quinta-feira, 15 de maio de 2008

amar sem medo...

O telefone grita estridente em cima da mesa, ela dá de ombros, é meu namorado diz com um meio sorriso.
Vocês brigaram? Perguntamos quase em coro. Ah, as mulheres são curiosas, e quando o assunto é relacionamento, sempre querem saber por quês.
Não, ela diz quase displicente, mas ele anda muito seguro.
O telefone gritou mais uma vez e foi desligado sem dó.
Minutos antes, um torpedo do amor novo da outra, ainda lhe garantia um sorriso apaixonado e uma resposta quase imediata e suspirante.
A terceira, num inicio de crise no namoro e na auto-estima, impressionada com a frieza da primeira, perguntou : Funciona?
A apaixonada reagiu: Deus me livre um relacionamento onde eu precise ficar jogando desse jeito, brincando de esconde-esconde, fomentando a insegurança, não demonstrando o que estou sentindo...Como pode funcionar não ser de verdade?
A primeira bebeu o chopp calmamente, e como se tecendo uma tese sociológica disse: Eles gostam de conquistar...mais do que gostam, precisam...Aprendi, com o último, não me entrego!
A terceira tomou seu chopp com o olhar perdido, e como se tomada de uma súbita consciência dos seus enganos, constatou: Vai saber o que funciona, eu fico tentando evitar atrito, sou uma namorada parceira e legal, não reclamo, não brigo, não tenho chilique, engulo meus ciúmes, não deixo ele ter um pingo de dúvida ou insegurança e aí, fica essa coisa morna, pareço disponível, me sinto péssima e o bonito, todo confiante, se esquece de me fazer importante. Aposto que ele acha que amor, amor de verdade, era o que sentia pela ex-louca, que fazia da vida dele uma gangorra, a que estava sempre indo embora...Brigando e fazendo as pazes em cenas cinematográficas.
A apaixonada e eu sacudímos a cabeça e bebemos, engolindo caladas, nossa dose.
Não saberíamos jamais qual a real medida, nem a ideal medida de demonstração, ou se poderíamos considerar alguma igualdade de medida para homens e mulheres.
Entre nós, mulheres quais seria o ideal? Os: eu te amoooooooooooooo!! Diárias declarações saudosas do Orkut de uma, se aquela foto do casal sorridente, sem legenda da outra, se as mensagens escritas em depoimentos de leitura exclusiva do namorado de outra, se o telefone tocando solitário, se o torpedo respondido na hora, se a saudade dita de madrugada, se o silêncio do jogo, se o eu te amo dito numa hora de emoção, se o “eu também” dito depois de um eu te amo claramente expresso.
Pedimos outra rodada, brindamos nossa total ignorância no assunto.
Bem no fundo, carecíamos demonstrações sinceras e espontâneas, amores gostosos e cinematográficos, que jamais ficassem mornos. Todas nós tínhamos a mesma necessidade: amar sem medo...E todas, tínhamos muito amor pra dar e medo!

2 comentários:

Deborissima disse...

Adoreeeeeeei!!!

darcy disse...

é bom ler o que vc escreve.