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cinco felicidades...

Diante da necessidade de lembrar cinco felicidades, me deparo com minha tristeza implícita, pra consumo externo sou efusiva, risonha e leve. Por dentro uma outra eu, pesa toneladas, chora e se penaliza, colecionando dores feito figurinhas de álbum, com cuidado que se dedica as coleções, uma outra eu guarda uma certa incapacidade de lembrar feliz, como se pra dentro só o olho triste enxergasse. Eu, garimpeira de lixos, culpas e abandonos, resgato dor, lustro, amplio, distorço a cena e ainda coloco luzes duras para aumentar o impacto e o drama. Um exercício estúpido de auto-preservação. Como se eu precisasse arrancar as casquinhas pra lembrar do sangue e de toda possibilidade de queda embutida em cada passo. Uma parte de mim não me permite sarar. Não lembro uma única felicidade que não tenha muita tristeza grudada no casco. .............................. Ganhei uma viagem para a Europa numa promoção que parecia impossível da rádio Atlântida, como a passagem expirava em um ano e eu pode…

nem cabe no mesmo tapete....

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Ah eu precisava mesmo ouvir o conselho dessa menininha... amei... andei fazendo uns poemas de reconhecimento, do quanto meu feminino foi limitante e quanto eu permiti isso... aiaia, haja terapia...

Quando pequena
Eu queria ser homem
Pra andar sem camisa
E fazer pipi de pé
Se eu fosse homem
Eu não ia fazer pipi
Iria mijar
onde bem entendesse
Por que seria dono do meu nariz
Depois eu quis ser homem
Pra não ter virgindade
Como prêmio e espera
Pra poder chegar bem
Tarde , dar gargalhadas escancaradas,
Não ter modos e
Sentar de pernas abertas
Sem me preocupar
Com o que iriam dizer
Sempre pareceu mais
Livre, divertido
Mais solto
Mais sol
Mas me vestiram de rosa
Me furaram as orelhas
Me chamaram princesa
E prometeram que viria um
Principe
Me convenceram que as mulheres eram
Lua
e me deixei orbitar e apagar por todo tipo de sol
Eclipse ao contrário...
......
Eu acho que nasci mulher
Tive desde sempre uma fundura
E um desassossego
Como o todo feminino
Tudo era dentro...
Lemb…

expressão é movimento...

Quando eu estava grávida precisei ler muito para sossegar a sensação de que não saberia ser mãe, li de tudo e foi maravilhoso, por que quando a Alice nasceu, eu já me achava capaz, sei que nunca se está totalmente capacitado por que o processo na vida é aprendizado diário, mas sentir-se apto faz vencer o medo e por aí se anda. Movimento!          O mais libertador foi um livro sobre inteligência emocional que me ensinou a não negar emoção, minha filha precisava me reconhecer humana para se identificar comigo, e sendo assim eu poderia e deveria expressar tudo. Cedo aprendi que tentar saber tudo ou controlar tudo, numa linha super-herói, só nos afastaria, então desde sempre minha filha sabe quando algo me dói, me toca, me emociona, me irrita, o que é muito bom. Clareza!         Num outro livro que falava sobre amamentação, ensinava que era fundamental amamentar intercalando as mamas, de forma a esgotar todo o leite, estimulando assim constante e nova produção. Inspiração!         …

duvida......

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“a dúvida é o preço da pureza ”...  Ganhei de presente uma idéia, de que a dúvida, bem representada por um símbolo de interrogação, é insemesmada, fechada, enrolada ,é de difícil entendimento e acesso...Mas se compartilhada a duvida, cria nova forma, ela se reflete, como num espelho, ela se amplia e se enxerga,  e assim ganha outro aspecto, ganha ares, movimento, parece hélice, catavento, com boa vontade no olhar pode até virar flor...E usando essa imagem que é bárbara e real por que o olhar do outro sobre a mesma coisa, pode nos proporcionar mil nuances novas, pode mudar nosso foco. Viajei na imagem e juntando uma interrogação com a outra de lado inverso vi que também pode surgir um coração, duvida+duvida= amor...O que também faz sentido, as dúvidas aproximam, as certezas e convicções podem afastar, se forem intransigentes serão um ponto de exclamação , equivalentes a um punho em riste, erguido gritando: Hai! “É inútil ter certeza!” cantavam antigamente os Engenheiros do Hawaii, é i…

Sobre começos e encontros ...

Janeiro. 1985

Recém formada estreando na capital, procurando trabalho, com um minguado currículo embaixo do braço, ouvi toda gama de nãos, numa tarde estou esperando mais um, no saguão de uma agência de publicidade, quando entrou um figurão da TV e do mercado, sentou perto. E eu muito dada e curiosa puxei assunto, papo vai papo vem, perguntei o que mais me interessava:
_ Na tua opinião, qual a melhor produtora de comerciais de Porto Alegre?
_ A Sabiá! Disse-me assertivo.
_ Do Laerte, Martins, não conhece? Fica ali na Santa Terezinha.
_ Ah, sei... Sem saber e por que a nossa breve conversa chegava ao fim, já que a pessoa a qual eu aguardava, neste momento havia me preterido e recebia, naturalmente, ele: o Clóvis Duarte.

Muito prontamente pedi para a secretária um “Achei”, salvador mapa de ruas de Porto Alegre, que muito recorri até me acostumar com essa cidade que de inicio parecia enorme, confusa e caótica.
Dispensei minha entrevista agendada, agradeci e lá fui eu, rua a fora.

Bato na porta, …

revisao...

ando revisando
doídamente 
as cargas,
os aprendizados, 
as crenças 
e esse tanto de força 
que acabei desenvolvendo 
e vendo com isso, 
o tanto que me neguei
o tanto de colo 
que me faltou
e esperei sem pedir...
minha filha me disse ontem: 
a sede de amor é insaciável 
talvez seja isso 
que minhas cargas 
“disfarçaram” e tentaram 
bobamente 
preencher...

ou nao... como diria Caetano,  só sinto que cheguei ate aqui, tentando encaixar, nos projetos adultos, românticos ou bla,ba, bla, bla que acreditei "certos" ou "normais", e nas tentativas fui me negando, se atropelando, me cobrando, me forjando,  me desconhecendo ...se é que me dei o direito e o tempo, de me conhecer um dia...

ando revendo 
doídamente
tudo que é meu 
nesse tanto de buraco e voo
o que me coube
o que cavei
o  que fiz sozinha
o que permiti
o que alcancei
o que era salto
o que era queda
o que era asa
o que era escora
o que era medo 
o que era?
...
é bonito
entrar nesse turbilhao de perguntas
e se enxergar
talvez menos bonita
do que q…

pra acender...

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Eu ia falar de tristeza, por que os tempos andam nublados e estupidos, mas meu amigo Idesio me lembrou como os girassóis se comportam nos dias nublados... ele se conectam, se olham e trocam energia... é assim a minha tentativa, de acender sol com poesias e delicadezas lindas que catei pra nós...

Do tamanho das pessoas...
" O tamanho varia conforme o grau de envolvimento.
Uma pessoa é enorme para você, quando fala do que leu e viveu, quando trata você com carinho e respeito, quando olha nos olhos e sorri destravado. É pequena quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a parceria nos sentimentos e nas ações." 

Do amor possível...

A verdade forte e suave na poesia do Everton Behenck

"Esse meu desajeito
Para as coisas do peito

Aprendi a desconfiar
Antes de cada

Bater de asas

Não sei
Desabotoar as costelas

Só as calças

E ainda assim
Queria tant…