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3 pontos de vista de uma mesma história...

Ele chegou saindo...Sabe quando alguém chega, mas os olhos e o corpo querem sair correndo? Pois é, ele chegou assim. Sentou no sofá, com os olhos baixos, parecia até que tinha chorado, precisava falar, era nítido que tinha ensaiado um texto enorme, mas estava ali, inerte como um ator que perde a deixa. Eu queria só uma palavra ou um abraço, mas soube ao abrir a porta, que ele não tinha nenhum deles pra me oferecer.

Ela abriu a porta, como desdém, como se a minha presença ali não fosse necessária ou esperada, como se dependesse só dela qualquer decisão, como se qualquer palavra que eu dissesse não fosse ser sequer ouvida. Ao abrir a porta, me fuzilou e mostrou o sofá, só isso, sem um “oi”, sem um “tudo bom”, só um gesto entre autoritário e displicente, ela estava ficando feia, estava ficando parecida com a minha mãe quando me arrancava da cama de manhã, ela estava virando um monstro.

Ele: Eu pensei muito...E não posso...Eu não quero...Não sei se te amo suficiente pra ter esse vínculo con…

dos quindins de agora...

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Meu primeiro amor foi grande e doce,  foi também muito inspirador, me trouxe pra Porto Alegre, onde virei essa turista encantada...a ele, na falta de maiores possibilidades monetárias, dava presentes criativos: sonhos de valsa, bilhetes espalhados pela casa, quindins (que era o doce preferido), melancia gelada, caixinhas e colagens...era bonito, por que éramos bons nisso, fazíamos muita festa, à todo pequeno detalhe que nos tocasse...quando o amor terminou, eu escrevi muita poesia triste, ressentidas, precisei muito tempo pra entender essa dor nova, pra amar de novo e pra conseguir rir e postar essa poesia, ja sem resquício do que a originou... Anos mais tarde, viajamos juntos, pra uma cidade distante, casualmente no mesmo banco de um ônibus de linha, e diante do que ja não éramos, fiz outra poesia... 


ontem o passado sentou ao meu lado sonhei esse encontro por anos o passado e eu cara a cara pra acertar nossas palavras e os silencios que guardamos mas o presente fez vala é assim amor acaba frág…
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Fui sempre muito precipitada e forçava portas, forçava palavras, forçava minha presença, voltava e insistia quando já haviam claramente se despedido de mim, repetia de novo, de novo, de novo, como um Teletubbies non sense.

Mas isso tudo foi antes, muito antes quando eu ainda voava pelo jardim feito semente, feito pólen, isso foi antes de germinar em lugares dos quais me arrancaram, por ser imprópria, foi antes de nascer e florescer em frestas.
Foi antes de desenvolver minha alma tatu-bola, que também aprendi no jardim, só que já em terra firme.
Onde aprendi, a me fechar aos toques, a rolar nas insensibilidades, a mudar de direção.
Não faço apologia, não é melhor o segundo estágio, ser tatu-bola foi meu ônus, ser semente era puro bônus, voar sem medo e poder germinar é mais gostoso, dar frutos é mais saboroso, virar flor é mais bonito.
Mas vocês devem saber, até Darwin defendia isso, quem sobrevive, não é o mais forte, é quem melhor se adapta, e de alguma forma, virar tatu-…

teses, antiteses ... e o amor

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Tenho nostalgia dos amores quando acabam, da velhice de mãos dadas que não viverão, das helenas e claras tramadas em tardes quentes que jamais nascerão...
meu ultimo namorado me conquistou, quando me abraçou imenso e disse no meu ouvido : é simples! me inundou dessa vontade de que fosse mesmo, simples, de um jeito que nunca foi...simples, como eu disse ser, em um conselho em poesia que mandei pra um casal em crise:
RIMANDO,RIAM, GOSTANDO,GOZEM,
SE TEM SOLUÇÃO, ARRUMEM, SE VIROU RAIVA, GRITEM, SE ESTÁ DOENDO É VIVO
E
TENDO VIDA
VIVAM !!!!           ...se eu posso dar um conselho
é esse...
não desistam!
vocês chegaram até aqui
e eu sei, o caminho foi longo
com mais risada do que lágrima
mais emoção do que desencanto
vocês juntos fazem rima
tem mais tesão do que tédio
o resto vocês sabem
expectativas frustradas
palavras mal ditas
mágoas engolidas a seco
um de cada lado
no meio
um sentimento doente
acredito que o remédio
é, por hora
aposentar as palavras
usar
olhares
mãos
abraços
silêncio
se, no fundo do fundo
restar vontad…

emoção sem nome... e sem tempo...

Eu queria falar dessa emoção mágica que vez ou outra me vem e acho, não tem nem nome...
Poderia chamar de Epifania, por que tem muito dessa manifestação e um descortinar de sentidos, mas talvez mereça outra nome...
Sabe quando uma emoção nos transborda?
Quando uma poesia, um livro, um filme, uma passagem nos interpreta?
Quando um musica nos toca, como se fossemos instrumento?
Sabe quando a empatia é tamanha que se parece capaz de sentir a mesma dor e a mesma alegria?
Quando nos contam uma viagem e a gente viaja junto?
Quando alguém abre a alma sem medo e a gente sabe que esta sendo presenteado com um momento único?
Quando um abraço nos acolhe e nos dá a medida exata da paz e da simplicidade pra seguirmos?
Quando falamos e ouvimos e se dá a plena conexão do entendimento?
Quando nos reconhecemos em olhares?
Quando um abraço é o único lugar que queremos estar?
Quando algo em nós desagua, inunda os olhos e acende luz por dentro?
Quando o sentimento nos tira todos os limites?

Uma vez pensando nessa sens…

O que andei desaprendendo...

encontro essa frase rascunhada por aqui...e um texto de um outro tempo, como meu pai ainda estava vivo, deve ter bem uns 10 anos, essa minha descrição do que seria IDIOTIA... talvez eu andei desaprendendo a ser leve e feliz...e tudo isso veio aqui hoje, UM NOVO DIA...pra me lembrar...


Idiotia Li uma auto-definição do cineasta Fernando Meirelles : “eu sou um otimista incorrigível.Beiro a idiotia”. Gostei dele se definir assim e entendi o filme Cidade de Deus ser o ponto de vista de um dos moradores que conseguiu não se contaminar, o que dá um alento, o meio não precisa necessariamente fazer o homem, o homem pode escolher, mesmo a duras penas, refazer o script, ser melhor, ser maior. E viva o otimismo! Identificação imediata, talvez eu nunca tenha me achado otimista, mas nos últimos tempos, tenho sido além da conta, uma crente: pode ser melhor, se quisermos temos boas perspectivas, é simples e depende de cada um. Viu, também beiro a idiotia, e por mais estranho que possa parecer, beirar a i…

A arte de virar a pagina...

Eu gosto imensamente da escritora Adriana Falcão, tenho a impressão que poderíamos compartilhar bons momentos e boas risadas se um dia fossemos próximas, por isso cada livro que ela assina, me chama a atenção e facilmente cola meu olhar do inicio ao fim, foi assim com o livro que acabo de ler: A arte de virar a página (2009) (Editora Fontanar. Com imagens de Leonardo Miranda), despretensiosas frases e fotos que contam fatos corriqueiros do dia-a dia, mostrando que sempre haverá uma situação nova a cada virar de página, o que minha alma pollyanesca reconhece: “pior que perder alguém que se ama, só se perdêssemos também a memória”, é essa Adriana simples que me encanta. Li essa frase e passei a viajar na memória, que sempre me pareceu uma ficção pessoal e intrasferível, por que sabe-se lá que mecanismo ativa esta ou aquela lembrança? Que sinaliza que esta é uma lembrança a armazenar? De repente vem um cheiro, um som, um toque, uma cena, um gosto e a memória completa o filme. Fotografia m…