sábado, 27 de dezembro de 2008

de novo....

de novo
um ano novo
e eu nem envelheci
direito
esse de agora

alguma flor renasce
um cheiro toma conta
do agora
uma preguiça
uma promessa
tudo aflora

novo fogo
pra aquecer
o banho-maria
das esperanças
de sempre

tudo pela frente
de novo, de novo, de novo

(minha alma feito um "teletubies lilás" não cansa de acreditar e infantilmente celebrar!)

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

dia branco...

“Se você vier
Pro que der e vier
Comigo...
Eu lhe prometo o sol
Se hoje o sol sair
Ou a chuva...
Se a chuva cair
Se você vier
Até onde a gente chegar
Numa praça
Na beira do mar
Num pedaço de qualquer lugar...
Nesse dia branco
Se branco ele for
Esse tanto
Esse canto de amor

Se você quiser e vier
Pro que der e vier
Comigo..”
Trilha perfeita pra um ritual de amor, musica preferida do meus amigos, 13 anos juntos, 3 filhos lindos, que resolveram confirmar em plena lua cheia, que pretendem continuar amando-se e respeitando-se por todos os dias de suas vidas...
Foi ali, vendo o pai entrar acompanhado das duas filhas e a mãe do filho, que pensei: Todos os casamentos deveriam ser assim! Essas promessas de cumplicidade e intenção fortes, de se acompanhar na saúde e na doença, em jovens em estado de paixão é meramente figurativo,
Precisa ter muito fôlego e resistência um amor pra não morrer, já que no terreno das emoções moram as maiores fragilidades, é preciso um dose maciça de disponibilidade, um que outro reforço em palavras, é preciso um elogio, uma massagem de vez em quando, é preciso intimidade, clareza, vontade de permanecer, desejo e prazer na permanência e não falta de escolha, quem está do nosso lado, merece nosso eu melhor , assim como nós o merecemos. quem já viveu “de um tudo” pode dizer que SIM, que pretende continuar e que SIIIIIIIIM essa amor é forte e valerá a pena!
Fiquei imensamente feliz de ter sido testemunha desse ritual de confirmação, mais do que isso, de ter sido madrinha por que torço que o amor vença, que o amor resista, que o amor seja branco!

Ás vezes, sinto saudade de tudo que deixei de acreditar e gostaria de
ter dias brancos...
Peguei o buquet, quem sabe...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

a foto/cidade que me inspirou...


foto Alexandre Godinho

Pequena

Todas as cidades
são pequenas
na minha memória de infância
todas tem vento norte
trovões,raios,
vidros cobertos, palmas bentas
e cheiro de terra molhada depois
tem muros de pedras e segredos de túmulos
ruas de terra, rios ao fundo
todas guardam sonhos de grandezas
em pés direitos baixos,
esperanças
e olhares perdidos nas janelas.
Todas as cidades de antes me guardam
em pequenas porções de saudades e medo
de expectativa e frustração
num arsenal de cheiros
todas as cidades me tem pequena...
sou um mapa antigo
de todos os lugares por onde andei
onde fui, o que fui
sem volta...

Minha primeira cidade, Itaqui fez 150 anos e eu vibrei feliz ao vê-la na TV, sorridente e iluminada de sol!

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

luz!




Foto magnífica da qual infelizmente não sei autor, mas que precisa ser vista!

Que as pequenas e desagradáveis coisas e pessoas não nos contaminem com suas insignificâncias e que os grandes sentimentos e as emoções positivas sempre nos iluminem de certeza!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Vivo, vivíssimo...José Saramago

Denise uma amiga de longa data que sempre me presenteia com músicas de além mar e outras tantas, acaba de me apresentar o Caderno de Saramago, de onde tiro esse recente post:

"Intento ser, à minha maneira, um estóico prático, mas a indiferença como condição de felicidade nunca teve lugar na minha vida, e se é certo que procuro obstinadamente o sossego do espírito, certo é também que não me libertei nem pretendo libertar-me das paixões. Trato de habituar-me sem excessivo dramatismo à ideia de que o corpo não só é finível, como de certo modo é já, em cada momento, finito. Que importância tem isso, porém, se cada gesto, cada palavra, cada emoção são capazes de negar, também em cada momento, essa finitude? Em verdade, sinto-me vivo, vivíssimo, quando, por uma razão ou por outra, tenho de falar da morte…"

Visitem...http://caderno.josesaramago.org

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

recompensa?

A velha história
insistentemente
Reprisada-represada
entre Sherazade
e Amélia
Madre Teresa sexuada
a mulher-criança
abandonada
em mil e uma noites
inventando as tramas
de sempre...
Dócil, meiga
Esperta, perspicaz
Fogosa e carente
Fazendo de tudo
pra ser vista
aplaudida e amada
como se amor fosse
uma forma de recompensa
por bom comportamento...

E NÃO É !!!!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

um povo sorridente!!!

Tenho um conhecido de longa data, que foi trabalhar como modelo em Portugal e apaixonado por uma portuguesa, lá casou e se estabeleceu.
Falamos eventualmente por MSN e fico sabendo das boas campanhas publicitárias que faz por lá, dos euros que ganha e dos planos sempre muito otimistas.
Hoje ele me comentou que em Portugal, “os loucos e os felizes” destoam do geral, fazem à diferença e conquistam mais. Assegurou-me que o “fado” mais que a musica típica da região, é a forma que o povo em sua maioria enxerga a vida, uma espécie de personificação do pessimismo vigente.
Aí pensei o quão mais gratos deveríamos ser aos índios e aos negros, já que não foi obviamente da colonização européia que herdamos a leveza e o olhar às vezes ingênuo, mas quase sempre lúdico esperançoso e criativo que carregamos na alma.
Sim, por que a fora a importação de valores deploráveis Made USA, de ganância, poder e valorização excessiva da aparência preterindo a essência, que tem contaminado alguns por aqui, em linhas gerais, somos um povo de boa índole e fé, um povo que faz samba e não fado, que dança e ri, que celebra detalhes, que faz piada da dor e ainda se encanta e acredita com a veemência das crianças e isso que nos faz diferentes, é uma dádiva!
Além da natureza abençoada, que nos privilegiou com vista pro mar e serras lindas, mantemos essa “loucura de continuarmos felizes”, apesar dos pesares, talvez sejamos um povo distraído, o fato é que muitas vezes não nos fixando nos pesares, constantemente inventamos um jeito supera-los.

Quase como eleitora, torci pelo Obama, agora pós-vitória, algo de português em mim, me faz temer pelo seu futuro e pela excessiva carga sobre seus ombros, já algo da minha alma negra e indígena, me faz comemorar, esse fato histórico.
Espero que ele tenha a ginga, a habilidade e a criatividade necessárias, e que venha fazer diferença para os Estados Unidos. assim como “os loucos e os felizes” de Portugal.
Já que importamos tanto da América, recebamos essa mudança como uma nova carga de sorridentes possibilidades.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Por amor aos nossos filhos....

A Elisa, amiga que acabo de conhecer e com quem descubro grandes afinidades, nos alertou e sugeriu alguma ATITUDE, diante da morte estúpida do jovem Igor Carneiro,de 18 anos, vítima de uma bala perdida numa "festa" em Porto Alegre.

Assim surge nosso blog:
www.porondeandamnossosfilhos.blogspot.com

Simbolizando nosso movimento de MÃES...na busca de apoio, união, idéias e mudanças para melhor!


Somos um grupo de mães e mesmo que tenhamos a intenção de possuir super-poderes e de darmos conta de "quase" tudo, somos um grupo de adolescentes que cresceu e teve a benção de frutificar, não recebemos junto com o exame de gravidez nenhum manual de instrução, crescemos junto com nossas crias diariamente, algo instintivo algo aprendido, mas o fato é que estamos tateando no caminho, passos rápidos ansiosos ou pausados, tentando acertar a medida do amor e do cuidado, acreditamos nos valores que passamos pros nossos filhos, acreditamos que autonomia e liberdade são grandes qualidades a serem estimuladas, estamos aprendendo dia-a-dia o exercício de amor e atualmente do medo.
O medo nos ronda nas noites e nos dias, nas festas de bebida liberadas, nas drogas de tão fácil acesso, na violência gratuita, no trânsito e não somos de modo nenhum mães "caretas", fomos adolescentes, sabemos o quanto são deliciosas as festas e as lembranças que guardamos e quanto também lá acreditávamos que "não dava nada", "que era excesso e piração dos nossos pais", etc...
Nossos receios são genuínos, e infelizmente uma morte gratuita e estúpida como a do Igor, nos autoriza a falar desses medos a exorcizá-los a trazê-los á luz, a nos unirmos nesse caminhar, que tem um único objetivo, que nossos filhos sejam felizes e tenham tempo de realizar todos os seus sonhos...

O IGOR NÂO PODE FICAR, MAS O TEU FILHO PODE!!!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

a felicidade...




A SOL me deu de presente, o mapa da felicidade, no cérebro, e disse que parece simples pra mim catadora de LUMES...

Acredito
a felicidade
é saber se deliciar
com detalhes
CATO o brilho que vier
as vezes é reflexo
ás vezes é vidro
ás vezes é diamante
a gente nunca sabe bem
se é vagalume
ou
estrela cadente
é sempre fascinante...
fora todo o brilho
que já houve
TUDO pode
vir a brilhar

é preciso estar atento
olhos pra fora e pra dentro!

sábado, 18 de outubro de 2008

Nós que nos amavamos tanto...

O Filme escolhido pelo nosso grupo de cinema da noite passada foi perfeito e acendeu considerações até altas horas, C'eravamo tanto amati, o belíssimo filme de Ettore Scola que homenageia o cinema, a amizade, o idealismo e o amor.
Estão ali as contradições,as lutas em todos os fronts, as internas e as externas, as mudanças,os reencontros,o tempo com seu sarcasmo rindo das ingenuidades, chocando e com sua sabedoria reconstruindo.
Aquele sogro gordo, seria a personificação do capital ou da ambição? Ameaçando Gianni de que nunca morreria e estaria sempre assombrando a sua solidão de homem rico?
Foi o Antônio o grande vencedor, comentaram os "guris" por que ria feliz ao final e tinha seu amor reconquistado...
Somos todos felizmente, ainda românticos e idealistas, a escolha deste filme comprova isso. Grande Scola!
.




C'ERAVAMO TANTO AMATI
Itália- 1974
Diretor: Ettore Scola
Atores principais:Nino Manfredi,Vittorio Gassman, Stefania Sandrelli, Stefano Satta Flores.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

um homem e tanto...

Eu gosto de gente, assim bato o olho, aprumo o ouvido, presto atenção no jeito que fala, canta, ri, suspira, se envergonha,coça a cabeça e assim acende meu gostar, por que gosto de gente que me parece gente e não gente personagem, não gente paisagem , gosto de gente que me desperta a humanidade, com quem eu tenho vontade de continuar conversando noite a dentro, gente que me dá mostras de que tem alma e coração do melhor tipo, e com quem tenho vontade de conviver.
E desse tipo de gente que ri com os olhos, que não tem necessidade de se fazer maior, nem se engrandecer, gosto ainda mais, e nesse final de semana, fiquei assim encantada pelo Ivo Pitanguy, não o conheci de pertinho, mas fiquei louca pra levá-lo pra algum café e continuar a conversa, que teve com a Marília Gabriela e que eu assisti.
Disse ele uma verdade que eu compartilho, antes de ser um cirurgião plástico, todos são médicos, e por formação devem reconhecer sintomas e patologias, e não devem levar pra uma sala de cirurgia e pra ponta de um bisturi, alguém que está fora de seu juízo perfeito e por isso “se odiando”, uma coisa é dar a uma pessoa uma melhor qualidade de vida, livrando-a de um complexo ou de uma indesejada situação, outra bem diferente é estar diante de um ser infeliz e que quer trocar tudo, que não tem uma correção de nariz, pálpebras, orelhas, queixo, barriga ou seio, mas alguém que tem uma insatisfação generalizada e quer ser outra pessoa, isso se trata com psiquiatra.
A Marília Gabriela num dado momento pergunta, e o senhor nessa área estética, o que já fez? Ele sorriu de um jeito meio menino e disse: "nunca fiz nada, nem botox, nem plástica, ás vezes me incomodo com algum detalhe, penso em fazer, mas tenho preguiça, medo também um pouco, mas principalmente tenho um ego tolerante, me agüento bem!"
Achei o máximo que o maior nome em cirurgia plástica, a grande referência, reconhecido internacionalmente, que implantou há 47 anos na Santa Casa uma escola e já formou inúmeros cirurgiões, desenvolvendo um trabalho que aproximou a cirurgia plástica, estética e de reparação as classes menos favorecidas, nunca tenha feito um “reparo” e nem tenha sentido necessidade de.
Gostei ainda mais do Dr Ivo, pelo comentário que fez em relação a industria da cirurgia plástica: " se algo te incomoda e seja possível reverter, faça, mas por ti, não por nenhum tipo de pressão externa, nem por que é moda, nem por que teu emprego exige, que isso é patético".
E finalmente pelo sábio conselho de beleza que deu, ele acredita que o grande segredo é: " cercar-se de pessoas de bom humor e desenvolver um ego que tenha bastante tolerância".

Amei reconhecer nele um grande homem, uma grande personalidade e uma ética exemplar, que merece todo o reconhecimento e aplausos pelos seus anos de estudo e experiência, tomara que um dia possamos tomar aquele café.

sábado, 11 de outubro de 2008

www.cemporcentometade.blogspot.com

Meu querido Exu Pandorga, entrou na blogsfera...a ele, que é poeta delicioso, devo meu retorno a comunidade do Jucunditas e só por essa razão ao orkut, como codinome feito ele: Clara Pandorga...

Acabo de ler por lá:
"rãs, mães e irmãs - criadoras criaturas:
infelizes para sempre
infelizes desde sempre
eis o contexto
eis a cultura..."


... "a sapa romântica
sonha
mas não
com um príncipe humano".


Acabo de te ler o Exu, e pensar, que o José Miguel Wisnik está com toda a razão quando diz: "É SOBRE HUMANO AMAR"... e aí essas invenções, essas paixões, os sapos, as lamentaçoes e os principes que não vem...são só tentativa de "humanizar" o amor...estupidamente transformando-o num conto de fada inatingível! E segue o baile e o círculo vicioso...e eu que não sou princesa, nem nada, sou obrigada a acordar sem beijo!

domingo, 5 de outubro de 2008

Quien dice que es facil?

Filme de Juan Taratuto


Menos Mal- Andrea Echeverri

Menos mal que apareciste
Menos mal me convenciste
Menos mal sigues aquí

Menos mal nos ofendimos
Menos mal nos perdonamos
Menos mal nos dimos otra oportunidad

Menos mal que construimos
Menos mal nos decidimos
A seguir hasta el final

Menos mal nos equivocamos
Menos mal nos enmendamos
Menos mal volvimos a empezar

No te vayas nunca lo malo disculpa
No te alejes no me dejes

Menos mal que apostamos
Que semillitas sembramos
Que nos hacemos reír

Menos mal nos divertimos
Como niños sorprendidos
Menos mal sentimos juntos ganas de vivir

Menos mal nos conectamos
Menos mal nos impregnamos
Menos mal nos penetramos

No te vayas nunca...

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

www.saraslomka.com.br






“Eu não viajo para ir a algum lugar, mas para ir. Eu viajo por viajar. A grande emoção é se mover.” Robert Louis Stevenson.

Assim a Sara(Sarinha) define suas duas paixões, as viagesn e o registro fotográfico dessas viagens.
Eu tenho a sorte de conhecê-la há alguns anos quando sua filha linda quis ser modelo, nos recebeu na sua casa aconchegante, na sua familia aconchegante e desde então, cada vez que a encontro, fico sempre um pouco mais colorida, por que ela me conta da ultima ou da próxima viagem, e tem tanta luz que é impossível não se contaminar de alegria ao abraçá-la.

Grata Sarinha por me levar pra viajar contigo agora no teu site...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

paixão...amor?

Café Filô, 10 anos, assunto PAIXÃO, a platéia lotada ouvia com interesse a opinião do filósofo e jornalista Ruy Carlos Ostermann, da educadora Esther Grossi, do cineasta José Pedro Goulart, dos psiquiatras e psicanalistas Almerindo Boff e Mathias Strassburger.
Os comentários concentrados na paixão amorosa, oscilavam entre os que desmereciam a paixão qualificando-a quase como doença, outros ufanistas, considerando-a motor de propulsão, outros acusando-a de ser o “ideal utópico” que infelicita á todos nós, eis que o psiquiatra Almerindo Boff disse que iria se prender na questão química, e entre endorfinas e dopaminas, foi que comecei a perceber.
Logo depois o Zé Pedro comentou que o Vinícius de Morais com seus incontáveis casamentos, era um viciado, que precisava da ebulição pra estar aceso, pra escrever, pra se inspirar, pra assobiar e não era de amor e sim da paixão que se referia ao dizer: “que seja infinito enquanto dure”, e aí fui obrigada a me reconhecer.

Eu que sempre me julguei uma sócia-fundadora do fã-clube do amor, eu que já fiz poesia e textos variados sobre o tema, percebi que além de não saber quase nada do assunto, sempre estive confundindo os dois, sim confesso: confundo, chamo paixão de amor, há anos.
Por isso não encontro e se encontro não reconheço...
O desassossego, o destempero, a rima rica, a sensação de estar á flor-da-pele e exposta, o riso- seguido de choro, isso que inflama, é chama, nada infinita, é a bendita-maldita.
como um vício, paixão é o nome disso...

Todos concordaram que a paixão é fugaz, não dura mais de dois anos, o psiquiatra que se prendeu na questão química assegurou, ninguém agüentaria, seria a paixão uma espécie de surto, cegueira voluntária ou pior um ato extremo de narcisismo, já que o apaixonado não vê o outro o recria e se recria, projeção ilusória e com os dias contados.
Depois dela, todos foram todos unânimes, só restam dois caminhos: o fim da sensação ou o início do amor.

Ah, o AMOR assim maiúsculo, seria a plenitude, o real encontro, quando o outro se apropria do seu exato valor, coisa que a paixão desvirtua e confunde.
Todos, eles sim do fã-clube do amor, o tem como um sentimento sublime, leve, que nos impulsiona a ser melhores, nos tranquiliza, e nos acompanha sem dor.
O amor é aconchego, é escolha, o caminho feito por querer, a opção.

Aí, lembrei de um texto antigo, onde eu sob efeito de uma paixão ainda latente escrevi: ...” acalento ter com alguém a felicidade de conviver uma pós-ebulição também prazerosa, e espero e acredito nisso...mesmo que tenha desistido (hoje) de chamá-la de amor.!”

Estava desmerecendo o amor por confusão, é sim o AMOR, a chance de uma felicidade prazerosa pós-ebulição, e apaixonadamente quero acreditar!

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Blindness...Ensaio sobre a cegueira...




Assim como o jogo de palavras que a personagem da Julianne Moore faz no filme Ensaio sobre a cegueira, logo no início, fazendo uma conexão da possível doença, que teria o mesmo prefixo grego Agnos com Agnosticismo como privação ou negação.
Blindness, mais que sem visão, me lembra blindado, fechado em si e é essa cegueira que o filme me denunciou, uma metáfora triste, real,profunda e apavorante.
De alguma forma estamos todos ficando cegos e egoístas, centrados e estúpidos, fúteis e superficiais nos nossos julgamentos,nos nossos valores, nas nossas prioridades e na convivência banal com a sordidez do mundo.
Não por acaso, nenhum personagem tem nome, é dessa cegueira que nos reduz a numeros e estômagos que o Saramago se refere, essa que pode nos distanciar terrivelmente, como tem feito, ou quem sabe, num lapso de humanidade e desespero, tornar a nos unir... A cegueira do limite!
Enxergar é querer ver, é estar de sentidos abertos, estar pronto pra perceber com ou sem os olhos, é estar apto.
A nossa cegueira diária é a indisponibilidade de realmente ver o outro e nós mesmos, distância cega e muda que espero reversível.

Filme Ensaio sobre a cegueira
Adaptação e direção:Fernando Meirelles
do romance de José Saramago

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

acendendo lembranças e primaveras...




A turma da comunicação de Santa Maria era responsável pela feira do livro, e assim fomos rumo a porto alegre, falar com livreiros, editoras, escolher livros, convidar pessoas...Não sei exatamente como o convidado ilustre foi chamado, como aceitou, como veio, mas lembro-o como se fosse hoje, como os dedos muito longos e olhar de uma profundidade sem fim, no coreto da praça autografando, com uma bata branca e uma bandana na cabeça, destacando-se na multidão. Com uma tranqüilidade zen, que a nós que havíamos devorado seus livros, parecia fervilhar desespero por dentro, observávamos seu silêncio, compenetrados, como discípulos que aguardam uma grande revelação após um suspiro. Caio bebia chá conosco, esquentava as mãos longas e nos olhava simplesmente, nos via jovens, ansiosos e de algum jeito muito próprio e intimo nos sentia interpretando seus textos, seus pensamentos, suas humanas buscas, dores e contradições. Ele parecia antever que o tempo nos faria surpresas, nem sempre agradáveis, ele parecia entender o quão estúpida e vil a vida pode ser e temia e torcia por nós. Assim lembro dele, nessa intimidade que a leitura e o silencio dão...

Lembro também das tantas vezes que chorei ao lê-lo, das tantas que voltei a reler um parágrafo ou um conto inteiro, que a minha vida parecia reprisar. Tive um namorado, que quando me via lendo Caio ia embora, me deixava sozinha, sabia que eu ia precisar algum silêncio e alguma lágrima solitária depois, assim eu e Caio nos entendíamos e fomos íntimos e muito próximos.

A ultima vez que nos vimos, estava já muito debilitado, num show do Péricles Cavalcante, se não me falha a memória, estava ladeado de dois grandes amigos Adriana Calcanhoto e Luciano Alabarse, num degrau aguardava a abertura da sala, lembro que num pedaço de papel escrevi:
quis te dar um jardim de margaridas
pra encher de primavera
o teu agosto
acender sol quente
nesse teu ar chuvoso
dar novos gostos, doces
pra desfazer teu desgosto

Mais ou menos isso, um bilhete sem cópia, que ele pegou com os dedos longos e me sorriu, meu desejo vivo de que ele resistisse, brilhasse e me interpretasse por mais tempo...
Ele se foi pouco depois, mas me acompanha em frases que releio e em lembranças que re-visito, como essa. E me interpreta, em cada fim ou nova dor, quando sigo por que segue o vento e o céu está azul:
..."Não ela não era tola. Mas como quem não desiste de anjos, fadas, cegonhas com bebês, ilhas gregas e happy-ends cinderelescos, ela queria acreditar. Até a noite súbita em que não conseguiu mais. ... Sem pensar em nada, sem nenhuma amargura, nenhuma vaga saudade, rejeição, rancor ou melancolia. Nada por dentro e por fora além daquele quase novembro, daquele sábado, daquele vento, daquele céu azul- aquela não dor, afinal."(ao simulacro da imagérie - Caio Fernando Abreu)

E em cada recomeço, quando de um jeito não tolo, volto a querer acreditar. E por pura magia do querer, acendo primaveras e faço sol.

sábado, 6 de setembro de 2008

DEUS ..na internet

Estamos no engatinhar dos sentimentos todos
somos tolos
e é propósito de quem nos quer ensinar

DEUS é um grande jogador.
que ganha todas

E nos encaminha bem
move as peças com bondade
nos leva por esse fio invisível cheio de sentido a ele e tão estranho a nós
ao mesmo tempo tão íntimo

Deus é a própria itimidade
de tão perto, ofusca
de tão parte, encaixa
é o FUSCA quando pensamos mercedes.
é a asa quando penamos poço
a seiva quando o adubo falha
a luz que buscamos em todos os túneis
o sol nosso de cada dia

a chuva na seca da bondade
a caridade em visita

a criança que em nós aprecia joaninhas
o esforço do broto entre as calçadas.
o florescer primavera em qualquer tempo
o abrigo único quando o relento domina
o lento regresso pro centro
Deus é este viés que buscamos
de todas as jóias, a mina
o brilho dos olhos no desejar dos amantes
a asa entre quedas e risos, que tramamos
O don Quixote de Cervantes
os moinhos, as esperanças, as crianças, os gira-sóis
ele é um e todos nós
..
ao mesmo tempo
A mão descansada sobre o espaldar dos colos
.
o olhar buscando abrigo no horizonte
A queixa acolhida.
na hora do vacilo

o sopro na ferida
a mão que segura a testa
a dose oportuna que resta
esse Deus que nos habita
espia por nossas frestas

sabe das nossas entregas
e nos carrega no colo, quando queremos parar
Quando vagamos feito cão banido
é nossa ração e sentido
ou quando pássaros feridos latejantes nas distâncias dos vôos.
Deus é mãe em vigília.
Porta em espera enquanto tateamos tanto.

é orgulho de filha e colo certo
pai por perto frente ao tremer do perigo
Deus é abrigo
amigo que não tem hora




Deus em sala de bate-papo, é poema a 4 mãos, como agora
Idésio e
Nadia

tenho pés...que andam...

...isso vai soar como uma pollyanice medonha, mas o fato é que andar e enxergar,me são privilégios inegáveis, também ouço, o que é um luxo, também tenho controle dos braços, logo abraços e colos são delícias ao meu alcance, uma boca que fala e beija, e gosta muitíssimo dos dois, enfim uma humana bem completa (complexa) de equipamentos funcionais, e quase sempre feliz!
A seguir a série pés, que idealizei e guardei...

aos pés de Barcelona...
aos pés de onde andou Lorca, Granada
aos pés da boêmia de Pigalle
aos pés dos Jardins de Luxemburgo
quando os pés pedem paz
aos pés de Gibraltar
aos pés de Gaudí
aos pés do mar azul de San Sebastian

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

http://www.myspace.com/escoladerobo

A grande vantagem da internet: os contatos, o acesso, a rapidez. Alguém que pelo meu Orkut sabe que curto Lemiski, me indica pra ouvir a musica Alem Alma, adaptação do grupo de músicos curitibanos Escola de Robô, como eu curti os guris, estou aqui compartilhando...ouçam também...e prestem atenção na letra que é TUDODEBOM!!!

Além alma
(Paulo Leminski / Cassyano Correr)

Meu coração lá de longe
Faz sinal que quer voltar
Já no peito trago em bronze:
Não tem vaga nem lugar

Pra que me serve um negócio
Que não cessa de bater?
Mais me parece um relógio
Que acaba de enlouquecer.

Pra que é que eu quero quem chora
Se estou tão bem assim
E o vazio que vai lá fora
Cai macio dentro de mim?


UM vazio que cai macio...é uma rima, que não creio....
E para um peito em bronze "não tem vaga nem lugar", meu pesar... e a lembraça:"Um erro em bronze é um erro eterno"...

Ser mulher é difícil PRA OVÁRIO!!!!!

terça-feira, 2 de setembro de 2008

PERDOR...

Chamei de perdor
esse vazio
habitado de pena
a carga de perda
e de dor, dos finais

uma necessidade extrema
de se auto-piedar-perdoar
o luto do que se sonhou
sem conseguir realizar...

ou talvez perdor seja mais
seja esse não sei quê
que sobra murcho
onde deveria vingar
a esperança...

a dor do sem sentido
por que sem sentido
a gente é quase nada

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

couraça e ninho...

Nem todos os bichos assustam
Uns fazem companhia
E precisam fazer ninhos
Em cantos quentinhos da alma
Todos, mesmos os mais terríveis
Nos pertencem, nos permeiam,
São tão nossos, quanto os cheiros
Que transpiramos, únicos
Refazem nova pele e às vezes
Nos fazem couraça
Fazem a emoção perder o rumo
E escorrer cara a fora

Como o engasgo que surge quando a palavra não basta
Como o tecido do coração que de tanto ser, esgaça...

todos carecemos ninho

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Carinho é levar junto...

... levar no coração, na cabeça, na alma, uma deliciosidade e um capacidade que pouca gente tem, de saber o que toca uma pessoa e de alguma forma levá-la junto, compartilhando a emoção...
Pra praia no inverno, pra Paris, pra Barcelona, pra passear de gôndola , levá-la pra visitar parques, museus, ruas, mares do outro lado do mundo, enquanto ela permanece no interior do Brasil.
Meus amigos acabam de me dar esse carinho de presente, levaram-me pro show do Zeca Baleiro e ainda por cima me trouxeram um Cd autografado: “ pra Nádia, balas, beijos, bombas!”
Eu amei saber que estive com eles por lá, me emocionei com esse poder onipresente de estar onde nossa lembrança for saudada...e fiquei triplamente feliz: por tê-los como amigos, por me saber gostada e pelo Zeca... grata Simone e Ronaldo!

Felicidade é coisa leve & gostosa feito beijo,doce feito bala e também faz explodir, BOMBA BOA!


Foto Fábio Codevilla, que também fez o carinho de registrar duas musicas ontem e o Zeca em foto, quer ver? Vai lá: www.itapemafm.com.br/codevilla

Eu que sou fã de carteirinha da música/estilo do Zeca Baleiro, desde que comecei a ler seus escritos no site www.zecabaleiro.com.br intitulado Bala na Agulha virei FÃ TOTAL da pessoa física e da jurídica...Com é TUDODEBOM esse cara, noooooossa!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Sol 2x ao dia...

Um dia um médico me receitou: “OLHAR O CÉU 2X AO DIA”, era um SOL REMÉDIO,como posologia, pra me lembrar de querer voar como águia e não ciscar feito galinha.
Alguém me disse dia desses que eu devia ser receitada, como posologia também, foi um dos elogios mais originais que me fizeram nos últimos tempos.
Podemos todos ser remédio ou veneno, e eu gostei de lembrar da minha capacidade de ser melhor do que pior, de ser cura e não doença.
Talvez o grande aprendizado daqui, seja retirar das posologias pessoais a parte que nos cura, a parte que nos ajuda na luz, que nos eleva, em todo e qualquer contato real, existe a dose que sana e a que danifica, ficarmos RESSENTINDO a doença é uma injustiça, deveríamos SENTIR e RE-SENTIR, (sentir de novo) todo o bom que foi e pode sempre ser compartilhado, o que existiu de bom não se apaga, (nem o mal se resolvermos, mas quem precisa disso?).
Sentir e valorizar o quanto (tanto) que uma relação um dia nos fez mais e melhor é querer a cura.

tem gente
que nos ajuda na expressão
fala com verdade
põe água nos olhos
não mede palavra
não economiza emoção
gente assim
que por ser
mais gente
nos liberta
enche os olhos quando fala,
gente que guarda a luz
do menino que empinava pandorga
que nadava no rio
gente que faz histórias bonitas
e as coleciona
como figurinhas premiadas...


Olhar o sol 2x ao dia, nem sempre se consegue, ás vezes nubla...
Olhar o brilho das pessoas nem sempre se consegue, ás vezes o olhar turva...
O fundamental é querer enxergar e voar,a cura está na intenção do olhar e sempre vale á pena!

Quem já esteve no alto, sabe o que é ganhar o céu, ganha-se a luz e o ar...e isso ninguém nos tira...

Foto Vicente Sampaio

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

"a felicidade só é real, quando é compartilhada!"



"A felicidade só é real, quando é compartilhada" do filme Na natureza selvagem...e da minha vida cotidiana,nâo posso esquecer disso...Compartilhar e só assim ser feliz...E por que partilhar com é tão difícil?
Do que mesmo se foge? Do que fugia o personagem?
Foge-se das concessões da intimidade!
Ele fugiu de qualquer contato humano, seria uma metáfora(?), se exilando no Alasca, na frieza, na solidão.
O que aquela touca vermelha representava lá longe e visível? Talvez uma possibilidade de amor, aceitação e sentido que ele descobriu no caminho, e que a familia inicial não lhe proporcionou.
A família é nosso primeiro exercício, nossa referência, quando esta nos pede para sermos diferente do que somos, para encaixarmos, para negarmos nossas naturezas, quando condiciona o amor que será dado como moeda de troca- escambo, nos carimba impossibilidades de nos relacionarmos bem, numa troca saudável.
Essa primeira má resolução, pode virar o molde,que será fatalmente ampliado pros próximos e assim opressores sistema de relações.
Oprimido um ser com sensação de metade, numa adulteração auto-imposta tentando encaixar em outra metade, se entrega buscando uma aceitação integral mesmo se mostrando em partes ou foge do "inteiro" forjado por duas metades que de antemão sabemos, nunca se encaixam.
Somos múltiplos, capengas e singulares, qualquer tentativa de adulteração ou edição dessa realidade, é falsa e a felicidade assim composta, vaza...

A aceitação e o acolhimento das nossas singularidades na intimidade primeira é a unica possibilidade de felicidade real e da não perpetuação das fugas por vulnerabilidade e medo...
Como um mantra Victor Hugo declama em minha cabeça: " A suprema felicidade da vida é ser amado pelo que se é, ou mais precisamente ser amado apesar do que se é"...

abençoada...

foto Luiz Fagundes

Recebi este texto lindo da minha mãe, a quem sou eternamente grata, por me ter feito mulher e ter me dado a possibilidade e o ensinamento de ser mãe.

"Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que
ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira. 'Você acha que eu deveria ter um bebê?'
'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .'Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha,
tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável. Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome,ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.
Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.
Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem. Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao
invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo,em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.
Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles. Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra. O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas. Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.
Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.
Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.
'Você jamais se arrependerá', digo finalmente.
Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus...." (autora desconhecida)

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

http://www.trash80s.com.br/radio/radio.htm

Se tem coisa que me provoca efeito máquina do tempo é TRILHA SONORA, amei essa rádio que toca os anos 80 e me leva de volta pra lá, quando tudo era tão leve e descompromissado!

uma visão do céu...


foto Vicente Sampaio

Vicente além de um excelente fotógrafo, é voador. Num vôo dia desses, se deparou com essa preciosidade, um ipê roxo no meio de uma plantação de cana, achei poética e inusitada essa cena.
Ele me diz contrariando meu comentário pollyannesco, que não se trata de um lavrador poeta e sensível, nem um usineiro doce, é graças as multas do Ibama, e eu mesmo assim, tenho certeza que tem mão de poeta aí, tem visão lúdica, e eu tenho o amigo presente que abre meus olhos pra tudo isso!

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

não espere......



Minha filha foi quem me mostrou esse vídeo e essa verdade...
"é preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã, por que se você parar pra pensar, na verdade não há..." Renato Russo

domingo, 10 de agosto de 2008

meu pai faz 70 anos!!


Meu pai está fazendo 70 anos...e minha mãe que escreve bem, reuniu algumas histórias dele, que demonstram o homem que ele é, o homem por quem ela se apaixonou, casou e com quem nos fez, uma delas:


O convite para Formatura



Recebemos um convite para uma formatura de Medicina... Li o nome da moça e não conheci. Perguntei para o Duba e ficamos os dois a se perguntar quem seria. Não reconhecíamos nem seus pais ...Tentávamos lembrar se era algum conhecido de Itaqui, quem sabe filha de algum colega e nada... Depois de um tempo o Duba lembrou: – Acho que já sei de quem é! – e passou a contar: – Quando eu trabalhava no caixa, além de fazer pagamentos, as pessoas vinham ver se havia sido debitados em suas contas dinheiros, cheques... Os depósitos eram mandados do interior via fax e registrado nas contas dos clientes ou entregues ao destinatário na boca do caixa. Essa moça vinha seguido ao banco pois seus pais mandavam dinheiro para ela pagar cursinho e estadia. Um dia ela veio por três vezes no banco, de manhã cedo, no meio–dia e aí pelas três horas... E nada! Nem sombra do tal fax. Eu lhe perguntei o que estava havendo e ela me explicou que era o último dia para fazer a inscrição para o vestibular, e os pais não haviam mandado o dinheiro.-Vou perder o vestibular...- ela disse desolada. Aí eu falei pra ela: –Vamos fazer o seguinte, eu te empresto e depois quando chegar tu me devolve! Ela aceitou, faceira, no outro dia veio o tal passe e ela me pagou... Acho até que ela me falou depois que havia passado no vestibular... –Deve ter terminado o curso e mandou o convite!...-concluiu

Nota: Mandei para a formanda umas flores e um cartão em nosso nome.
Não conheci a moça, mas conheço o meu marido para saber que para ele esse foi apenas um gesto humano, que não precisava de reconhecimento nem lembrança

Me pede pra escrever algo, e mesmo achando que as palavras não conseguirão dizer tudo tento: Meu pai me ensinou a ser ética e humana, a ser irônica e rir e fazer piada até dos meus próprios tropeços, a ser forte, mesmo que para isso precisasse encobrir medo e fragilidade, me deu amor, carinho e certeza de que eu conseguiria andar e voar, e que sempre teria um ninho pra voltar. Ouvi uma frase muito significativa dele há muito tempo atrás: “Com tanta coisa boa pra herdar, tu foi herdar logo meu orgulho!” É essa sabedoria de me auto-reconhecer que eu espero atingir um dia, e claro ter a capacidade amorosa, presente e especial de deixar a minha filha voar e poder sempre contar comigo, como ele me ensinou. Amor é isso!

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

".a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."

estou há dias com saudades infantis, assim como esse amontoado de lembranças aí de baixo, saudades de um tempo e de uma nádia que fui, em outro século, aí encontro essa frase: ".a saudade é a nossa alma dizendo para onde ela quer voltar."... E percebo que é isso, simplesmente minha alma quer voltar: a crer, a ser, a rir, votar a andar de pes descalços, minha alma não quer ter medo de andar nas ruas, minha alma não me aguenta assim, com os ombros pra dentro "invernosa", minha alma gosta mesmo é de me ver leve, voando por aí, minha alma sente falta de ar!

Tomara que não me abandone e vá morar noutro lugar...

domingo, 3 de agosto de 2008

flashes pra me lembrar...

viajar e rir por quase nada...
puro encantamento
pandorga voando bem alto
barquinho de papel
banho de chuva
pátio
tatu-bola
familia reunida
reveillon natal
bicicleta nova
andar sem rodinhas
parreiras, uvas no ponto
bergamota, moranguinhos
goiaba no pé
árvore e sol
deitar na grama
mato e rio
rede risadas
troca de olhares
musicas lentas
beijo na boca
aprender a dirigir
ganhar as chaves
da casa e do carro
passar de ano
vestibular
primeiro salário
ganhar porto alegre
vencer medos
realizar um sonho antigo
vida pulsando dentro da barriga
filha mamando, falando
andando,correndo sorrindo
ouvir te amo
se aconchegar
dormir mais um pouco
banho de banheira
cachoeira
lua na praia
luau amigos
chorar acompanhada
rir acompanhada
dia amanhecendo
primeiras flores da primavera
folhas de plátano
casa nova
liberdade

vida feita em flashes
editar
colocar trilha sonora
e ser feliz

tão fácil!

sábado, 2 de agosto de 2008

a vida é estrada sem mapa...










dá pra seguir sem destino ou certeza, dá pra parar tomar sol e se deliciar com a paisagem, dá pra se perder, dá pra pedir socorro...

O caminho não se sabe ao certo, mas o caminhar é nosso...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

o medo...

na visão dos meus amigos "jucunditos"...

MarisaLy:
.
tenho medo!

e este medo
me faz parecer orgulhosa.

que nada...
sou só medrosa!


. Clara:

ah, como conheço
esse medo
pseudo-força
auto-suficiente

talvez seja comum
a toda gente
o medo se travestir
de coragem
e mesmo temendo
nos empurrar pra frente



Manuel Pandorga:

Quase sem medo
.
"Love ME DO!"














no fundo é só isso,
precisamos um AMOR
que nos sossegue do MEDO
que a vida e outros amores
nos deram ao negarem..

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Strip-tease...

Martha Medeiros: "Strip-Tease. É o título do meu primeiro livro, lançado em 1985. Era um livrinho pequeno, de poemas, onde eu me desnudava. Escrever é se expor, não é? Ai, como eu sofria. Quando ficava sabendo que algum conhecido havia lido, me sentia nua - é bem essa a sensação de publicar poemas, pela primeira vez, aos 20 anos".

Em 1985, eu recém chegada em Porto Alegre, com poucos amigos, me agarrei a esse livro, como companhia de tardes no sol da redenção, de silêncio cúmplice e identificação, foi como se folheasse um diário e foi mágico, por que ali, nas margens brancas, comecei a escrever também, comecei a querer e gostar desse desnudamento.
De certa forma, continuo anos luz daquelas tardes, fazendo meus Strip-teases particulares,me expondo em poemas de ônibus e blogs pela vida, e é delicioso conseguir vestir uma emoção de palavra e deixá-la lá, não mais tão nossa e ao mesmo tempo tão íntima.
Escrever é esse exetrcício que descrevo aí em cima, de tentar se adonar do tempo, fotografar a emoção pra poder revê-la tempos depois e de alguma forma áinda ser inundada ou iluminada por ela, eternizá-la.

Gosto imensamente de quase tudo que leio da Martha, muitas vezes me atinge em cheio: na dificuldade pouco revelada, na ilusão recém perdida, nas necessidades escancaradas, fala por mim e em mim, com aquela intimidade que os expostos tem, com uma amizade que nunca tivemos (infelizmente) mas que começou ali, quando assisti seu primeiro strip-tease.

Aliás, assistimos na mesma fileira o show intimista e belo do Jorge Drexler, e ali reafirmei uma sensação que muito me visita, quando me encontro nas palavras, músicas e nas emoções de outras pessoas, dá uma vontade de ser amigo íntimo e sair dali pra sentar num bar desses que tem sofás enormes e brindar essa capacidade linda, que muitas pessoas tem, de nos deixar mais vivos e expostos!

Salve Jorge, Salve Martha, um brinde a emoção acesa e nua!!!

segunda-feira, 21 de julho de 2008

em uma guerra...

“ Em uma guerra não se matam milhares de pessoas, mata-se alguém que adora espaguete, outro que é gay, outro que tem uma namorada, uma acumulação de pequenas memórias”..
Marcelo Mazagão no filme “Nós que aqui estamos por vós esperamos"


esse menino e esta imagem representam bem o que eu sinto em relação a guerra e seus soldados.

sábado, 19 de julho de 2008

8 coisas que quero fazer antes de morrer:

A Nono me convidou pra esse meme. 8 coisas que gostaria de fazer antes de morrer.

1- Ver minha filha feliz e realizada
2- Ter uma casa com rede e um lugar aberto pra comer embaixo da lua
3- Lançar um livro
4- Fazer palestras que levem luz e sorriso pra quem me ouvir
5- Viajar e viajar
6- Continuar capaz de amar e me apaixonar
7- Só trabalhar por prazer
8- E bem antes de morrer, estar plena e saudável


Ó tem regras pra fazer esse tal de 'meme'. Uma das regras é "mencionar as regras", então aí estão elas:

1) Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2) Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
3) Comentar no blog de quem nos convidou;
4) Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da "intimação";
5) Mencionar as regras

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Caminho atrás de duas senhoras que pelos trajes, cabelos brancos e o leve encurvar das costas já passavam dos 70 anos, presto atenção no que dizem:
_ Estou precisando de um remédio que me ajude na memória, ando tão desmemoriada, preciso de uma ativada.
_ E eu estou precisando de um remédio que me dê um ilusionada...
E suspirando sábia concluiu:
-Antes perder a memória que a ilusão...

Em tempos dificeis como os nossos, que testam nossa confiança na raça humana, na justiça, na ética e nos fazem pensar descrentes em quem sairá vencedor na eterna luta entre o bem contra o mal, entendo perfeitamente essa necessidade de remédios que tragam de volta a ilusão.

Aí,lembro da lua de ontem, da foto do Achutti e de um poeminha antigo que fiz sobe efeito:

Foto Achutti

enquanto houver
lua cheia
me deixo
encher de ilusões...



Ela cheíssima e poderosa, sempre mexe nas águas, sobe as marés e por dentro nos amolece a alma, nos coloca mais sensíveis e mais inundados de sensações, abençoada, flutuando e nos hipnotizando, nos acendendo vontades, plena...um remédio!

Tomara que aquela senhora,tire o olhos de dentro e hoje, olhe pro céu...

Viver ápices e escuros,nosso exercício, nossa natureza e aprendizado: é preciso minguar para crescer.

terça-feira, 15 de julho de 2008

uma parte de você continua viva...


Comercial Santa Casa, criado pela Y&R

Ontem recebi este comercial por e-mail e fiquei muito tocada...
É uma forma muito linda de permanecer na vida, dando uma vida melhor e mais digna pra quem dos nossos órgãos necessitar, sempre acreditei nisso e sou por isso uma doadora!
Pra minha alegria, logo pela manhã vejo igualmente emocionada a notícia: SUENY ENXERGA A COR DO MAR.. a adolescente de 13 anos Sueny Oliveira da Silva, graças a doação das córneas do menino João Roberto morto bárbaramente no Rio, recuperou 40% da visão de uma das vistas e pode pela primeira vez, se deslumbrar com o azul e a imensidão do mar.
A outra córnea foi doada a Larissa Santos de 8 anos.

Fico impressionada e tocada com a grandeza dos pais do menino que, mesmo mergulhados na dor sem fim de perder um filho, tenham tido o gesto iluminado de ajudar outras pessoas.

segunda-feira, 14 de julho de 2008

CAROL+FREDI

Carol:..."Quero brincar contigo pra sempre
com tiptop ou cinta-liga

...Vou me perder no teu arco-íris
Para depois me reencontrar
no outro lado
No nosso mundo inventado

...Quero amanhecer,
Quero entardecer
Morrer para renascer
Na ordem do teu caos

Reaprendendo a viver
Como se não houvesse amanhã
Como se fosse o mesmo noite e manhã
Viver pra ti
O sonho que eu
nem sabia que eu tinha

Fredi: "...Todo dia acordo sorrindo pelo simples fato de estar do lado de alguém tão surpreendentemente ímpar. Me apaixonei pela tua capacidade de ser feliz pelo teu talento, pelo teu interesse pela vida. .. Finalmente, depois de só ter coadjuvantes na minha vida, encontrei agora a maior das protagonistas. Enfim inteligência: inteligência sexual, emocional e amorosa. Chego a sentir uma nostalgia do que não vivemos juntos porque eu queria que tu tivesse sido minha desde sempre. Então fantasio uma vida a dois desde que nascemos. Teu mundo lúdico que tanto me encanta, e que eu conheço mais do que ninguém, me traz os mais puros sentimentos da infância.
Uma injeção de alegria que tenho diariamente, a solução da minha profunda carência e o fim da minha busca. Agora eu acredito em alma gêmea. Estou tão feliz que tenho até medo de morrer.

Acordo sorrindo desde que te beijei pela primeira vez, e minha admiração se renova a cada dia. Canso de me pegar constrangido com tua beleza e de te abraçar de forma como se eu ainda não tivesse te conquistado.

Nunca senti antes o que sinto agora. Alcancei o nirvana da paixão e das sensações inéditas que me trazem arrepios pelo corpo ao dizer “te amo”.

Ser amado por ti eleva minha auto-estima.

Tu resgatou minha essência, reinventou o sexo e o amor na minha vida, tão intensos quanto o som de AC/DC, que agora significa para mim, ANTES DE CAROL/DEPOIS DE CAROL (Acê/Decê).

Eu acho uma delícia essa DECLARAÇÃO DE AMOR que desempenhou o papel de SIM no casamento da Carol e do Fredi, e acredito que existem vários tipo de amor, mas os que valem á pena cultivar e deixar crescer, são os do tipo lúdico, como o deles, as uniões que nos dão LUZ & SENTIDO, e que alteram nossa vida pra um MELHOR que nem havíamos imaginado...

Um BRINDE AO AMOR que nos faz querer ser MAIS E nos ILUMINA E MULTIPLICA!!!

viciada na luz...

"Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente.."
Clarice Lispector


Uma vez um antigo namorado me magoou, como era a intenção, dizendo: '"tu és apaixonada pelo amor"...
ok, talvez eu seja uma apaixonada pelo amor e isso não me magoa mais...sou aquela que cata os brilhos e as cores do chão e dos cantinhos e quando não os encontra, olha as nuvens, a lua e cata os arco-íris, e se subitamente deixa de ver, se entristece e se ressente com a falta de sol e do motivo que possa tê-lo encoberto.
Na falta de luz, deixo de acreditar na cor refletida, deixo de espiar, esqueço da necessidade de eco/espelho/resposta e simplesmente paro de ver ou crer...(por um tempinho)
Fecho meus olhos pra dentro, e num processo básico, faço um tempo de casulo,para criar cores próprias e voltar voando...
Talvez eu seja simplesmente uma apaixonada pela paixão, uma viciada em oxitocina, e como todo dependente químico, não consiga viver muito tempo sem ela, na ausência começo a ter variações de humor, insônia, começo a ter ânsias, dissonâncias e desassossegos, vou ficando sufocada de faltas, vou me assustando nos escuros, me perdendo...
Se existe algo de matemático nesses processos amorosos, não são restos, quocientes ou divisões, só dois multiplos e suas incompreensões e desejos se somam e se expandem ou não.

sábado, 12 de julho de 2008

memória perfumada...

Antes de mais nada, preciso dizer o quanto a memória é um bicho perigoso, mutante,feito um camaleão, se traveste e aparece quando e onde menos se espera, como se nos espreitasse o passo.
Parece mesmo um bicho sorrateiro que gosta de nos pregar sustos.
Outra coisa, a memória é bicho parcial, maquiavélico,pouco confiável, as vezes nossa lembrança é ficção, ás vezes é história contada por outros que ambientamos com fotos preto e branco e agarramos como nossas, as vezes é a versão que nos favorece ou a que nos vitimiza, enfim nada séria.
Talvez de todas as espécies de memória, a mais confiável, seja a que mais me assalta: a tal memória olfativa.
Estou indo pro trabalho pela manhã e pumba, vem um cheiro misto de lavanda,alfazema e leite de rosa e está ela ali, minha avó, suave e sorridente com seus braços gordinhos me protegendo.
Ontem mesmo em plena avenida,tocou umamusica lenta e me tirou pra dançar um amor passado, e era pura memória olfativa despertada por um vivente banhado de Fahrenheit.
Tem aquela sensação de primavera vivida em outro tempo que as frésias sempre me dão.
Tem um cheiro que é Paris, senti nas ruas de lá quando viajava sozinha e estava com os sentidos bem atentos, quando esbarro por aqui, volto voando pra Saint Germain esquina Saint Michel.
Um certo jasmim, que me traz a adolescência de volta.
O cheiro do vento norte, que me leva flutuando pra uma certa esquina de um outro lugar.
O cheirinho de nenê, que me coloca nos braços minha filha pra ser amamentada.
Os cheiros vão assim me recontando, catando as memórias brevemente adormecidas que despertam pelo olfato.
Provavelmente quando eu ficar bem velhinha e começar a confundir minha vida com todos os filmes que terei visto, só os cheiros permanecerão fiéis e inalterados, guardados em frascos em algum cantinho da alma.

um amor....

voltando ao clima, lembro de uma poesia pueril, que fiz há mil anos atrás:

um amor
qualquer que seja
distante,platonico
impossivel
pouco importa
sendo amor
sendo luz, sendo alegria
dá leveza, acende os olhos
dá força pro braço, pro abraço
dá ilusão, dá fantasia
dá vontade de crescer
dá suspiros, faz poesia
um amor aumenta o dia
faz a noite iluminar

o amor é sempre grande
sempre forte, o primeiro!
limpa o medo,lava a alma
e refaz a esperança
o amor nos faz criança
nos lambuza, nos adoça
nos faz correr e brincar
tropeçar e cair
e voltar a caminhar...

poucos respiram esses ares
de amor sem rima triste
mas eu que amo igual criança
sei que amor feiz existe!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Felicidade é saber se deliciar com os detalhes...

A Ligia amiga dos tempos da faculdade e dos ipês amarelos, anotou essa frase que eu disse e segundo ela, é o que mais eu sei fazer, e eu torço que o tempo não me tire essa capacidade, um dos poucos talentos que consigo reconhecer em mim, e não me achar ridícula por reconhecê-lo. Eu me delicio com os detalhes e pode parecer fútil ou doido isso, pra quem não faça o mesmo, mas eu posso efetivamente andar na rua e ficar tremendamente tocada com a árvore enorme que faz um outono fora de hora, com o passarinho que aprende a voar e parece um bebê nos primeiros passos, eu tenho assim umas ilhotinhas de felicidade no dia, que podem ir desde um café expresso perfeito, que tomei sentada e desfrutando o unico raio de sol da semana, até o aconchego de minha roupa "de ficar em casa" e minha filha me abraçando sorridente depois de um dia pesado, como quando toca a musica que eu mais gosto bem na hora que coloquei os fones no ouvido, quando alguém desconhecido me sorri e dá bom dia, quando alguém me faz cumplice da sua emoção e trocamos um olhar de reconhecido entendimento, quando encontro, quando abraço, quando beijo, quando brindo, comendo empadinha de camarão com uma tal "massa podre" que a minha mãe não faz mais, ou feijão novo de colher, quando uma fruta guarda o gosto que a minha memória guardava, feliz quando uma saudade me pega no colo, uma amizade me pega na alma, quando a palavra cabe perfeita ou o silêncio diz tudo,quando alguém fotografou o momento exato ou um filme me abala escancaradamente, quando acordo, me espreguiço,leio o jornal sem pressa por que é sábado e tenho dois dias pra me pertencer inteira, quando nasce uma florzinha num lugar imprevisto, detalhes enormes, que me fazem carinho quente, que me dão sorrisos, suspiros, lágrimas, de pura felicidade...
No livro que ganhei ontem diz: "o apaixonado é um comovido á toa" , talvez seja isso, mais do que talento pra detalhes ou pra felicidade, eu devo ter talento para a comoção ou para paixões á toa...E isso me delicia!

Diário de um apaixonado...Sintomas de um bem incurável...

É um livro do Fabrício Carpinejar e do Rodrigo Rosa,Poético e lúdico,MUITO LINDO!...
Ganhei ontem, numa espécie de sorteio, onde a pergunta chave foi:
Quem vai se apaixonar hoje?
Não me apaixonei, por nenhum olhar, cheiro ou boca.
E espero que não me tirem o prêmio em função disso. Por que por outro delicioso lado,ouvindo o Fabricio embevecer o Ostermann, me reapaixonei pela poesia e depois, naveguei pelo livro, com a vontade sorridente de um apaixonado, com uma leveza flutuante que nem busca ou tem sentido, mas veste tudo com uma luz e uma cor incomparáveis.
O dia só pra me mostrar todas as possibilidades, se vestiu de primavera e fez vento norte, morno, quase um beijo na nuca.
Recordei o quanto em estado de paixão sou melhor e sorrio fácil, de repente acesa pelas palavras, abandono qualquer vestígio de casulo ou tatu bola que pudessem me ofuscar e amedrontar a alma, me quero borboleta, de novo e de novo e de novo, e estar com a poesia acesa é meia felicidade garantida...é brasa, estou por um sopro...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

"Tá vendo alguma destruição aqui???"


A minha primeira terra era plana, mesmo assim tínhamos nossos carrinhos de rolimã...A segunda terra cheia de subidas e descidas era perfeita pra isso, mas lá minha infância, meus amigos e os rolimãs já não estavam...
O Máucio, que é da minha segunda terra, acaba de me lembrar isso, por que me convida, pra um projeto bárbaro que eles implantaram por la:






Eu que já andava saudosista, querendo musica lenta, vizinhos que ofereçam bolo quentinho pro café-da-tarde, agora despenquei ladeira abaixo, vento na cara e uma saudade danada de mim...

Agradeço ao Máucio por me lembrar...Como cantava alguém também lá longe "ter saudade até que é bom, é melhor que caminhar sozinho"...

terça-feira, 8 de julho de 2008

http://alice-klein.blogspot.com







Esta é a Alice, que me encontrou num texto e quem eu lendo há pouco, gostei de ter encontrado.
...

“Uma coisa: Tem tanto que você não sabe sobre mim – coisas que eu não te contei – por exemplo, que eu tenho uma família, que eu acredito que exista um Deus, que um dia eu fui criança – e que eu já me apaixonei duas vezes e que nenhuma delas durou. Mas o que importa isso, no final, se você está sozinho? Qual é a nossa memória? Qual é a nossa história? Até que ponto uma parte de nós é a paisagem e até que ponto nós somos parte dela?”


“Pensei em como, todo dia, cada um de nós experimenta alguns poucos momentos que têm apenas um pouquinho mais de ressonância do que outros – ouvimos uma palavra que permanece na nossa mente -, ou talvez tenhamos uma pequena experiência que nos puxa para fora de nós mesmos, mesmo que brevemente – estamos num elevador de hotel junto com uma noiva de véu, digamos, ou um desconhecido nos dá um pedaço de pão para alimentar os patos selvagens na lagoa; uma criancinha começa a conversar com a gente numa lanchonete (...). E se fôssemos reunir esses pequenos momentos num caderno de anotações e guardá-los por alguns meses, veríamos certas tendências emergirem de nossa compilação – surgiriam certas vozes que têm tentado falar através de nós. Perceberíamos que estávamos tendo uma outra vida, uma vida que nós nem sabíamos que estava acontecendo dentro de nós. E talvez essa outra vida seja mais importante do que aquela que consideramos real – esse mundo atormentado, de ruídos e metais. Então talvez sejam esses pequenos momentos silenciosos os verdadeiros acontecimentos que fazem a história de nossas vidas.”

Douglas Coupland, “Life After God”.


Sou grata a Alice por ser minha leitora e por me apresentar o Douglas* e me lembrar de quantas pessoas e momentos é feita a nossa história.

Douglas Coupland, é escritor, artista plástico, canadense, tem 46 anos e é capricorniano.
Alice Klein, é estudante de jornalismo, otimista e exagerada (como ela mesmo se define),brasileira, tem 20 anos é é leonina.
Eu, sou mãe de uma Alice, também sou exagerada, tenho 44 anos, sou brasileira, capricorniana com lua em leão.

Acredito que a vida é feita de coincidências, encontros, toques e é LINDA!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

INSPIRAÇÃO ...

Fui assistir a um talk show com a Carol Teixeira, e ela disse de um jeito muito simples, como se INSPIRA no contato com as pessoas, o que ela disse, é o que também sinto seguidamente encontrando pessoas, detalhes, lendo, é como se aquela pessoa e aquele momento acendessem alguma luzinha na gente.
Acender luzinhas é decididamente um talento (tanto do acendedor quanto do aceso) e a vida iluminada dessa forma, fica fácil de viver!

Que as luzes continuem acesas !!


O olhar dessa senhora me ilumina!

Foto Alexandre Godinho











O alegria desse menino me ilumina!

Foto Vicente Sampaio

domingo, 6 de julho de 2008

http://www.neilisboa.com.br

o site do Nei está fazendo 7 anos e eu recomendo...

"foi no meio do salão
foi lá por 72
que eu descobri
a leis dos corpos.."


Nei que sempre fez sonora pra minha vida..
"inventas um troféu
eu trato de vencer..."

"o coração existe é pra sonhar"

"todos as bobagens que eu já disse
dariam pra encher um caminhão
mesmo assim encontro no caminho
milhares mais otários do que eu..."


Grande Nei, de quem sempre fui fã fervorosa e que um dia ao ser entrevistado numa Talk Show, me gerou essa emoção:
"Após ouvir o Nei falar e cantar saí com uma sensação leve de que minhas admiradas pessoas são realmente admiráveis, por que são, de um jeito que até então eu não havia concebido: totalmente humanas!"

"Desiste de ficar assim
Que lá no fim da solidão
Ninguém vai te explicar tintim
Quem pode te ajudar a lamentar a razão?

Fosse por mim, era lei
Cada paixão que eu guardei
Se eu precisar, tava ali
Tava como eu deixei
Pronta para amar, uivando
Louca pra dizer que sim e sim mais uma vez

Talvez
Chorando pra nascer
A vida aponte o rumo da emoção
Então
Quando o primeiro amor
Deixa certezas presas por um triz
Quem diz
Se é um começo ou fim
E bem no meio dessa confusão
Vai ver
O teu final feliz
É minha próxima atração"

sexta-feira, 4 de julho de 2008

pela volta da musica lenta!!

Eu sou de antigamente e me sinto assim “antiga” quando relembro saudosamente de certos rituais da minha adolescência. Existiam amores platônicos fortíssimos que podiam durar mais de ano, acreditam? Existiam diários registrando esses amores, que tinham até chave. Existia a paquera na frente do colégio, ou flerte pra ser mais exata e totalmente antiquada.
Existiam bailes, festas de garagem, luz negra e existia a melhor parte: a hora da música lenta.
A hora da música lenta era a hora mágica onde a aproximação se fazia, onde a paquera do colégio confirmava a escolha. Onde se aproximavam (mas não muito) os corpos, onde se sentia aquele frio na “espinha”, o cheiro e a voz pertinho do ouvido, ai...era a hora que a timidez dos meninos precisava ser vencida, por que eles “tiravam pra dançar”, e muitas vezes era a hora em que era feito o “pedido em namoro”. Esse assunto deve estar soando mentiroso para qualquer pessoa de menos de 20 anos, mas acreditem, era assim mesmo...
Então depois do “pedido” começava o namoro, o acompanhar do colégio até em casa, as mãos dadas, depois o convite para a matine, que era o cinema durante o dia onde “normalmente” acontecia o primeiro beijo, tudo assim, mais lento, mais passo a passo, e acreditem era lindo!

O tempo foi passando, as declarações de amor foram saindo de moda, amor foi sendo considerado brega, tudo necessitava ser rápido, imediato, aí entraram com tudo os “fast-food”, surgiu uma espécie de fast-vida, a música passou a ter uma batida quase cardíaca. Pra tudo parecia muito tarde, nessa “reestruturação” de mundo, muitos valores “bailaram” e música lenta ninguém dança mais!
Eu adoraria que amor não fosse brega, que intimidade fosse coisa natural, que as pessoas dessem tempo para se conhecer, namorar, descobrir afinidades, admirarem-se profundamente (além de “shapes”e silicones). Que sexo fosse conseqüência de se amar (e não sou puritana!!) e que homens e mulheres falassem a mesma língua, que construíssem relações de afeto e não de jogos.
Mas sei que sou romântica e fora-de-moda querendo tudo isso, ás vezes me pego querendo “absurdos” como honestidade, dignidade e confiança no ser humano...estou quase senil!!!
Minha filha dia desses me disse sorridente:
_Mãe, tenho notícias ótimas pra ti...Parece que o pessoal da sexta-série começou a dançar musica lenta e outra, tem alguns que estão até namorando...Que bom né?
Minha filha sabe o quanto espero que isso tudo volte, por que sinceramente fazer campeonato de quem beija mais bocas numa noite, quem fica mais, no meu ponto de vista não é só perder a capacidade deliciosa de um romance, é perder o arrepio na espinha e é principalmente perder a essência.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

pé na estrada...pé na paz!


eu gosto imensamente de viajar
é como colocar a alma no sol


mas decididamente







é delicioso
ter um onde e um porquê
voltar...

descobri que tenho uma alma turista e não imigrante!

quarta-feira, 2 de julho de 2008

encontros & encantamentos

Encontro uma declaração de amor, perdida entre depoimentos, e me encanto:
"Enche-se de encantos
Os meus olhos
Diante das formas estendidas
Em minha cama
Ver-te dormir é um sonho doce
É o embalar da alma
Saciada de amor
Teu repouso me embevece,
E me rejuvenesce
Cuidadosamente vou juntando
O meu corpo ao teu
Calmamente repouso
Minha cabeça em teu ombro
- e ficamos pernas sobre pernas -
Para que teus sonhos
Penetrem em minha pele
Teu calor me aqueça a alma
E me faça viver eternamente"


Imediatamente digito a primeira frase no google e encontro uma poeta do Maranhão, DARCY http://www.lumiarte.com/luardeoutono/da/, que gentilmente me autoriza a divulgá-la.
A poesia e a internet podem unir as pessoas, colocá-las na mesma frequência, fazê-las cúmplices de emoções.
O encantamento é uma forma breve e sorridente de eternidade!

segunda-feira, 30 de junho de 2008

sábado, 28 de junho de 2008

do it !!



Do It
Lenine
Composição: Lenine/Ivan Santos


Tá cansada, senta
Se acredita, tenta
Se tá frio, esquenta
Se tá fora, entra
Se pediu, agüenta
Se pediu, agüenta...

Se sujou, cai fora
Se dá pé, namora
Tá doendo, chora
Tá caindo, escora
Não tá bom, melhora
Não tá bom, melhora...

Se aperta, grite
Se tá chato, agite
Se não tem, credite
Se foi falta, apite
Se não é, imite...

Se é do mato, amanse
Trabalhou, descanse
Se tem festa, dance
Se tá longe, alcance
Use sua chance
Use sua chance...

Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô, Hum! Nanananã!
Hê Hô!, Hum!...

Se tá puto, quebre
Ta feliz, requebre
Se venceu, celebre
Se tá velho, alquebre
Corra atrás da lebre
Corra atrás da lebre...

Se perdeu, procure
Se é seu, segure
Se tá mal, se cure
Se é verdade, jure
Quer saber, apure
Quer saber, apure...

Se sobrou, congele
Se não vai, cancele
Se é inocente, apele
Escravo, se rebele
Nunca se atropele...

Se escreveu, remeta
Engrossou, se meta
E quer dever, prometa
Prá moldar, derreta
Não se submeta
Não se submeta...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

imagens e significados..




foto Vicente Sampaio





Minha brincadeira preferida de infância era ver nuvens, e nas suas formas, enxergar um mundo de outras possibilidades.
Na verdade, ainda brinco disso, quando me permito olhar pra cima e parar, é uma
delícia o tanto de relaxante que é um "DOLCE FAR NIENTE" SEM CULPA NENHUMA..
Aliás, grande alegria é se livrar das culpas, dos horários, das obrigações, dos "certos e errados" internos e externos...Temos uma UNICA e INADIÀVEL obrigação
SERMOS FELIZES!!! PLENOS & RELAXADOS nos deixarmos levar...soltos nos significados...

Nuvens se liquefazendo, são claríssimas: nada é permanente!!

"Nada es más simple
No hay otra norma:
Nada se pierde
Todo se transforma".
(Jorge Drexler)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

poída...









foto Vicente Sampaio


O ceú continua azul anil, mas a bandeira e a minha esperança estão poídas...
Que país é esse???Um cover de Cazuza continua berrando dentro de mim...

Me contam que o filho do Lula comprou uma fazenda de 47 milhoes, a primeira a receber certificado para exportações de carne pra Europa...(e eu não quero crer)
Eu que há tempos, já carreguei aquela outra bandeira, que prometia mudança, entendo por que tudo me parece tão menos verde-amarelo-azul e branco e tão dificil de cantar aquele hino (mal intencionado e ufanista de 70):
Eu te amo meu Brasil, eu te amo, meu coração é....triste e descrente...

A Dona Ruth morreu, e eu que nem a conhecia , entendo que se foi junto algum resquício de decência.

Bandeiras e ideologias pra viver, EU TAMBÉM QUERO!!!

segunda-feira, 23 de junho de 2008

a felicidade brinca de se esconder, nas ruas , nas calçadas, nas noites, antigamente

Sabe quando ser tratada com respeito e consideração vira novidade?
Vira fato isolado, vira notícia?
Mundinho torto esse, onde alguém dar o lugar, no ônibus, na fila, no trânsito, é exceção. Onde alguém fazer menção de ajudar a carregar uma sacola, gera receio. Onde alguém parar para dar informação ou cumprimentar simplesmente, não por conhecer ,mas por freqüentar os mesmos lugares, é estranho.
Onde eu nasci e quando, que aí se interpõem além do espaço um tempo grande, as pessoas todas se conheciam, sentavam nas calçadas e tinham sempre uma palavra para quem passasse: _ E a tua mãe, como anda? – E as crianças? _ Teu tio melhorou da coluna?
Isso tudo me viciou em cortesia , me fez pensar que o resto do mundo era assim, pessoas que se cruzavam, e íntimas ou não,eram naturalmente gentis.
Até escrevi: antigamente as noites tinham, cadeiras nas calçadas, estrelas e grilos...a felicidade brinca de se esconder, nas ruas, nas calçadas, nas noites...antigamente.
Mas, foi se o tempo...Mudei de cidade, idade, mudou o mundo!
Mudei eu... E percebi mais uma vez isso hoje, quando recebi uma e-mail super gentil e simpático, de um estranho, me dando as informações que solicitei e de quem sinceramente não esperava retorno.

E assim mudando, vamos seguindo, piorando consideravelmente nossa qualidade de vida, nossa qualidade de relacionamentos, nossas possibilidades de troca e de saudável convivência.
Aquele ser simpático que segura a porta do elevador, pode ser simplesmente um humano melhor resolvido, um filho do interior, não necessariamente “um lance”, pode estar tendo um relance de cordialidade e respeito, agradeça, sorria e diga:- bem vindo!
_Bem vindo ao mundinho torto, alienígena!
Por favor, me ajude a voltar a ser aquela viciada em cordialidade que um dia achava felicidade e gente em quase todo lugar.
Obrigado moço, que respondeu o e-mail sem ter noção de quem era essa pessoa que perguntava informações, ajudou a sacudir meu dia, e principalmente, como um senhor sentado nas calçadas de Itaqui me questionou: _ E aquela Nádia, onde anda?

sábado, 21 de junho de 2008

Freud e eu, jovens...

Encontro um Freud jovem e inspirado no livro " Quando Nietzsche chorou"...e lembro quando eu também jovem, fazia poesia:

sei as regras
sei os erros
os pontos onde emperra
sei a forma
sei os medos
sei de freud
e outros mais
sei que posso
sei que sei
mas na hora
tranca o gesto
a palavra esvazia
se havia lágrima, seca
e eu já nem sei, se sabia.

e todos nós, choramos, rimos e crescemos...e crescer é não negar mais o que já se viu e se sabe, crescer é fazer escolhas...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

www.quesejadoce.org

Este é um site(em suave construção) do CAIO FERNANDO ABREU (que acabo de ser apresentada),o Caio que por tanto tempo me acompanhou, claro e limpo, com suas palavras doloridas e claras também...tantas vezes minhas.
Compartilho com vocês!
Degustem...e lembrem, tudo deve ser DOCE!

"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou o cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante". (Caio Fernando Abreu)

segunda-feira, 16 de junho de 2008

vou ter que dormir com essa (o Eça tinha razão!)

A verdade,é que um desses "SI-M" foi dito com o auxílio precioso do meu voto..raiva!


Dos 30 deputados federais gaúchos que participaram da votação de criação da CSS (Contribuição Social para a Saúde), nada menos que 21 aprovaram o monstrengo que ressuscita a extinta CPMF. Confira como votou o seu parlamentar:

Adão Pretto (PT) - Sim
Afonso Hamm (PP) - Não
Beto Albuquerque (PSB) - Sim
Cezar Schirmer (PMDB) - Sim
Claudio Diaz (PSDB) - Não
Darcísio Perondi (PMDB) - Sim
Eliseu Padilha (PMDB) - Sim
Germano Bonow (DEM) - Não
Henrique Fontana (PT) - Sim
Ibsen Pinheiro (PMDB) - Sim
José Otávio Germano (PP) - Sim
Luciana Genro (PSOL) - Não
Luis Carlos Heinze (PP) - Não
Luiz Carlos Busato (PTB) - Sim
Manuela DÁvila (PCdoB) - Sim
Marco Maia (PT) - Sim
Maria do Rosário (PT) - Sim
Mendes Ribeiro Filho (PMDB) - Sim
Nelson Proença (PPS) - Não
Onyx Lorenzoni (DEM) - Não
Paulo Pimenta (PT) - Sim
Paulo Roberto (PTB) - Sim
Pepe Vargas (PT) - Sim
Pompeo de Mattos (PDT) - Sim
Professor Ruy Pauletti (PSDB) - Não
Renato Molling (PP) - Não
Sérgio Moraes (PTB) - Sim
Tarcísio Zimmermann (PT) - Sim
Vieira da Cunha (PDT) - Sim
Vilson Covatti (PP) - Sim

terça-feira, 10 de junho de 2008














"Os políticos e as fraldas devem ser mudados freqüentemente e pela mesma razão" Eça de Queiroz


Ontem enquanto tomava um expresso, ouvi de um senhor na mesa ao lado: Estamos sob a DITADURA da CORRUPÇÂO!
É impressão minha (e do Eça), que essa história é BEEEEEM antiga???

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Tua ausência, me preenche o dia...

Tenho um amor, longe e perto, por que penso nele em detalhes de todos os dias, nos raios de sol que já compartilhamos, numa cena de novela que comentaríamos, num filme que entra em cartaz, numa taça de vinho, num brinde, num café com leite de fim de tarde, numa comida que acerto, num restaurante que descubro, nas luas cheias, nas chuvas, nas sestas, no rigor do inverno, nas árvores que começam a pintar primavera, nas tristezas, nas gripes, na falta de abraço, nas emoções que precisam ser compartilhadas enfim é realmente uma presença bem constante meu amor que mora longe.
Digo isso, por que ontem ouvi duas pessoas comentando o namoro “sem futuro” de um amigo, nessas palavras:
_O cara ta apaixonadão, mas na boa, isso nunca vai dar certo! A guria mora em Torres, fala sério, isso é namoro que se apresente?
_ Cada encontro é literalmente uma viagem! Disse rindo a menina concordando.

Eu com essa minha “capacidade parabólica” de ouvir conversa alheia e me meter nelas, acrescentei:
_ Pode dar certo sim, o meu está dando!
Eles me olharam intrigados, quiseram saber, e eu contei, 500 km são uma distância grande e necessitam muita identidade, vontade, muita intensidade e cada encontro por ser uma “viagem” pode garantir bem isso, esse turismo emocional, esse exercício de concentrar e dedicar aos nossos dias perto, um aproveitamento máximo.

Conheço casais que passam a vida juntos, que dividem a cama e tem tédio e um descuido mútuo lamentáveis, não se surpreendem não se lembram não se cuidam, não é a regra, ou talvez seja, as pessoas tendem a se descuidar no dia-a-dia, tendem a dar por conquistadas as pessoas que tem ao lado e deixam de viajar naquela presença, naquele corpo, naquela boca, deixam de fazerem-nas importantes, deixam-se ficar...
E por que eu sei o que vivemos e temos ontem ouvindo a Elba cantar com o Dominguinhos, eu senti meu coração aquecido e depois dormi em paz (sozinha, mas abraçada na lembrança dele):

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dar prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz

Não existe fórmula pra amor dar certo, ou melhor existe, uma relação deve permanecer GOSTOSA DEMAIS, longe ou perto, esse é um exercício diário!