por dentro, na praia foi o Osho lembrando:“quem tem um complexo de inferioridade está sempre esperando que alguém o insulte”, que logo ampliei para a compreensão de todos os complexos e dificuldades de comunicação e relacionamento humanos, depois as Cartas do Caio “a partir de agora quero que a vida seja hoje”, revi p filme “as horas” com tantas dores de difícil solução. Volta a lembrança triste e amarga da minha avó que cultivava dores como samambaias e com quem nunca consegui trocar, as pessoas que convivo e insistem em dificultar ainda mais a vida, perdendo detalhes deliciosos e diários, lembro eu mesmo de agora e de antes.
Ah, a vida não é brincadeira, num dado momento, nos tira as certezas nos deixa caídos e desamparados, é a passagem do sonho para realidade que é sempre um abismo louco & longo... de onde podemos alçar vôo ou cair para sempre. Viver é esse exercício de fazer escolhas, assim definitivas entre a vida e a morte, entre viver cada minuto com o peso da responsabilidade de ser único ou com a leveza de que é frágil, passageiro e só nos resta vivê-lo intensamente (ou não) mas sempre seremos donos da história e da escolha.
Já fui mais pesada em relação a vida, um bom saturno (capricórnio) carregando minha casa natal e dando um jeito meio cinza e dramático de viver, eu era triste e depressiva...me alimentava de dores e lia Fernando Pessoa, Clarisse, Cortázar,Caio Fernando Abreu, Lia Luft,etc... era quase um exercício de silêncio&solidão...difícil explicar, mas naquele tempo era como se ser feliz fosse um egoísmo extremo, uma inconsciência, uma alienação...
Mas PASSOU! Não sei se foi por que o Renato Russo disse que era preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, ou por que deixei de me levar a sério, ou por que a vida ficou tão caótica que ficou cômica, ou se foi a lua em leão, ou meu ascendente que é peixes e me amoleceu, ou se foi por que minha barriga fez nenê e ter vida dentro da gente muda o fluxo, ah, eu não sei... de repente, não queria mais fomentar a dor, foi como se a tal felicidade, que eu sempre soube merecer e procurava em bocas e braços alheios, me fizesse um "psiu" me chamando para dentro, como se a consciência tivesse descoberto a Bahia, e brincasse nas águas de Arraial, foi assim num minuto qualquer que optei pela vida,
A leveza da vida, não me queria mais exposta e em carne viva,
deixei de cutucar as feridas de sempre, de espalhar pelo caminho as pedras que fatalmente me derrubavam, me perdoei de várias asneiras, deixei de engessar os braços antes de subir nos muros, de criar pontes quebradas me impossibilitando seguir, talvez tenha sido Manoel da Barros que me disse "que os passarinhos de NY também tem duas patas e que tudo era só vento e aflição do espírito"...foi um soma de pequenos detalhes, poesias, palavras, filmes, foi beijos gostoso que passaram sem deixar um gosto ácido na boca, foi alguns abraços, alguns sonhos que reinventei, cores que voltei a ver, foi a vida me convidando prá dançar, e dessa vez não era tango.... Hoje sei que as dores todas eram minhas, criadas por mim, vendo através da lente dos meus complexos, super valorizando meus medos, minha incapacidade de me encarar , eram diques ... palavras entaladas na garganta que só sabiam arder, culpas, medos, sufoco...eram meus escudos.
A vida é linda, brilha...e se ás vezes dói, é como diz a Virgínia no filme “as horas”: "é preciso alguém morrer para os outros valorizarem a vida"... talvez a Nádia sem esperança tenha morrido, mas a que ficou está voando...refiz minhas asas, é sempre primavera, vento norte e eu mereço! Merecemos!

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