quinta-feira, 15 de maio de 2008

no sol de amanhã voaremos...

É impressionante a nossa capacidade de puxar o pé pra baixo perto de um precipício, de desconsiderar nossas asas e o nosso poder de superação.
Às vezes caímos nas nossas próprias ciladas, ficamos rodando em circulo numa valorização excessiva da dor, arrancando cascas de ferida, cutucando nossas incapacidades, infiltrando infelicidade, incutindo muito mais doença do que seria necessário pra fazer a vacina. Nas proximidades de queda, quando estou saudável, tento sempre olhar o sol, como a águia que criada como galinha nunca aprendeu a voar e só querendo atingir a luz consegue parar de ciscar e se desprender.

Tendo também lembrar de um quadrinho do Garfield, quando ele obeso ficou preso numa janela e concluiu sábio: "um dia ainda vou rir muito disso." E do Nelson Ned (era um cantor de antigamente) que se esganiçava cantando:.." E tudo passa, tudo passará, e nada fica, nada ficará.." ...

Leminski sempre soube disso:
Sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora
Calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

É isso, não importa o tamanho da dor, logo adiante a gente goza... felicidade é se lambuzar com gosto gozo
Viver é ficar exposto...

Hoje, exposta e ciscando, preciso lembrar de tudo isso...

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