sexta-feira, 17 de julho de 2015

mofo&desconexão

Eu acordei sentindo falta de conexão, não dessa WiFi nem dessas bem falhas dos nossos celulares, aquela outra que é tão mais, de se reconhecer em olhares, de compartilhar silêncios sem que eles atordoem, de abrir a alma sem receio, de saber do outro e ter e permitir acesso ao que lhe é mais íntimo,frágil e grande, de estar perto por estar conectado ...

Esse cinza ininterrupto me mofa por dentro e talvez me bloqueie essa capacidade, será que perdi a minha própria senha?

 Ontem ao assistir uma cena linda no cinema, pautada na dificuldade de expressão de sentimentos entre uma família, fui invadida por essa sensação doída de que esperamos demais dos outros, e esperamos muitas vezes o que lhes é impossível e sofremos e nos magoamos pelas incapacidades alheias, gerando muitas vezes bloqueios e incapacidades em nós. Ninguém pode medir o quanto uma palavra dita ou calada, o quanto um toque, feito ou negado, o quanto um conceito, um olhar, uma crítica, um abraço, uma abandono, uma aceitação podem alterar a nossa vida, pode formar ou deformar nosso caráter, nossa capacidade se sentir ou expressar.
           O sentir como o escrever, pode despertar empatia, projeção, repulsa, medo, insegurança, pode mexer com quem está do outro lado, mas sempre será “lido” através da lente das experiências do outro, o sentimento, e nisso o amor é o maior exemplo, nos pertence de uma forma tão íntima, que nem sempre mesmo compartilhado em anos, beijos, abraços, intimidade e dia a dia consegue ser totalmente exposto ou entendido.
         Sentimento-humano...difícil-acesso, assim como os detalhes que necessitamos para nos sentir aceitos e amados, ás vezes são ínfimos e desnecessários aos olhos alheios, e podem ao não existir, desfazerem qualquer possibilidade de contato. Uma parte lá fica a descoberto, uma parte lá exige senha de acesso, senha essa que nós mesmos muitas vezes esquecemos de desbloquear...

segunda-feira, 25 de maio de 2015

sulcos na alma

Ele me ensinou
que certas vivências
geram sulcos
na alma
e as vezes
mesmo que se queira
e precise
que a emoção
pegue outro rumo
ela não consegue...
segue o sulco
e deságua
num lugar
conhecido
ultrapassado
e sem saída

quarta-feira, 20 de maio de 2015

aprendendo a desaprender...

A gente pode aprender e desaprender pro bem ou pro mal, estar vivo faz dessas...
Eu muitas vezes percebo o quanto aprendi torto e precisei desaprender e reaprender de novo (felizmente isso não tem fim)...
Hoje mesmo enxerguei, que desaprendi a ser cuidada, e vi que o processo é mais ou menos assim: ( e vale pra uma serie infindável de sentimentos, emoções, ações)...quando se precisou tanto e não se ganhou, pode se desistir de esperar... e desaprender a ser frágil as vezes...

http://noo.com.br/8-coisas-que-aprendi-a-desaprender/

quarta-feira, 6 de maio de 2015

auto-entrevista


Te acompanho há anos e te vejo sorrir muito, estar sempre feliz,  não cansa?
Sou um pouco deslumbrada com detalhes e assim um pouco boba, sorrir é realmente fácil para mim, mas quando falta sentido eu choro muito também, só que minha lágrimas são menos expostas, cinema me faz chorar muito, e vou normalmante sozinha, enfrento minhas dores privadamente, me escondo pra sofrer.
Chamo meus momentos tatu-bola, quando tudo me fecha, tudo me dói, tudo me gera uma reação de auto-proteção.

E isso de sofrer sozinha é mais prepotência ou incapacidade?
Um pouco de incapacidade eu acho, de expor meus escuros, meu lado B, de não ser sempre feliz, como se houvessem me ensinado que existem coisas que não "ficam bem", como odiar abertamente, como invejar, sofrer entrou nesse rol, das coisas proibidas de sentir publicamente.

E amar, também é proibido publicamente?
Quando eu amo gosto da exposição desse amor, gosto das manifestações, das declarações, das mãos dadas, dos beijos na boca,de bilhetes e de te amos ditos, sou uma exibicionista, não gosto de gente que economiza demonstrações de afeto me parece sempre desculpa de quem na verdade não quer ou não sabe se dar.

"Quando amo"...tua frase me parece que amor é assim, uma fase, uma ocasião, um ritual...
Pois é, amar (e não sei se sei amar), me parece mesmo isso, uma fase, uma ocasião, um ritual, como um estado de graça, um estado pendurado no tempo, um momento onde os detalhes fazem sentido e eu fico mais leve e sorrio mais, quando começo a chorar e a querer me esconder, já duvido que seja amor, ou da minha capacidade de...

Foge?
Penso, e pensando deixo de ser leve e deixo de querer, e sim muitas vezes antecipo os fatos, não gosto de esperar o fim total, sou ansiosa, sou emocionalmente infantil, fui por muito tempo filha única e isso marca.

O que te parece marcas de uma filha única que ainda ficaram?
Não lembro de ter regalias extremas e mimos, até me ressinto por uma  certa falta de atenção na infância que me deixou com uma sensação de ausência.
Talvez por que fui uma filha única sem pedestal e direito a chiliques. Fui uma criança solitária e ficaram marcas emocionais de ansiedade, uma sensação de que o que sinto é muito importante para não ser ouvido, uma impressão de que devem prestar maior atenção em tudo que é meu até ao meu silêncio, que devem me cuidar,mesmo que eu não demonstre isso, quero e preciso sempre ser única.

Quer que adivinhem isso? Essa necessidade não expressa?
Talvez esse seja o maior sintoma, quero que prestem atenção e me leiam as entrelinhas, não quero precisar pedir, quero ganhar.

E sabe também dar?
Sei, sou bem generosa e muitas vezes me ultrapasso para agradar. Mas se não percebo um reconhecimento de volta, posso me sentir muito abusada e me fecho.
Parece um jogo ou um super controle?
Na real é mais reconhecer o descontrole e uma enorme necessidade de me preservar,pensando bem pode ser controle mesmo...

E o que precisa ser mais controlado? A emoção? A agressividade?
Me falaram dia desses que eu minimizo a emoção e talvez faça o mesmo com  agressividade, disseram que eu coloco tese encima dela, que é minha forma de dar menos ênfase...ainda estou pensando se essa leitura é correta. De fato com a agressividade nunca soube conviver bem, a minha engulo e a dos outros me ofende demasiadamente. Fui mal criada nesse sentido, nunca ouvi uma discussão ou um grito em casa, me criei achando que essas "coisas" eram anormais,"menininha boa moça, incapaz de querer mal, parecia tão verdade, esse maniqueísmo bobo,que me fez  fazer de conta que não sou sinceramente, boa e má, médico e monstro, criador e criatura..."
Dualidades...quanto a uma emoção descontrolada, tenho medo e fascínio!
Quem ganha o fascínio ou o medo?
Ultimamente o medo tem se fantasiado de maturidade e sido mais frequente, mas ando sentindo falta de momentos fascinantes...

A maturidade é uma qualidade ou um defeito?
Tem coisas interessantes em estar viva há mais tempo,uma certa tranquilidade, uma dimensão mais real das importâncias, das prioridades e até das dores. Mas tem um sensação de "já vi(vi) isso" que cansa também, é legal ser surpreendida...a maturidade pode virar defeito, pode virar distanciamento.

Tu é quem sonhou ser na tua idade?
Não sou esse tipo de gente que tem metas e sonhos muito claros, nunca me comprometi assim com objetivos tão definidos, vou vivendo o que vem sendo, não tinha uma Nádia ideal para alcançar. Mas de fato estou no lucro,tinha uma sensação esquisita de que morreria antes de completar 40 anos. Cheguei até aqui sem me dar conta direito e em muitos aspectos sou e estou melhor do que poderia imaginar, sou mãe e isso me parece uma grande distinção, virei dona do meu próprio nariz o que nunca me imaginei fazer e não desisti de me conhecer mais profundamente, por isso me trato e escrevo.
Eu sempre digo que eu falo melhor escrevendo, ainda preciso resolver isso e também os casos, onde a palavra jorra feito um acesso de loucura, pra despistar o enredo, o engasgo e a timidez.


Falta o quê?
Falta tempo e sobram possibilidades...Estou simplificando, falta amor ás vezes, falta intimidade, faltam relações verdadeiras, faltam palavras,falta inspiração,falta ideologia, falta coragem, falta silêncio do bom e lugares para estar tranquilamente, enfim...se é real a teoria do vácuo, tudo que falta está a um  passo de ser preenchido...Tomara!!!!

quinta-feira, 23 de abril de 2015

o amor ...


As palavras dizem pouco!
As palavras pouco são!
Pena, já que elas são supervalorizadas por aí, nesses tempos barulhentos e inexpressivos.

Tem palavras que caíram na banalidade, ou que caíam no terreno arenoso do que “não deve ser dito”, e outras que carregam uma carga tão grande de responsabilidade e peso, que também acabam nem sendo pronunciadas.
Lembro como se fosse hoje a cara de pânico de uma amiga, ao me contar do
primeiro “eu te amo” que ela ouvira. Ela dizia: “Eu fiquei muda, não consegui dizer nem eu também.. o que eu digo agora? O que será que significa?” Me contava atônita e e como em transe :”eu te amo..ele disse...eu te amo!!!”
E despejou um monte de considerações a respeito dessa frasezinha que caiu na maldição de ser profunda e definitiva.
Acho lamentável que amor tenha toda essa carga enquanto ódio passeie por aí livre e impunemente, tão facilmente as pessoas esbravejam e ODEIAM... tão encabulados e receosos, amam e dificilmente expressam.
Ontem lendo poemas lindos de amor em forma bruta, do poeta Idésio Oliveira
deparei-me com a frase:
“Ao me sorrir, este amor trará consigo o aroma dos botões tramando flores.
Terá a fortaleza da rocha e eu me deleitarei no revelar de suas fragilidades.
Me contará onde esconde seus erros e brindaremos a cada acerto que tivermos juntos.”

Lembrei de momentos assim compartilhados, e senti que grande poder é sentir amor por dentro, como é bem bom ter a alma aquecida, e por que não compartilhar essa emoção.

Foi muito lindo perceber, que amor pode ser expresso sem ser contrato, sem ter futuro,
sem ser aliança ou qualquer dessas tranqueiras, pode ser expresso simplesmente como e com aquele sentimento mágico e quente, que nos invade, vez ou outra, quando nos deparamos com o nosso melhor lado, quando queremos proteger e dar felicidade, quando queremos espalhar calor e iluminar,como sol, amor deveria ser sentido, dado e dito com essa naturalidade. Como expressão, não como pressão, como sentimento, não esperando consentimento, nem a reciprocidade de um “eu também”.
Amor na verdade nem cabe na palavra e pode vir em forma de colo, em beijo na testa, coçando as costas, fazendo comida, andando de mãos dadas, assistindo pôr-do-sol ou nascer de lua, ouvindo música, amor pode ser a mão que segura, o abraço, o sorriso,
pode ser a entrega de um sono ou lágrima compartilhada, olhos que se cruzam cúmplices, pode ser silêncio, enfim pode ser e ter muitas formas e pode ser instantâneo.
E deve ser expresso, isso é urgente, da forma que vier.

Acho que minha amiga, ainda não havia sentido nada igual, e por isso se impressionou tanto com as palavras, por que bem no fundinho, as palavras não são nada, as palavras são símbolos que alguém determinou e escolheu como próprios, minha amiga ainda não tinha o sentimento aquecendo por dentro, e sentiu que deveria dar algum retorno pra palavra, e não deveria... nem pro sentimento deveria, por que o amor, e isso é realmente o mais mágico, o amor é de quem o sente.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

pra lembrar de sonhar...


Ontem entrei numas de que não sonho...assim de me comprometer ate o ultimo fio de cabelo com um projeto, meter o pé na porta, insistir...acho que a vida toda os sonhos vieram antes do meu projeto, e me agarrei a eles e fiz funcionar mas nunca fui proativa, fui reativa... e assim tem sido...lembrei que tenho há tempos uma pastas de visualizações, deve ter surgido depois daquele fatídico O segredo, que mesmo eu achando meio viajante, me plantou a sensação de que antes de ter é preciso querer... então com o intuito de me lembrar o que quero... aqui vai! Quero uma casa pra fugir de vez em quando...e nessa casa tem que ter varanda, pra colocar uma rede e tem que ter um pátio pra ter árvores frutíferas...e se eu tiver jeito uma horta. Nas noites nesse pátio, eu quero assistir filmes e fazer jantares embaixo da lua...  

 

sexta-feira, 27 de março de 2015

da felicidade...

Felicidade é saber se deliciar com os detalhes... A Ligia amiga dos tempos da faculdade e dos ipês amarelos, anotou essa frase que eu disse e segundo ela, é o que mais eu sei fazer, e eu torço que o tempo não me tire essa capacidade, um dos poucos talentos que consigo reconhecer em mim, e não me achar ridícula por reconhecê-lo. Eu me delicio com os detalhes e pode parecer fútil ou doido isso, pra quem não faça o mesmo, mas eu posso efetivamente andar na rua e ficar tremendamente tocada com a árvore enorme que faz um outono fora de hora, com o passarinho que aprende a voar e parece um bebê nos primeiros passos, eu tenho assim umas ilhotinhas de felicidade no dia, que podem ir desde um café expresso perfeito, que tomei sentada e desfrutando o unico raio de sol da semana, até o aconchego de minha roupa "de ficar em casa" e minha filha me abraçando sorridente depois de um dia pesado, como quando toca a musica que eu mais gosto bem na hora que coloquei os fones no ouvido, quando alguém desconhecido me sorri e dá bom dia, quando alguém me faz cumplice da sua emoção e trocamos um olhar de reconhecido entendimento, quando encontro, quando abraço, quando beijo, quando brindo, comendo empadinha de camarão com uma tal "massa podre" que a minha mãe não faz mais, ou feijão novo de colher, quando uma fruta guarda o gosto que a minha memória guardava, feliz quando uma saudade me pega no colo, uma amizade me pega na alma, quando a palavra cabe perfeita ou o silêncio diz tudo,quando alguém fotografou o momento exato ou um filme me abala escancaradamente, quando acordo, me espreguiço e me enrosco, quando faço café da manhã ,leio o jornal sem pressa por que é sábado e tenho dois dias pra me pertencer inteira, quando nasce uma florzinha num lugar imprevisto, detalhes enormes, que me fazem carinho quente, que me dão sorrisos, suspiros, lágrimas, de pura felicidade... No livro que ganhei ontem diz: "o apaixonado é um comovido á toa" , talvez seja isso, mais do que talento pra detalhes ou pra felicidade, eu devo ter talento para a comoção ou para paixões á toa...E isso me delicia!