sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Aprendendo...a aprender...

Eu gosto de prestar atenção na natureza, digo brincando, que sou uma turista do chão, uma turista do céu, uma turista dos ciclos... um ano inteiro prestei atenção a uma árvore que vive na frente da minha sacada... vi ela secar inteira num inverno, foi ali que comecei a aprender... ela perdeu todas as folhas no outono e naquela manhã acordou seca, fiquei triste e apressadamente carimbei...que pena, já foi tão linda, morreu... fiquei nesse luto um tempo e ela ali, seca de dar dó... até o dia bonito que começou esverdear e logo florir...aquele tanto de beleza que ela fez e continuou fazendo, a cada nova primavera, pedia esse tempo de espera...eu precisava aprender a esperar...

O doído é que já sabia disso, que a vida é assim um ciclo atras do outro, fiz ate uma poesia quando percebi que bobamente tentava controlar sozinha essas mudanças e o tanto de peso extra carreguei por conta de não reconhecer, as necessidades, os ciclos, os movimentos, as paradas ...o quanto briguei com a vida, usando ego e expectativas nessa luta de não querer aceitar o que vem, e assim muito me envenenei, me quebrei e pouco aprendi ...eu fiz isso a vida toda...

porque não tive tempo
de aprender que é vento
nem caí do vôo
como passarinho
nem fui árvore e seiva
crescendo devagar
fiz de mim
urgência - sobressalto - susto
fiz de mim arbusto
com ânsia de coqueiro
grama que não sabe
ser só verde e rala
lua que não quer
minguar para crescer
me forcei atalhos
desfiz natureza
assim voando presa

ao tronco que criei...

eu já sabia, mas bem diz aquele proverbio chines: "Saber e não fazer, ainda é não saber" ou como mais tarde me disse o Caio do B : "saber é ir até a metade"...ainda estou no caminho, por enquanto como turista, só registro tudo, tudinho, pra ver e rever e quem sabe, enfim me dedicar a mudar...e largar essa ânsia de florescer antes de secar, colher antes de madurar, voar antes das asas prontas...aprender a me deixar ser, de mansinho, não no tempo que eu  quero e suponho o "ideal",  mas no tempo que tudo se apresentar...
Parar, olhar, prestar atenção, desapegar, deixar passar, se unir, se fortificar, respeitar o tempo de ser, de se refazer, de se aprontar...


 Como essa árvore cortada, por mais podada e desestimulada que ela seja, não vai desistir ... a vida esta aí todo dia pra lembrar: seja o que for, vai passar...
  Sou semente e brotar é a minha natureza...e por mais clichê que possa parecer, a verdade é: a gente vai colher o que semear...








quarta-feira, 15 de novembro de 2017

das perdas & ganhos

perdi
colegas,namoradas,caes.
perdi
arvores, pássaros,
perdi um rio
e eu mesmo nele me banhando.
isso o que ganhei: essas perdas.
isto o que ficou: esse tesouro de ausências.

Rui Espinheira Filho


A gente cresce se apegando no "havido", nos ritmos que já nos tocaram, caso a alma esteja um pouco sofrida, podemos nos apegar na dor, pra não conhecer dores novas e novos riscos, podemos.... é meio deprimente guardar tesouro de ausências, e não de presenças... talvez até guardar esperas fosse mais ganho, não a espera passiva de quem vai ganhar, mas de quem vai buscar... tesouro de buscas, de planos, de utopias, de quereres que nos empurrem pra frente..." a utopia, lá longe é o que nos ajuda a caminhar" como bem lembrou o Eduardo Galeano.

Mas normalmente, nos alimentamos de nãos...e nós... bem danados de desamarrar... nos "maneamos" como diriam em Itaqui...
 "tem mais presença em mim o que me falta" me disse o Manoel de Barros, quando eu também me alimentava de vazio... vez ou outra ainda faço isso, "é humano, demasiado humano", pode ser vício... Podemos inventar um antes, esconderijo, "perfeito" na nossa edição de verdades, a mente é eximia nisso, em reinventar o passado, de um jeito que nos justifique...não posso ser simplista, as vez não é invenção, mas que é foco, não tenho duvida, é colocar luz direta e forte escurecendo todo o resto em volta, impedindo até nossa própria clareza ao enxergar...
Mas voltando a poesia do rui, que estava em meus rascunhos desse blog abandonado, entre tantos inícios e ideias que não dei prosseguimento...ela ficou aqui, pra me fazer pensar e confirmar, não se perde nada do que se viveu... simplesmente nada, tudo é matéria prima, desse emaranhado que nos sustenta...

...eu sei que os esconderijos muitas vezes viram clausura, abafados e claustrofóbicos, e mesmo assim, ah que incongruência, é pra lá que queremos as vezes voltar... sera pela sensação de voltar ao útero? uma volta ao antes da violência do mundo? uma tentativa de fugir dos olhares que nos negaram a aceitação e  novamente aconchego?



Esconderijo

O que deixou
de ser preenchido
ocupa um espaço absurdo
por dentro...

um vácuo
talvez intransponível
de expectativa frustrada,

muro,
dique,
nada


o difícil é reconhecer esse nada, se adonar dele e pensar, a serviço de que vem a dor e o esconderijo...e assumir qual parte vamos deixar comandar, a que se esconde, a que coloca os escudos, a que se fecha, a que se resguarda...a quem vamos dar a voz? quem vai falar por nós?

eu tenho no meu havido, um pátio que virou metáfora e inspiração de mil sensações e poesias.. o tanto que me adocei naquele pátio é equivalente a solidão que senti por lá, mas é de lá que vem todo o barro que me reconstitui... é por isso que eu digo: amor é pátio, não montanha-russa ... por que amar é também se deparar com a nossa solidão e nossa vulnerabilidade...





Se eu estou conseguindo?

Eu mal saí do útero e ainda me ressinto com tudo que não ganhei, ainda me escondo no pátio, as vezes brinco e finjo que as goiabas todas são deliciosas e sem bicho, e noutras vejo os bichos muito maiores que são... estou tentando, tateando nos meus escuros, mas não estou parada esperando, como se ainda não soubesse andar, sei, que mesmo com medo é preciso ir, dói, mas as vezes vem uns sopros de pronto pronto passou, vem uns olhares que mesmo me enxergando integralmente me aceitam, me encorajam e me amam...é neles que eu quero crer...aprender a me alimentar de sim...e ter gratidão por esse amontoado de presenças que me fazem querer nascer...nascer demora!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

mofo&desconexão

Eu acordei sentindo falta de conexão, não dessa WiFi nem dessas bem falhas dos nossos celulares, aquela outra que é tão mais, de se reconhecer em olhares, de compartilhar silêncios sem que eles atordoem, de abrir a alma sem receio, de saber do outro e ter e permitir acesso ao que lhe é mais íntimo,frágil e grande, de estar perto por estar conectado ...

Esse cinza ininterrupto me mofa por dentro e talvez me bloqueie essa capacidade, será que perdi a minha própria senha?

 Ontem ao assistir uma cena linda no cinema, pautada na dificuldade de expressão de sentimentos entre uma família, fui invadida por essa sensação doída de que esperamos demais dos outros, e esperamos muitas vezes o que lhes é impossível e sofremos e nos magoamos pelas incapacidades alheias, gerando muitas vezes bloqueios e incapacidades em nós. Ninguém pode medir o quanto uma palavra dita ou calada, o quanto um toque, feito ou negado, o quanto um conceito, um olhar, uma crítica, um abraço, uma abandono, uma aceitação podem alterar a nossa vida, pode formar ou deformar nosso caráter, nossa capacidade se sentir ou expressar.
           O sentir como o escrever, pode despertar empatia, projeção, repulsa, medo, insegurança, pode mexer com quem está do outro lado, mas sempre será “lido” através da lente das experiências do outro, o sentimento, e nisso o amor é o maior exemplo, nos pertence de uma forma tão íntima, que nem sempre mesmo compartilhado em anos, beijos, abraços, intimidade e dia a dia consegue ser totalmente exposto ou entendido.
         Sentimento-humano...difícil-acesso, assim como os detalhes que necessitamos para nos sentir aceitos e amados, ás vezes são ínfimos e desnecessários aos olhos alheios, e podem ao não existir, desfazerem qualquer possibilidade de contato. Uma parte lá fica a descoberto, uma parte lá exige senha de acesso, senha essa que nós mesmos muitas vezes esquecemos de desbloquear...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

sulcos na alma

Ele me ensinou
que certas vivências
geram sulcos
na alma
e as vezes
mesmo que se queira
e precise
que a emoção
pegue outro rumo
ela não consegue...
segue o sulco
e deságua
num lugar
conhecido
ultrapassado
e sem saída

quarta-feira, 20 de maio de 2015

aprendendo a desaprender...

A gente pode aprender e desaprender pro bem ou pro mal, estar vivo faz dessas...
Eu muitas vezes percebo o quanto aprendi torto e precisei desaprender e reaprender de novo (felizmente isso não tem fim)...
Hoje mesmo enxerguei, que desaprendi a ser cuidada, e vi que o processo é mais ou menos assim: ( e vale pra uma serie infindável de sentimentos, emoções, ações)...quando se precisou tanto e não se ganhou, pode se desistir de esperar... e desaprender a ser frágil as vezes...

http://noo.com.br/8-coisas-que-aprendi-a-desaprender/

quarta-feira, 6 de maio de 2015

auto-entrevista


Te acompanho há anos e te vejo sorrir muito, estar sempre feliz,  não cansa?
Sou um pouco deslumbrada com detalhes e assim um pouco boba, sorrir é realmente fácil para mim, mas quando falta sentido eu choro muito também, só que minha lágrimas são menos expostas, cinema me faz chorar muito, e vou normalmante sozinha, enfrento minhas dores privadamente, me escondo pra sofrer.
Chamo meus momentos tatu-bola, quando tudo me fecha, tudo me dói, tudo me gera uma reação de auto-proteção.

E isso de sofrer sozinha é mais prepotência ou incapacidade?
Um pouco de incapacidade eu acho, de expor meus escuros, meu lado B, de não ser sempre feliz, como se houvessem me ensinado que existem coisas que não "ficam bem", como odiar abertamente, como invejar, sofrer entrou nesse rol, das coisas proibidas de sentir publicamente.

E amar, também é proibido publicamente?
Quando eu amo gosto da exposição desse amor, gosto das manifestações, das declarações, das mãos dadas, dos beijos na boca,de bilhetes e de te amos ditos, sou uma exibicionista, não gosto de gente que economiza demonstrações de afeto me parece sempre desculpa de quem na verdade não quer ou não sabe se dar.

"Quando amo"...tua frase me parece que amor é assim, uma fase, uma ocasião, um ritual...
Pois é, amar (e não sei se sei amar), me parece mesmo isso, uma fase, uma ocasião, um ritual, como um estado de graça, um estado pendurado no tempo, um momento onde os detalhes fazem sentido e eu fico mais leve e sorrio mais, quando começo a chorar e a querer me esconder, já duvido que seja amor, ou da minha capacidade de...

Foge?
Penso, e pensando deixo de ser leve e deixo de querer, e sim muitas vezes antecipo os fatos, não gosto de esperar o fim total, sou ansiosa, sou emocionalmente infantil, fui por muito tempo filha única e isso marca.

O que te parece marcas de uma filha única que ainda ficaram?
Não lembro de ter regalias extremas e mimos, até me ressinto por uma  certa falta de atenção na infância que me deixou com uma sensação de ausência.
Talvez por que fui uma filha única sem pedestal e direito a chiliques. Fui uma criança solitária e ficaram marcas emocionais de ansiedade, uma sensação de que o que sinto é muito importante para não ser ouvido, uma impressão de que devem prestar maior atenção em tudo que é meu até ao meu silêncio, que devem me cuidar,mesmo que eu não demonstre isso, quero e preciso sempre ser única.

Quer que adivinhem isso? Essa necessidade não expressa?
Talvez esse seja o maior sintoma, quero que prestem atenção e me leiam as entrelinhas, não quero precisar pedir, quero ganhar.

E sabe também dar?
Sei, sou bem generosa e muitas vezes me ultrapasso para agradar. Mas se não percebo um reconhecimento de volta, posso me sentir muito abusada e me fecho.
Parece um jogo ou um super controle?
Na real é mais reconhecer o descontrole e uma enorme necessidade de me preservar,pensando bem pode ser controle mesmo...

E o que precisa ser mais controlado? A emoção? A agressividade?
Me falaram dia desses que eu minimizo a emoção e talvez faça o mesmo com  agressividade, disseram que eu coloco tese encima dela, que é minha forma de dar menos ênfase...ainda estou pensando se essa leitura é correta. De fato com a agressividade nunca soube conviver bem, a minha engulo e a dos outros me ofende demasiadamente. Fui mal criada nesse sentido, nunca ouvi uma discussão ou um grito em casa, me criei achando que essas "coisas" eram anormais,"menininha boa moça, incapaz de querer mal, parecia tão verdade, esse maniqueísmo bobo,que me fez  fazer de conta que não sou sinceramente, boa e má, médico e monstro, criador e criatura..."
Dualidades...quanto a uma emoção descontrolada, tenho medo e fascínio!
Quem ganha o fascínio ou o medo?
Ultimamente o medo tem se fantasiado de maturidade e sido mais frequente, mas ando sentindo falta de momentos fascinantes...

A maturidade é uma qualidade ou um defeito?
Tem coisas interessantes em estar viva há mais tempo,uma certa tranquilidade, uma dimensão mais real das importâncias, das prioridades e até das dores. Mas tem um sensação de "já vi(vi) isso" que cansa também, é legal ser surpreendida...a maturidade pode virar defeito, pode virar distanciamento.

Tu é quem sonhou ser na tua idade?
Não sou esse tipo de gente que tem metas e sonhos muito claros, nunca me comprometi assim com objetivos tão definidos, vou vivendo o que vem sendo, não tinha uma Nádia ideal para alcançar. Mas de fato estou no lucro,tinha uma sensação esquisita de que morreria antes de completar 40 anos. Cheguei até aqui sem me dar conta direito e em muitos aspectos sou e estou melhor do que poderia imaginar, sou mãe e isso me parece uma grande distinção, virei dona do meu próprio nariz o que nunca me imaginei fazer e não desisti de me conhecer mais profundamente, por isso me trato e escrevo.
Eu sempre digo que eu falo melhor escrevendo, ainda preciso resolver isso e também os casos, onde a palavra jorra feito um acesso de loucura, pra despistar o enredo, o engasgo e a timidez.


Falta o quê?
Falta tempo e sobram possibilidades...Estou simplificando, falta amor ás vezes, falta intimidade, faltam relações verdadeiras, faltam palavras,falta inspiração,falta ideologia, falta coragem, falta silêncio do bom e lugares para estar tranquilamente, enfim...se é real a teoria do vácuo, tudo que falta está a um  passo de ser preenchido...Tomara!!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

o amor ...


As palavras dizem pouco!
As palavras pouco são!
Pena, já que elas são supervalorizadas por aí, nesses tempos barulhentos e inexpressivos.

Tem palavras que caíram na banalidade, ou que caíam no terreno arenoso do que “não deve ser dito”, e outras que carregam uma carga tão grande de responsabilidade e peso, que também acabam nem sendo pronunciadas.
Lembro como se fosse hoje a cara de pânico de uma amiga, ao me contar do
primeiro “eu te amo” que ela ouvira. Ela dizia: “Eu fiquei muda, não consegui dizer nem eu também.. o que eu digo agora? O que será que significa?” Me contava atônita e e como em transe :”eu te amo..ele disse...eu te amo!!!”
E despejou um monte de considerações a respeito dessa frasezinha que caiu na maldição de ser profunda e definitiva.
Acho lamentável que amor tenha toda essa carga enquanto ódio passeie por aí livre e impunemente, tão facilmente as pessoas esbravejam e ODEIAM... tão encabulados e receosos, amam e dificilmente expressam.
Ontem lendo poemas lindos de amor em forma bruta, do poeta Idésio Oliveira
deparei-me com a frase:
“Ao me sorrir, este amor trará consigo o aroma dos botões tramando flores.
Terá a fortaleza da rocha e eu me deleitarei no revelar de suas fragilidades.
Me contará onde esconde seus erros e brindaremos a cada acerto que tivermos juntos.”

Lembrei de momentos assim compartilhados, e senti que grande poder é sentir amor por dentro, como é bem bom ter a alma aquecida, e por que não compartilhar essa emoção.

Foi muito lindo perceber, que amor pode ser expresso sem ser contrato, sem ter futuro,
sem ser aliança ou qualquer dessas tranqueiras, pode ser expresso simplesmente como e com aquele sentimento mágico e quente, que nos invade, vez ou outra, quando nos deparamos com o nosso melhor lado, quando queremos proteger e dar felicidade, quando queremos espalhar calor e iluminar,como sol, amor deveria ser sentido, dado e dito com essa naturalidade. Como expressão, não como pressão, como sentimento, não esperando consentimento, nem a reciprocidade de um “eu também”.
Amor na verdade nem cabe na palavra e pode vir em forma de colo, em beijo na testa, coçando as costas, fazendo comida, andando de mãos dadas, assistindo pôr-do-sol ou nascer de lua, ouvindo música, amor pode ser a mão que segura, o abraço, o sorriso,
pode ser a entrega de um sono ou lágrima compartilhada, olhos que se cruzam cúmplices, pode ser silêncio, enfim pode ser e ter muitas formas e pode ser instantâneo.
E deve ser expresso, isso é urgente, da forma que vier.

Acho que minha amiga, ainda não havia sentido nada igual, e por isso se impressionou tanto com as palavras, por que bem no fundinho, as palavras não são nada, as palavras são símbolos que alguém determinou e escolheu como próprios, minha amiga ainda não tinha o sentimento aquecendo por dentro, e sentiu que deveria dar algum retorno pra palavra, e não deveria... nem pro sentimento deveria, por que o amor, e isso é realmente o mais mágico, o amor é de quem o sente.